Riviera Maya, México – Um ano após ter dado início, em Cannes, à sua vitoriosa trajetória, “O agente secreto” continua fazendo história. Neste sábado (9/5), o longa saiu com oito troféus da 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret, incluindo os de Melhor Filme, Direção e Roteiro, para Kleber Mendonça Filho, e Ator para Wagner Moura.

 

Somados aos prêmios de Melhor Novela, para “Beleza fatal”, e Documentário, para “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa, o Brasil foi o grande vencedor da premiação dedicada à produção audiovisual ibero-americana.


Kleber Mendonça Filho subiu ao palco do Teatro Tlachco quatro vezes. Para agradecer pelo de Roteiro, lembrou-se que vivemos em um momento “de mentiras no mundo”, e que o cinema “é um instrumento poderoso” quando realizado com “verdade e honestidade social, humana e política”.

Dedicou o prêmio de Direção à mulher, a produtora Emilie Lesclaux, a primeira leitora de suas histórias, e também a Wagner Moura. Emilie foi quem abriu os agradecimentos de Melhor Filme, falando sobre o “orgulho de ser parte da comunidade audiovisual ibero-americana”.

Wagner Moura está filmando na Espanha, explicou Kleber. O cineasta leu, do palco, uma mensagem enviada pelo ator. “Amo os Prêmios Platino, ver a nossa cinematografia ser celebrada, encontrar amigos, descobrir talentos, filmes e trabalhadores do cinema falado em espanhol e em português. Amo cada vez que percebo o Brasil integrado a uma cultura mais abrangente, e que também é nossa.”


O diretor foi pego de surpresa com o restante da mensagem. “Ao porta-voz desta mensagem, esse diretor gênio, grande amigo, grande artista, esse homem sensual: te amo, Kleber Mendonça”, o próprio leu, visivelmente envergonhado.


Dois dias atrás, “O agente secreto” já havia vencido três categorias técnicas – Música, Direção de Arte e Montagem –, bem como a de Melhor Ator pelo voto popular. Com os oito troféus recebidos no México, atinge 98 prêmios.


Diretora de “Beleza fatal”, Maria de Médicis dedicou o prêmio a Dennis Carvalho, morto em fevereiro. “Meu mestre”, disse ela, se lembrando “do amor do brasileiro pela novela, um gênero que deve ser valorizado”. O segundo ano da produção foi confirmado pela HBO Max.

