‘A casa dos espíritos’ chega ao streaming com ‘sabor autêntico’
Autora do romance, Isabel Allende atua como produtora-executiva da série do Prime Video e celebra versão com elenco majoritariamente latino
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Está claro que, na música, nunca esteve tão em alta ser latino. Basta ver que Bad Bunny e Shakira protagonizaram dois dos shows mais comentados deste ano. No audiovisual, as narrativas da América do Sul também parecem ganhar cada vez mais espaço, sobretudo quando contadas por artistas locais.
Neste mês, o romance “A casa dos espíritos” (1982), da chilena Isabel Allende, apontada como a escritora de língua espanhola mais lida no mundo, ganha adaptação em minissérie pelo Prime Video. Parte do realismo mágico latino-americano, o livro acompanha três gerações de mulheres da família Trueba – a mãe, Clara; a filha, Blanca, e a neta, Alba –, além do patriarca Esteban.
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Primeira adaptação do romance falada em espanhol, a série foi gravada no Chile e tem Alba (Rochi Hernández) como narradora. A jovem reconstrói a trajetória da família a partir dos diários deixados por Clara, interpretada pela espanhola Nicole Wallace na juventude e pela argentina Dolores Fonzi na fase adulta.
SILÊNCIO
Ainda criança, Clara diverte a família, unida e afetuosa, com seus poderes. Com o tempo, porém, prevê mortes de parentes e, após um trauma envolvendo a irmã Rosa (Chiara Parravicini), fica nove anos sem falar. O silêncio só é rompido quando chega o momento, já previsto por ela, de se casar com Esteban Trueba (Alfonso Herrera).
Ao longo da série, o homem que inicialmente parecia apaixonado e amistoso se transforma em um fazendeiro autoritário e violento, governando a propriedade de Las Tres Marías com mãos de ferro. Ele e Clara são radicalmente diferentes e, enquanto ela permanece gentil e espiritualizada, Esteban se torna cada vez mais obcecado por poder.
A relação do casal e de toda a família, incluindo os filhos Blanca (Sara Becker) e Jaime (Diego Mayegas), se desequilibra com a chegada de ideias revolucionárias à região. Ao mesmo tempo em que Clara encontra conforto nas visões e na conexão com os mortos, os poderes também revelam as atitudes mais cruéis cometidas pelo marido.
A adaptação de “A casa dos espíritos” chega em um ano em que outras obras fundamentais do realismo mágico ganham versões seriadas produzidas por equipes locais. “Como água para chocolate”, baseada no livro da mexicana Laura Esquivel, teve a segunda e última temporada lançada em fevereiro passado pelo HBO Max. “Cem anos de solidão”, inspirada no clássico do colombiano Gabriel García Márquez, por sua vez, ganhará novos episódios em agosto, na Netflix.
O livro de Isabel Allende já havia sido adaptado para o cinema em 1993, mas em uma versão majoritariamente norte-americana, com Meryl Streep, Jeremy Irons, Winona Ryder e Glenn Close no elenco – além do espanhol favorito de Hollywood nos anos 1990, Antonio Banderas.
Quando vendeu os direitos de “A casa dos espíritos” para o cinema, a autora exigiu apenas que o filme fosse dirigido pelo dinamarquês Bille August, de quem ela havia assistido “Pelle, o conquistador” (1987). Ainda assim, preferiu se afastar da produção.
Agora, atua como produtora-executiva da série e celebra a mudança de cenário. Em entrevistas recentes, afirmou que, se antes era necessário filmar em inglês para alcançar o mercado internacional, hoje isso já não é indispensável. “É maravilhoso ver esta nova interpretação com um sabor latino mais autêntico”, disse Isabel Allende à “Marie Claire”.
“A CASA DOS ESPÍRITOS”
• Os cinco primeiros episódios já estão disponíveis no Prime Video. Outros três serão lançados na próxima quarta-feira (13/5).
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes