MÚSICA

Titãs faz show em BH para comemorar os 40 anos de 'Cabeça dinossauro'

Apresentação será no BeFly Hall, neste sábado (25/4), em turnê que celebra as quatro décadas do álbum tido como marco da discografia do grupo

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Instado a dizer se o álbum "Cabeça dinossauro", o terceiro de sua discografia, lançado em 1986, redefiniu os rumos da banda até então conhecida como os Titãs do Iê Iê Iê, o guitarrista Tony Bellotto é taxativo: "Ele definiu". Este trabalho, que representou uma guinada rumo à sonoridade pesada e agressiva, e que se tornou um dos maiores clássicos do rock nacional, está fazendo 40 anos. Para celebrar, os Titãs iniciaram em março, em São Paulo, uma turnê que chega agora a Belo Horizonte, com show neste sábado (25/4), no BeFly Hall.

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O roteiro da apresentação prevê, numa primeira parte, a execução de "Cabeça dinossauro" na íntegra e na ordem em que as faixas foram gravadas. Em um segundo momento, o grupo toca músicas de outros álbuns que também têm uma pegada mais nervosa, em diálogo com o álbum que está aniversariando em 2026.


Frustração

Bellotto situa que, nos dois primeiros discos – "Titãs", de 1984, e "Televisão", de 1985 – o grupo não tinha experiência, não conseguia alcançar unidade e acabava frustrado com o resultado.

"Nossa linguagem ficou definida a partir de 'Cabeça dinossauro', com os vocais gritados, com músicas mais pesadas, mais sujas", diz.

"Criamos a banda em 1982 e demoramos quatro anos para chegar na sonoridade que procurávamos", complementa Branco Mello, um dos três remanescentes da formação original, junto com Sérgio Britto. Descrito, na época de seu lançamento, como "violento", "áspero" e "revolucionário", o disco foi elevado, com o tempo, ao posto de um ícone do rock brasileiro.

"Basicamente por causa das temáticas e da sonoridade, talvez até mais a sonoridade. Era quase um ovni em relação ao que se fazia na música popular brasileira naquele momento. No underground existiam bandas com aquele tipo de som, mas não no rádio e na TV", destaca Britto. Ele diz que é difícil falar sem trair a modéstia sobre o porquê de o álbum ter chegado ao mainstream.

"Acho que era melhor, com canções bem resolvidas, com temas pertinentes, com sonoridade boa e com o respaldo de uma grande gravadora (a Warner)", avalia.

"Ele tinha a sujeira das bandas do underground, mas tinha um acabamento e um aprimoramento que nenhuma alcançava", completa Bellotto. Branco Mello aponta, ainda, o momento político e social que o Brasil atravessava, tentando reaprender o significado de liberdade depois de duas décadas de ditadura militar, o que contribuiu para que o álbum se tornasse o retrato de uma geração inconformada.

Passadas quatro décadas, Britto acha que os temas tratados em músicas como "Polícia", "Igreja" e "Bichos escrotos" seguem pertinentes. "Sempre teremos que lidar com abuso de autoridade, com ganância, essas coisas que às vezes vêm à tona com mais força, como na atualidade, depois de uns anos em que a democracia parecia estar garantida", diz. Bellotto faz coro e afirma que "Cabeça dinossauro" segue atual não só pela temática, mas também pela qualidade musical.

"Ele não parece um disco dos anos 1980. Tem uma sonoridade que é, sim, crua, mas que se adequa a qualquer tempo", ressalta. "Musicalmente, ele continua forte", emenda Branco Mello.

ARRANJOS ORIGINAIS

Britto observa que no momento de concepção da turnê "Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos", ficou definido que os arranjos deveriam soar fiéis aos originais.

"Quisemos manter, no show, o som do disco, já que se trata de celebração daquele trabalho, que, afinal, tem arranjos burilados – simples, mas burilados", ressalta.

Bellotto destaca, a propósito, o convite a um terceiro guitarrista, Alexandre Diório, que soma forças com ele próprio e com Beto Lee, que, junto do baterista Mário Fabre, integra a formação há alguns anos.

"Ter esse reforço também tem a ver com soarmos fiéis ao disco, que tem muitas guitarras gravadas em overdub. Foi uma escolha acertada, porque está bem pesado", diz. Sobre a segunda parte do show, quando o repertório deriva para outros álbuns da banda, Branco Mello destaca que se trata de uma seleção em perfeita sintonia com "Cabeça dinossauro", e que surpreendeu o público em São Paulo, na estreia da turnê. "Tem músicas que não tocávamos há bastante tempo, muitos lado B, mas tudo conceitualmente alinhavado", diz.

"Isso de não ter só grandes sucessos é uma lógica diferente", pontua Britto, citando, entre os lado B que integram a segunda parte do roteiro do show, músicas como "Eu vou duvidar", do álbum "Como estão vocês?" (2003), e "Anjo exterminador", do "MTV ao vivo" (2005). "É muito prazeroso revisitar essas músicas", afirma Branco Mello.

“TITÃS – CABEÇA DINOSSAURO”
Show da turnê comemorativa dos 40 anos de lançamento do álbum "Cabeça dinossauro", dos Titãs, neste sábado (25/4), às 21h, no BeFly Hall (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Ingressos de R$ 102,50 a R$ 275, à venda pelo eventim.com.br/titas

Outros espetáculos

>>> PRETOS NO TOPO

A Casa Outono (Rua Outono, 126, Bairro Carmo) recebe, na próxima segunda-feira (27/4), o espetáculo "Pretos no topo", encontro de gerações que celebra a identidade da cultura negra. Maurício Tizumba se junta a duas cantoras da nova geração, Maíra Baldaia e Jhessy Vilas, para apresentar repertório que reverencia grandes compositores e intérpretes da música brasileira. Entrada franca, mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla.

>>> DORA E JACQUES MORELENBAUM

A Orquestra Sesiminas abre a temporada 2026 da Série Promenade com um concerto especial de Dora e Jaques Morelenbaum. O espetáculo será no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia), neste domingo (26/4), às 17h. Os ingressos custam entre R$ 35 e R$ 70 e podem ser adquiridos na plataforma Sympla.

>>> ANNA PÊGO

A cantora Anna Pêgo se apresenta, nesta sexta-feira (24/4), às 20h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). No show do projeto Salve o Compositor, Anna Pêgo repassa seu repertório. Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) à venda na plataforma Sympla.

>>> PALAVRA CANTADA

Em sua 16ª edição, o programa “Diversão em cena” abre a temporada 2026 com o show do grupo Palavra Cantada, comemorativo de seus 30 anos de trajetória, neste domingo (26/4), às 17h, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.

>>> BETH LEIVAS

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A cantora Beth Leivas se apresenta na Casa Outono (Rua Outono, 126, Carmo) nesta sexta-feira (24/4), às 20h30. O show terá a participação de Camila de Ávila. Ingressos a R$ 60, pela Sympla.

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