Agora é oficial: chegou ao fim neste sábado (28/3) a turnê "Tempo rei", que durante um ano celebrou a obra e o legado do cantor e compositor Gilberto Gil. Em um show de três horas para um público de 50 mil pessoas que lotou o Allianz Parque, em São Paulo, Gil cantou e dançou os seus principais sucessos e trouxe a família Gil para a participação especial da noite.

"Os convidados de hoje são todos da família", afirmou Gil, após Mãeana (ex-nora) e Francisco Gil (neto) cantarem "Queremos saber". Na sequência, Flor Gil (neta) subiu ao palco para cantar "Estrela" e Bento Gil (neto) tocou violão em "A paz".

"Os filhos valeram, os netos valem mais ainda", afirmou Gil. Depois foi a vez do Gilsons, trio formado por José Gil, Francisco Gil e João Gil, respectivamente filho e netos de Gilberto Gil, cantar "Nossa gente (avisa lá)", canção gravada por Gil e Caetano Veloso no álbum "Tropicália 2".

Homenagem a Preta

O show ainda teve homenagem a Preta Gil, filha de Gil que morreu em julho do ano passado vítima de um câncer. Bem Gil pediu licença ao pai para lembrar de sua irmã. "Salve, Pretinha", afirmou o músico sob aplausos da plateia.

Gil aproveitou o momento para também falar da filha. "Se ela (Preta) foi para algum lugar ou simplesmente deixou de ser é uma polêmica que não se resolve. Nós que ficamos, ficamos com muitas saudades", afirmou. Bem lembrou que Preta e Gil protagonizaram uma das cenas mais emocionantes da turnê no mesmo Allianz Parque, em abril do ano passado.

Na época, a cantora tratava um câncer colorretal e estava internada na capital paulista. Chegou de surpresa e fez Gil e toda a plateia chorarem quando, juntos, cantaram "Drão".

Preta morreu três meses depois, aos 50 anos. As participações especiais se tornaram uma marca da turnê "Tempo rei". A cada show havia a expectativa de quem seria o convidado.

O suspense começava a poucas horas do show, quando Gil postava em seu perfil nas redes sociais as suas mãos unidas a outras geralmente perguntando se alguém tinha algum palpite.

Ao longo da turnê foram ao menos 30 artistas convidados, entre eles nomes consagrados da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Marisa Monte e Roberto Carlos, uma surpresa para o público que assistiu ao show em outubro em São Paulo, já que o Rei faz poucas participações em shows – ele é que costuma receber artistas em seu palco.

O show deste sábado em São Paulo encerra a turnê que começou em 15 de março do ano passado em Salvador. A turnê teve um total de 29 apresentações pelo Brasil, Argentina e Chile, sendo vista por quase 1 milhão de pessoas, segundo os organizadores.

Delírio com 'Toda menina baiana'

Somente em São Paulo, foram sete shows, sendo seis deles em 2025, o que rendeu o recorde de maior número de shows de um mesmo artista em um único ano no Allianz Parque. Isso sem contar as apresentações do Navio Tempo Rei, que levou Gil e convidados para tocar em alto mar entre 1º e 4 de dezembro de 2025.

À vontade com os músicos e com a plateia, Gil cantou, tocou e dançou como se estivesse em uma celebração. E de fato era a celebração de seus 60 anos de carreira com uma seleção de 33 músicas.

Ao final, parecia não querer deixar o palco. Cantou "Toda menina baiana", a última do setlist, e levou o público ao delírio. A banda continuou tocando "Atrás do trio elétrico" e, então, Gil voltou para se despedir e agradecer.

Estreia de musical 

Apesar de se despedir da turnê "Tempo rei", Gil não deve se aposentar dos palcos, ao menos por ora. O baiano já tem apresentação agendada para 7 de setembro no Rock in Rio, onde vai se apresentar no palco principal antes do britânico Elton John.

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Mas, antes disso, o público poderá viver um pouco mais da obra do baiano no musical "Gil –Andar com fé", que tem estreia prevista para agosto em São Paulo. O espetáculo tem direção de Miguel Falabella e vai mostrar as fases da vida de Gil, do período na Bahia, entre o sertão de Ituaçu e a efervescência de Salvador, ao exílio em Londres.

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