Wagner Moura disse em entrevista ao talk show "Jimmy Kimmel live!", nesta quarta-feira (4/3), que o filme "O agente secreto" é uma consequência da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele", disse.

Caso ganhe o Oscar de Melhor Ator, o brasileiro brincou que pensa em imitar Kimmel que, ao vencer o Critics Choice Awards de Melhor Talk Show, em janeiro, fez um agradecimento irônico a Donald Trump.  "Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia. Foram semanas excepcionais, e mal podemos esperar para voltar ao ar amanhã à noite para falar sobre elas", discursou o americano. 

Moura achou uma boa ideia fazer esse tipo de agradecimento e definiu Bolsonaro como "o Trump brasileiro". "Mas o nosso Trump está na prisão", completou, conquistando aplausos da plateia.

 


O apresentador perguntou qual é a sensação de ver o ex-presidente punido pela trama golpista. "É uma sensação boa", afirmou o ator. 

Ele e Kimmel também falaram sobre as ameaças tarifárias de Trump contra o Brasil e abordaram a dificuldade que Moura enfrentou para lançar o filme "Marighella", dirigido por ele, nos anos de bolsonarismo. 

 

Wagner Moura interpreta o professor Marcelo no novo filme de Kleber Mendonça Filho, "O agente secreto" (2025). Ele venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes Reprodução redes sociais Kleber Mendonça Filho
No longa hollywoodiano "Guerra civil" (2024), de Alex Garland, o ator é Joel, jornalista que atravessa o país ao lado da fotógrafa Lee (Kirsten Dunst), para cobrir a conflagração que tomou conta do país Diamond Films/Divulgação
Wagner Moura estreou na direção de longas com "Marighella", biografia do guerrilheiro Carlos Marighella, interpretado por Seu Jorge. O filme está disponível no Prime Video O2 Filmes/Divulgação
No drama biográfico "Sérgio" (2020), de Greg Barker, o ator interoreta o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, morto num atentado no Iraque, em 2003 Netflix/Divulgação
Na série "Narcos" (2015-2017), da Netflix, Wagner Moura vive o megatraficante colombiano "Pablo Escobar". Papel o tornou mundialmente conhecido Juan Pablo Gutierrez/Netflix
Na comédia musical, "Ó paí,ó" (2007), de Monique Gardenberg, Wagner Moura voltou a contracenar com Lázaro Ramos, retomando a parceria de sucesso do teatro, quando os dois atores baianos interpretaram o mesmo personagem na montagem "A máquina" Europa Filmes/Divulgação
Em "Tropa de elite" (2007), de José Padilha, Wagner Moura vive o Capitão Nascimento, um policial do Bope. O sucesso do filme fez com que expressões como "pede pra sair", ditas pelo Capitão, fossem incorporadas ao vocabulário do dia a dia David Prichard/Divulgação
Wagner Moura como Zico no longa-metragem "Carandiru" (2003), superprodução de Hector Babenco adaptada do livro homônimo de Drauzio Varella Marlene Bergamo/Divulgação

O ator afirmou que os ecos da ditadura militar ainda são muito presentes no Brasil. Para ele, a eleição de Bolsonaro é um reflexo disso. Ao mesmo tempo, Moura disse acreditar que as punições à trama golpista ocorreram rapidamente porque o país sabe o que é viver sob uma ditadura.

Em tom crítico ao momento atual dos Estados Unidos, ele mencionou as mortes de dois cidadãos americanos a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis. "Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?", questionou. "Esse é o país de Martin Luther King?" 

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Esta não foi a primeira vez que Moura conversou com o apresentador. Em 2016, ele esteve no talk show para divulgar a série "Narcos", na qual interpretou Pablo Escobar. Pelo papel, recebeu indicação ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator em Série Dramática.

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