Oscar foi 'experiência grandiosa', diz ator de 'O agente secreto'
Mineiro Carlos Francisco desembarca nesta quarta (18/3) no Brasil e no dia seguinte sobe ao palco, encenando a peça 'Sizwe está morto' em São Paulo
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Deslumbre não faz parte do repertório do ator Carlos Francisco. Nem ressentimento. O intérprete de Alexandre Nascimento, sogro de Armando/Marcelo (Wagner Moura) em “O agente secreto”, deixa Los Angeles nesta quarta-feira (18/3) com a sensação de tarefa cumprida.
“O clima era de uma grande vitória do cinema nacional”, afirmou o ator belo-horizontino sobre a passagem da equipe do thriller pernambucano pelo Dolby Theatre, no domingo (15/3). Se não houve Oscar, “a gente compreende, pois a indústria tem seus critérios”, acrescentou.
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“É uma experiência grandiosa, pois pela televisão a gente não tem ideia de como é. O domínio no show é enorme e a precisão com que fazem tudo é muito impactante. É tudo muito tecnológico”, contou ele. E dá para ver vários ídolos. “Você encontra todo mundo ali mesmo”, disse.
Para Carlão, a temporada começou ainda no Aeroporto de Guarulhos, na última quinta (12/3), quando embarcou para Los Angeles. Estava ao lado de Alice Carvalho (que interpreta sua filha, Fátima, no filme), quando viu passar alguém. É ou não é? Era mesmo Spike Lee, que foi no mesmo voo dos atores brasileiros.
Carlão ficou na dele durante o voo, mas pediu uma foto quando viu o diretor americano novamente, no corredor que dava acesso à cerimônia. Spike Lee é um dos produtores-executivos de “A voz de Hind Rajab”, que concorreu com o longa brasileiro na categoria de Melhor Filme Internacional.
Nos EUA, a festa começou às 16h (no Brasil, às 20h). Pois para a equipe do filme o dia teve início às 11h, quando todos deixaram o hotel.
“Fomos para outro hotel, onde houve sessão de fotos, coquetel e depois seguimos para o evento. Ficamos lá dentro, passamos pelas entrevistas e daí você tem de entrar, pois tem que estar sentado às 15h30”, continua Carlão.
Ao banheiro, pode-se ir, desde que nos intervalos. “É tudo muito organizado, cheio de regras, credenciais. Embaixo da cadeira tinha caixa com pipoca, umas balas e uma água. E no salão tem outro coquetel, onde servem algumas coisas.”
Como a comitiva do filme brasileiro era de 30 pessoas, elas foram divididas em grupos, cada qual em uma área da plateia. Quando foi anunciada a primeira categoria a que “O agente secreto” concorria, a de Melhor Elenco, a expectativa era grande. “Ficamos todos solidários (o diretor de elenco Gabriel Domingues não venceu), algumas pessoas foram abraçá-lo”, acrescenta o ator.
Mas o sentimento era festivo. Depois das quase quatro horas de cerimônia, todos queriam relaxar e aproveitar. O grupo foi para a festa do Oscar, o chamado Governors Ball, para cerca de 1,5 mil pessoas, no complexo do Dolby Theatre.
“É uma grande confraternização, com comida à vontade. Pois depois de quatro horas lá dentro, só com pipoquinha, dá uma certa fome”, acrescenta ele.
Terminada a agenda oficial, Carlão pôde conhecer Los Angeles “fora do cartão-postal”, com amigos que vivem na cidade. No retorno ao Brasil, ele não terá muito tempo para descansar. Nesta quinta (19/3), já retorna ao Galpão do Folias, em São Paulo, para apresentar a peça “Sizwe Banzi está morto”.
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A montagem, em que Carlão divide a cena com Réggis Silva, trata da opressão durante o apartheid na África do Sul. A Belo Horizonte o ator só volta no dia 30, quando terminar a temporada da peça.