Paul McCartney volta ao passado com 'The boys of Dungeon Lane'
Ex-beatle lança álbum nesta sexta-feira (31/5), com canções em que rememora a infância em Liverpool, ao lado de George Harrison e John Lennon
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Dungeon Lane é uma pequena rua na região de Speke, em Liverpool, na Inglaterra. Bem próximo, cresceram Paul McCartney, John Lennon e George Harrison, onde passaram a juventude antes dos dias no Cavern Club. Nesta sexta-feira (29/5), Paul McCartney lançou seu novo álbum solo, o primeiro em cinco anos, “The boys of Dungeon Lane”.
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De volta a Dungeon Lane, Macca está nostálgico, mas não está sofrendo por isso. As 14 faixas, de um álbum de 47 minutos, relembram de forma positiva a juventude em Liverpool. Também com canções de amor, o disco do britânico ainda conta com participação do ex-beatle Ringo Starr. Ao mesmo tempo em que a parceria configura a alegria dos fãs em ver juntos os dois últimos Beatles vivos, ela reforçando a falta de John Lennon e George Harrison.
No documentário “Get back” (2021), gravado durante o processo de produção do disco “Let it be” (1970), George Harrison e John Lennon não estão presentes em um dos momentos de ensaio, Macca e Ringo são os únicos no estúdio, quando Paul diz: “Então sobraram dois”. Hoje, a cena soa profética.
No novo álbum, tocam juntos em “Home to us”. A música fala sobre a falta de luxo da cidade onde cresceram, mas ressalta que aquele lugar era um lar. Em tradução livre, a canção diz: “O lugar onde morávamos. digamos que não era grande coisa/ Mas era o nosso lar [...] O mundo ao nosso redor não era seguro (o lugar estava desmoronando)/ Mas era a minha cidade natal, e era nosso lar”.
Paul McCartney vive com a fama há 63 anos, quando o primeiro disco dos Beatles, “Please please me”, foi lançado. Ao longo dessas seis décadas, o que parece é que o baixista não se cansa dessa realidade. Aos 83 anos, ele ainda sai em turnês mundiais – inclusive, já esteve 11 vezes no Brasil desde 1990 –, lança álbuns, documentários, participa de produções e lançamentos relacionados aos Beatles e Wings, além de marcar presença em entrevistas e programas de TV, como “Saturday Night Live”.
Em entrevista ao jornal "New York Times", Paul McCartney afirmou que escrever músicas não é apenas um trabalho, é uma atividade, um escape emocional, uma compulsão e uma vontade. Para ele, estar perto do violão e do piano já faz surgir a necessidade de compor e tocar – o que transparece em “The boys of Dungeon Lane”.
O álbum é a cara de Paul McCartney, as melodias se parecem com os primeiros lançamentos solo do músico, como o “RAM”, feito ao lado de Linda McCartney, em 1971, pouco tempo após o fim dos Fab Four. Porém, nota-se a ligeira mudança na voz, própria da passagem do tempo.
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Na faixa “Days we left behind”, Macca volta a Dungeon Lane e relembra os amigos com quem cresceu. “Veja os garotos de Dungeon Lane, pela praia de Mersey/ Alguns deles sentirão a dor, mas alguns foram feitos para mais/ E nada permanece igual/ Ninguém precisa chorar/ Nada se pode recuperar os dias que deixamos para trás”.
É o tipo de nostalgia que lembra “Free as a bird”, canção dos Beatles recuperada e lançada no “Anthology 1”, em 1995. A música fala dos dias de liberdade, dos dias em casa – Liverpool –, de serem livres como um pássaro. “O que aconteceu com a vida que conhecíamos?/ Realmente podemos viver um sem o outro?/ Quando nós perdemos o contato/ Que parecia importar tanto?/ Isso sempre fez eu me sentir tão/ Livre como um pássaro”.
Ainda revivendo o passado e a liberdade, Macca fala sobre os pais terem sobrevivido à Segunda Guerra Mundial na faixa “Salesman Saint”. “A guerra estava quase acabando/ A paz iria logo começar/ Vivendo nos arredores da cidade/ Quando as estradas estavam sendo construídas.” A mãe de Paul McCartney era enfermeira; na música, ele a cita como uma santa.
A relação de Paul com John e George ainda está presente na vida do músico. Em entrevista com o ator Paul Mescal, que interpreta Macca na futura cinebiografia dos Beatles, o baixista define como foi revisitar memórias para a escrita do disco.
Para ele, escrever “Down South” o levou de volta à época em que George Harrison era uma criança, como se estivesse vendo fotos antigas. Já quanto a Lennon, McCartney sente a presença do amigo e ex-companheiro de banda ao escrever músicas, como se ainda estivessem escrevendo juntos e como se estivesse falando com John Lennon. “A alma dele ainda está em mim, a de George também.”
“The boys of Dungeon Lane” é um álbum sobre memórias.
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“THE BOYS OF DUNGEON LANE”
- Álbum de Paul McCartney
- 14 faixas
- Capitol Records
- Disponível nas plataformas digitais