Artes cênicas

‘Um tal bruxo do Cosme Velho’ adapta Machado de Assis em linguagem de circo

Montagem que estreia neste sábado (16/5) no Galpão Cine Horto parte dos contos ‘Filosofia de um par de botas’ e ‘Um apólogo’ e usa a linguagem da palhaçaria 

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O Galpão Cine Horto recebe, neste fim de semana, pelo projeto Conexão, que promove o acesso de estudantes da rede pública ao teatro, a estreia do espetáculo “Um tal bruxo do Cosme Velho”. Com concepção e direção de Inês Peixoto e dramaturgia original de Eduardo Moreira, ambos integrantes do Grupo Galpão, a montagem parte de dois contos clássicos de Machado de Assis, “Filosofia de um par de botas” e “Um apólogo”, para criar uma narrativa lúdica, bem-humorada e provocadora.

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Inês conta que o embrião da peça, que traz Chiquinha Gonzaga na trilha sonora, remonta ao início dos anos 2000, quando seu filho João, ainda criança, foi presenteado com o livro “O bruxo do Cosme Velho”. Ela diz que ficou encantada com os contos que o compõem, em especial “Filosofia de um par de botas”. “Eu já conhecia esse outro conto, 'Um apólogo', que não é do mesmo livro. Ambos trabalham essa questão de dar vida a objetos. Fiquei com essas histórias na cabeça, com vontade de montar um espetáculo com elas”, conta.


No ano passado, a atriz resolveu realizar esse desejo e foi conversar com Chico Pelúcio, diretor do Galpão Cine Horto, sobre a possibilidade de realizar a montagem por meio do projeto Conexão. “Ele achou a ideia ótima e viabilizou esse processo. Convidei o Eduardo [Moreira] para fazer a dramaturgia e começamos a trabalhar em outubro do ano passado. Algumas coisas foram se somando. Eu queria trabalhar com a linguagem do clown, então trouxemos a mestra argentina Raquel Sokolowicz para ministrar uma oficina para os atores do Conexão”, diz.


IRONIA MACHADIANA

Em cena, um par de botas abandonadas revisita memórias, enquanto uma linha e uma agulha travam um debate sobre importância, vaidade e colaboração. A encenação aposta no teatro de objetos e na palhaçaria para traduzir a ironia machadiana em imagens poéticas e acessíveis. “É essa coisa do Machado de Assis, o olhar dele para as relações humanas através de uma chave lúdica, que é animar objetos do cotidiano. O texto do Eduardo cria um arcabouço para os dois contos”, afirma Inês.


Ela ressalta que, ao dar vida para objetos, Machado de Assis está, metaforicamente, refletindo sobre dilemas da humanidade. Inês diz ter entendido, desde que o filho ganhou o livro, que são contos que se comunicam também com o público infantil. Ela destaca que o autor costumava dizer que criava suas histórias porque olhava para lugares onde ninguém enxergava nada, e ele, sim. “Machado via duas botas e imaginava a vida delas; via um cestinho de costura e pensava no embate entre a linha e a agulha”, comenta.


Como atriz e diretora, ela enfatiza que guarda na memória momentos que vive ou produtos culturais que consome e que o tempo os vai maturando, para depois serem transformados. “O feitiço do bruxo do Cosme Velho funciona para todas as idades. No ano passado, tive essa luz, de que esses contos poderiam virar um espetáculo para crianças.” A estreia da montagem marca a ampliação do projeto Conexão para novos públicos, com sessões abertas a famílias e interessados em geral – e não apenas para alunos da rede pública.


TRILHA SONORA

Inês conta que a ideia de trabalhar com a música de Chiquinha Gonzaga surgiu espontaneamente e gerou uma pesquisa desenvolvida por Pablo Barcelos, autor de composições da trilha e que também integra o elenco, ao lado de Athos Ferreira, Luciana Bahia e Margareth Serra. “Existem canções da Chiquinha no espetáculo, em registros com diferentes intérpretes, e quatro músicas, que entram como dramaturgia, compostas pelo Pablo, com letras do Eduardo Moreira e arranjos vocais do Ernani Maletta”, diz.


“Um tal bruxo do Cosme Velho” aproxima com naturalidade dois criadores “de uma magnitude imensa”, segundo Inês. “Não achei nada que comprovasse que Machado e Chiquinha trabalharam juntos, a despeito de terem vivido na mesma época, no Rio de Janeiro. São artistas fundantes de uma cultura brasileira, importantíssimos. A sonoridade dela tem a ver com tudo o que trabalhamos em nossos espetáculos, com toda a diversidade que o Brasil nos apresenta”, destaca.


GRUPO GALPÃO RUMO AOS 45

Inês diz que a feitura de “Um tal bruxo do Cosme Velho” se deu em paralelo com as atividades do Grupo Galpão, que está circulando com seu espetáculo mais recente, “(Um) ensaio sobre a cegueira”, e também com “Cabaré coragem” e “De tempo somos”, que será apresentado neste sábado (16/5), em Nova Lima, no encerramento do Festival Quatro Estações. A atriz conta que, no segundo semestre deste ano, o grupo começa a pensar em uma nova montagem. “É sempre um processo longo, então já vamos dar a largada, porque em 2027 fazemos aniversário de 45 anos, e a ideia é comemorar com um novo espetáculo, com peças de repertório e com algumas outras coisas que estão sendo preparadas”, afirma.

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“UM TAL BRUXO DO COSME VELHO”
Estreia do espetáculo, com sessões neste sábado (16/5) e domingo, às 16h, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.

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