O padre Danilo César de Souza Bezerra, responsável pela paróquia de Areial, na Paraíba, pediu desculpas publicamente à família de Preta Gil após um acordo firmado na Justiça Cível do Rio de Janeiro, por declarações consideradas ofensivas e intolerantes feitas durante uma homilia em 2025. O pedido ocorreu durante uma missa celebrada no Dia das Mães (10/5) e transmitida ao vivo pelo YouTube.
A leitura pública do texto fazia parte do acordo firmado com a família da artista e foi realizada no mesmo espaço onde as declarações haviam sido feitas originalmente. Além da retratação pública, o acordo prevê a doação de oito cestas básicas para uma instituição social. A Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia, também faz parte do termo firmado com a família.
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O acordo na esfera cível também evitou que o padre fosse condenado ao pagamento de R$ 370 mil em danos morais. Paralelamente, Danilo César firmou anteriormente um acordo com o Ministério Público Federal (MPF), que suspendeu uma eventual responsabilização criminal mediante o cumprimento de medidas educativas e reparatórias.
Entre as obrigações estão a participação em um ato inter-religioso, realizado em fevereiro, com participação remota de Gilberto Gil, a elaboração de resenhas manuscritas sobre obras relacionadas à temática racial e religiosa, a produção de análise sobre um documentário, 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e o pagamento de R$ 4.863 para uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes.
Veja a íntegra do posicionamento do religioso:
"Eu, Danilo César de Souza Bezerra, dirijo-me publicamente a Gilberto Passos Gil Moreira, Flora Nair Giordano Gil Moreira, Francisco Gadelha Gil Moreira, Miller de Sá Nara Aguiar Gil Moreira, Marília de Aguiar Gil Moreira, Maria Gadelha Gil Moreira, Bem Giordano Gil Moreira, Isabel Gil Moreira e José Gil Giordano Gil Moreira, bem como à memória de Preta Maria Gadelha Gil Moreira, para apresentar minhas desculpas formais.
Reconheço que na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que por minha imprudência causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente.
A liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos e sem ela o exercício de nossa própria catolicidade poderia nos ser privada ou restrita. Como consequência, todos temos que respeitar todas as pessoas que creem de forma diferente, que manifestam religiosidade de forma diversa da nossa fé católica. Todas as pessoas merecem respeito oriundo de sua dignidade como criaturas de Deus.
Acerca das religiões de matriz africana, é importante que se reconheça a sua importância histórica e cultural e como um dos elementos constitutivos da diversidade do povo brasileiro. Por isso, peço sinceras desculpas pelas falas proferidas naquela ocasião e assumo o firme propósito de não voltar a repeti-las."
Relembre o caso
A controvérsia começou durante uma homilia realizada em 27 de julho de 2025, quando o padre relacionou a morte de Preta Gil, que havia morrido sete dias antes, vítima de câncer colorretal, à fé da artista em religiões de matriz africana.
"Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse na época.
"E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha”, completou.
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As falas foram consideradas preconceituosas por representantes de religiões de matriz africana da região. A denúncia foi apresentada pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, por meio de um boletim de ocorrência registrado pelo presidente da instituição, Rafael Generiano.
