Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão chamam Gilberto Gil para show em BH
Primeira turnê conjunta dos três sambistas estreia será no próximo sábado (6/6), no Maracanã, e passa pela capital mineira no dia 28 de novembro, no Mineirão
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Eles somam décadas de cumplicidade nos bastidores, mas a primeira turnê conjunta da carreira só se concretizou agora. A partir deste mês de junho, Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão percorrem o país com “O maior encontro do samba”.
A megaprodução estreia no próximo sábado (6/6), no Maracanã, e desembarca em Belo Horizonte em 28 de novembro, no Mineirão.
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Todas as apresentações serão realizadas em estádios e arenas. A turnê passa por outras seis cidades brasileiras e ainda embarca em um cruzeiro temático, em janeiro do ano que vem. O samba de quintal, que nasceu despretensiosamente nos subúrbios cariocas, agora vai ocupar alguns dos maiores palcos do país.
Leninha Brandão, empresária de Zeca Pagodinho, assina a direção artística e idealizou o encontro. A direção musical é de Pretinho da Serrinha, que montou uma banda inédita formada por 16 músicos. No repertório, 34 clássicos percorrem diferentes momentos da carreira do trio.
Zeca e Alcione conversaram com o Estado de Minas a poucos dias do início dos ensaios. O carioca de Xerém não se alongou nas respostas. Questionado sobre o que motivou o encontro nos palcos, responde de imediato: “Quem decidiu foi a Leninha”. Em seguida, completa: “Achei legal porque é um reencontro. Vamos relembrar histórias, viajar por aí juntos... Vai ser bem bacana”.
Aos 78 anos, a Marrom usou as redes sociais no mês passado para rebater comentários de que um vídeo em que aparecia sambando teria sido produzido por inteligência artificial.
Após a repercussão, a equipe da artista esclareceu que ela costuma priorizar apresentações sentada por recomendação médica. Em 2022, Alcione foi submetida a cirurgias na coluna vertebral e no quadril. Nos vídeos já divulgados dos ensaios da turnê, ela aparece sentada ao lado dos companheiros.
No último dia 23, durante o Festival Sarará, em Belo Horizonte, a cantora mostrou mais uma vez que continua com o samba no pé. Nos bastidores do evento, também se encontrou com as representantes da nova geração da música brasileira Melly, Luedji Luna e Duquesa.
Convite
Bem-humorada, Alcione conta, por telefone, que recebeu o convite para a turnê do próprio Zeca Pagodinho. “Zeca, quando pega as coisas para fazer, a gente faz”, brinca. O que mais a anima, diz, é a oportunidade de celebrar o samba ao lado dos amigos.
“Significa mais uma vida para a minha vida. Eu gosto muito do que faço e tenho certeza de que Zeca e Aragão também gostam. Quando chega o momento de fazer uma excursão e nos juntarmos para cantar samba, é muito bom. Vai ser divertido. Vai ser uma festa”, afirma.
Fora dos palcos, a cantora define a relação entre os três como uma amizade tranquila, sem “perturbação”, e afirma que eles mantêm contato frequente por telefone. Já Zeca diz que encontrar os amigos é “sempre legal”.
Alcione considera a empreitada ambiciosa. Em Belo Horizonte, os ingressos para o show variam de R$ 87,50 a R$ 990, no pacote VIP. “Eu acho, sim, que é ambicioso. Mas, com a graça de Deus, seremos bem recebidos. Nós vamos encontrar o nosso povo lá”, diz.
A sambista também espera encontrar um público mais jovem, presença que tem percebido com frequência crescente em seus shows. “Tem uma galera jovem muito dedicada ao samba, disposta a ouvir, que conhece das coisas. Eu acho isso bonito. É um movimento que me deixa muito feliz.”
Zeca Pagodinho, por sua vez, evita definir a turnê como ousada. Para ele, o principal atrativo é a oportunidade de dividir o palco com os amigos em uma série de apresentações que “começam cedo e terminam cedo”.
O sambista também afirma não perceber mudanças no perfil do público, porque, do palco, não consegue enxergar esse tipo de coisa. “Consigo olhar a alegria das pessoas”, conta.
Na última semana, o cantor participou das gravações de “Deixa a vida me levar”, longa inspirado em sua vida. Dirigido por Silvio Guindane, o filme começou a ser gravado em 4 de maio. No papel principal está o ator e sambista Pedro Assad, mais conhecido como Mosquito.
A turnê contará com participações especiais em todas as datas. Em Belo Horizonte, o convidado será Gilberto Gil. Ao comentar a participação do baiano, Alcione relembra o apoio que recebeu dele no início da carreira.
“Ele é um amor, um querido. Foi o primeiro compositor a me dar uma música para cantar. Já era uma estrela e me deu uma música. Não teve preconceito por eu ser uma cantora que estava chegando. Me ajudou muito no início da minha carreira”, afirma e depois entoa alguns versos de “O sonho acabou”, composição de Gil que gravou em 1978.
Questionado sobre a estrutura dos shows, Zeca desconversa. Fiel ao espírito de “Deixa a vida me levar”, responde apenas que ainda não sabe de nada. “Na hora, a gente vê”, comenta. Alcione usará figurinos assinados pelo Ateliê Silvia Bevilaqua, com trajes inspirados em Dona Ivone Lara, Leci Brandão e Clara Nunes.
Há uma certeza no repertório, o clássico “Não deixe o samba morrer”, composição de Edson Conceição e Aloísio Silva eternizada na voz da Marrom. “Não vou a lugar nenhum sem cantar essa música. Então está incluída, com certeza”, afirma ela.
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“O MAIOR ENCONTRO DO SAMBA”
Turnê de Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão. Em 28 de novembro, no Estádio Mineirão (Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.001 - São José). Abertura da casa às 16h. Ingressos à venda no Eventim, com preços variando entre R$ 87,50 e R$ 990.