Por trás das câmeras, Moura vive um relacionamento discreto com a fotógrafa Sandra Delgado desde 2001. Eles têm três filhos. Reprodução/Instagram
Em 2024, Wagner Moura integrou o elenco do filme "Guerra Civil", produção internacional dirigida por Alex Garland. Na trama, ele atua ao lado da renomada atriz Kirsten Dunst. divulgação / a24
Moura colecionou prêmios importantes, como o Guarani do Cinema Brasileiro de Melhor Ator por "Tropa de Elite" (2007) e "Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro" (2010). Além da carreira como ator, Wagner Moura também é músico e vocalista da banda de rock "Sua Mãe". divulgação
Moura seguiu com papéis de destaque em produções internacionais, como a série "Iluminadas" (2022), com a atriz Elizabeth Moss, e o filme "O Agente Oculto" (2022), com os astros Ryan Gosling e Chris Evans. Divulgação
Moura também começou a se destacar como cineasta. Em 2021, ele dirigiu seu primeiro longa-metragem, "Marighella". Um filme biográfico sobre o guerrilheiro Carlos Marighella, recebendo aclamação da crítica e consolidando sua versatilidade artística. Divulgação
Em 2015, Wagner Moura estrelou mais uma produção de grande repercussão internacional: a série "Narcos", de três temporadas. Na trama, interpreta Pablo Escobar, um dos mais poderosos e temidos chefes do tráfico de drogas da história. Reprodução/Netflix
Em 2013, Moura atuou ao lado dos astros de Hollywood Matt Damon e Jodie Foster no filme de ficção científica "Elysium", que teve avaliações razoáveis da crítica. Divulgação
Wagner Moura também atuou em novelas, como "A Lua Me Disse" (2005) e "Paraíso Tropical" (2007), e na minissérie "JK" (2006), baseada na vida do ex-presidente do Brasil Juscelino Kubitschek. Reprodução TV Globo
O sucesso se repetiu em 2010, com a continuação "Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro". Os dois filmes foram aclamados internacionalmente por sua representação realista da violência urbana e corrupção no Brasil. Divulgação
Em 2007, o ator brasileiro ganhou uma projeção ainda maior com o lançamento do sucesso "Tropa de Elite", de José Padilha, no qual interpreta o Capitão Nascimento. Divulgação
Em seguida, Moura emplacou papéis em vários filmes de sucesso, como "Abril Despedaçado" (2001), "Deus é Brasileiro" (2003), "Carandiru" (2003), "�, Paí, �" (2007) e "Saneamento Básico, O Filme" (2007). Divulgação/Zeca Guimarães
Wagner Moura nasceu em Salvador, capital da Bahia, em 27 de junho de 1976. No teatro, ele despontou na década de 1990, conquistando reconhecimento por atuações marcantes. Já no cinema, fez sua estreia em 2000, no longa "Sabor da Paixão", ao lado do também brasileiro Murilo Benício e da atriz espanhola Penélope Cruz. Reprodução
Wagner Moura fez história ao tornar-se o primeiro brasileiro a receber o prêmio de melhor ator em filme de drama, no Globo de Ouro 2026. Moura também concorreu a Melhor Ator no Oscar 2026, outra indicação histórica para o país. Reprodução de vídeo TV Globo
A seleção reuniu nomes de áreas como cultura, política e tecnologia que, segundo o jornal, devem influenciar os rumos do país nos próximos anos. A publicação destacou a força da trajetória artística de Wagner e sua capacidade de dialogar com temas contemporâneos sensíveis. Reprodução / YouTube / O AGENTE SECRETO | Trailer Oficial 1
Wagner Moura segue voando! Ele já havia sido incluído na Post Next 50, lista anual do "The Washington Post" que destaca cinquenta personalidades com potencial de impacto decisivo na sociedade dos Estados Unidos. Divulgac?a?o/Cibelle Levi
O ator brasileiro Wagner Moura foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time, impulsionado por sua projeção internacional e indicação ao Oscar. A publicação destacou seu “charme discreto” e o definiu como um contraponto ao mundo digital, com estilo considerado mais “analógico”.


O Festival de Cannes tem início na próxima terça-feira (12/5). Foi na edição passada que “O agente secreto” deu seu pontapé. Em 2026, ainda se completam 10 anos desde que “Aquarius” se tornou o primeiro longa de Kleber a entrar em competição no maior festival do mundo. “Foi um divisor de águas numa trajetória de 20 anos fazendo filmes”, comentou Emilie.

Com 2,5 milhões de espectadores no Brasil, “O agente secreto” continua em cartaz, mesmo tendo estreado há dois meses na Netflix. Emilie comentou que o objetivo inicial era que o thriller superasse a bilheteria de “Bacurau” (800 mil espectadores em 2019). Fez três vezes mais.

“A parte mais positiva (de emplacar uma produção no Oscar) é que um público, não necessariamente do cinema, vai ver o filme. Depois do Globo de Ouro, foi como se a gente tivesse furado uma bolha de uma maneira bem abençoada”, acrescentou a produtora.

Sobre o lançamento no streaming, Kleber citou, bem-humorado, postagens nas redes sociais que falam sobre a duração do filme (2h40). “Tem gente que escreve no Twitter: ‘Finalmente terminei ‘O agente secreto’ depois de duas semanas’. Por que não?”

Acrescentou, no entanto, que nunca vai “querer saber de técnicas para manter o público engajado. Meus filmes têm muita informação, se você estiver prestando atenção. Mas, se não estiver…” Disse também que vai continuar fazendo filmes narrativos clássicos. “Quando ‘O agente secreto’ começa, há aquela situação no posto de gasolina. Quem é o morto? Para mim é interessante, mas não acho que tenha sido feito para prender a atenção de uma garota de 14 anos.”

