MÚSICA CLÁSSICA

Com jogo de vozes, Coral Lírico cria sensação de 'diálogo para o ouvido'

Grupo mineiro faz apresentação gratuita nesta quinta (16/4), no Museu Inimá de Paula, com obras de Bach, Rheinberger e Mendelssohn no programa

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A série “Lírico no Museu”, do Coral Lírico de Minas Gerais, ocupa o Museu Inimá de Paula nesta quinta (16/4), às 19h, com um programa dedicado ao repertório sacro europeu. Sob regência de Lucas Viana e com acompanhamento do pianista Fred Natalino, a apresentação explora a capacidade sonora do coro.

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Lucas, que atua como regente assistente do coral, conta que a ideia inicial do programa foi homenagear Josef Rheinberger (1839-1901). A partir da escolha de uma peça do compositor, o maestro selecionou o restante das músicas. 

“No final das contas, pensei em um programa que trabalhasse a exploração do coro não como um organismo só, mas coexistindo com outro coro ou com uma solista”, explica Lucas Viana.

Ao longo do concerto, o público é conduzido por diferentes camadas de escuta, em um jogo de contrastes e respostas entre vozes. “Tem momentos em que um coro canta com uma sonoridade muito brilhante e o outro responde em uma tonalidade mais escura. Às vezes, há a sensação de eco, em que um coro fala e o outro repete mais suavemente. Isso cria no ouvido uma experiência de diálogo constante”, diz.

A abertura do programa é a canção “Hör mein Bitten [Ouça a minha súplica]” (1844), de Felix Mendelssohn, com solos da soprano Gislene Ramos. A música apresenta dualidade entre solista e coro. Na sequência, ainda de Mendelssohn, “Denn er hat seinen Engeln befohlen [Pois Ele ordenou aos seus anjos]” (1844) amplia a divisão interna do grupo, com oito vozes.

“Apesar de não serem dois coros, temos duas sopranos, duas contraltos, além dois tenores e dois baixos. Há um diálogo entre naipes femininos e masculinos”, comenta o maestro.

 

Em seguida, o ponto central do programa é a “Mass in E-flat major [Cântico da missa]” (1879), de Rheinberger, que seria o homenageado inicial. No encerramento, está “Komm, Jesu, komm [Vem, Jesus, vem]”, de Johann Sebastian Bach, que retoma a ideia de oito vozes em dois coros e melodias polifônicas. 

“A sensação que imagino é de ver o coro sendo expandido, as vozes sendo pulverizadas. Primeiro um coro com solista, depois os naipes dialogando, em seguida dois coros com grande massa sonora, até chegar a uma obra muito brilhante”, resume Lucas.

A busca de novos formatos capazes de surpreender o público é uma marca do trabalho do maestro. “Gosto de sair da zona de conforto, experimentar coisas com o grupo. O tradicional é muito bonito, mas é interessante quando, dentro da tradição, você consegue explorar outras sonoridades, outras construções, outras formações e talvez até instrumentos diferentes", afirma.

"LÍRICO NO MUSEU"

Concerto do Coral Lírico de Minas Gerais. Nesta quinta (16/4), às 19h, no Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1201, Centro). Entrada gratuita.

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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