O próximo projeto do cineasta deverá ser ambientado um século atrás. “Quando fiz ‘Retratos fantasmas’ (2023), descobri informações históricas fascinantes sobre Recife nos anos 1930. É uma época muito forte, logo antes da guerra explodir na Europa. Então tem um fundo histórico que me interessa muito. Mas é só uma intuição. E todo filme começa com uma intuição.” Wagner Moura deverá estar nele, pois Kleber falou, inclusive do palco, que o quer em seu próximo longa.

Um projeto menos ambicioso para o futuro próximo é um livro. “Recentemente tive uma experiência muito positiva com o roteiro de ‘O agente secreto’ (publicado na mesma época do lançamento do longa). Agora quero escrever sobre minha experiência com o filme durante esses 10 meses. É uma forma de me conectar com a indústria cinematográfica.”

Já Emilie está produzindo o novo longa de Leonardo Lacca, diretor-assistente de “O agente secreto”. As filmagens de “Sábado morto” começaram há pouco no Recife. “A história é um pouco sobre o choque entre modernidade e tradição. Tradição é algo muito de Pernambuco”, comentou ela.

 

Ainda inédito no Brasil, "O agente secreto" (2025) competiu pela Palma de Ouro em Cannes e recebeu os prêmios de melhor direção e ator (Wagner Moura) do júri presidido pela atriz francesa Juliette Binoche Victor Jucá/Divulgação
O diretor voltou a Cannes com "Retratos fantasmas" (2023), documentário que recupera a história das salas de cinema de rua do Recife. A produção está disponível na Netflix. Cinemascopio/Divulgação
Em 2019 o diretor pernambucano lançou "Bacurau", codirigido por Juliano Dornelles. O filme recebeu o Prêmio do Júri em Cannes e foi um sucesso de público e crítica no Brasil. Está disponível no Globoplay. Reprodução/Divulgação
"Aquarius" (2016) é estrelado por Sonia Braga, no papel de uma mulher que resiste à especulação imobiliária no Recife, recusando-se a vender sua casa para uma empreiteira. O longa está disponível na Netflix. Victor Juca/Divulgação
"O som ao redor" (2012), dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa-metragem aborda a vida em uma rua de classe-média na zona sul do Recife após a chegada de uma milícia. Disponível na Netflix. Vitrine Filmes/Divulgação

O filme será rodado entre a capital e o sertão, próximo à cidade de Arcoverde. “Fala sobre uma família em que um dos filhos foi para Recife para estudar e virar médico. Há um drama em que ele tem que voltar (para o sertão) para se conectar.” A produção é também um reencontro de parte dos profissionais que trabalhou em “O agente secreto”. “A gente tem uma equipe de amigos”, acrescentou a produtora.

Vencedores da edição 2026 dos Prêmios Platino

. Cinema

Melhor filme: “O agente secreto” (Brasil)


Melhor direção: Kleber Mendonça Filho


Melhor ator: Wagner Moura, por “O agente secreto”


Melhor atriz: Blanca Soroa, por “Os domingos” (Espanha)


Melhor roteiro: Kleber Mendonça Filho


Melhor comédia: “La cena” (Espanha)


Melhor animação: “Olivia e as nuvens” (República Dominicana)


Melhor documentário: “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa (Brasil)


Melhor filme de estreia: “Surda” (Espanha)

. TV


Melhor Série: “O eternauta” (Argentina)


Melhor Criador de série: Bruno Stagnaro (“O eternauta”)


Melhor ator: Ricardo Darín (“O eternauta”)


Melhor Atriz: Paulina Gaitán (“As mortas”, México)


Melhor novela: “Beleza fatal” (Brasil)

Platino de Honra: Guillermo Francella

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A repórter viaja a convite dos Prêmios Platino

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