DIREITOS AUTORAIS

Tati Quebra Barraco denuncia falta de pagamento por direitos de músicas

Funkeira diz que sucessos de sua carreira geram receita para DJs, mas que não são repassados e relata problemas antigos com registros e liberação de músicas

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A funkeira Tati Quebra Barraco usou as redes sociais no último fim de semana para expor uma disputa envolvendo direitos autorais de músicas que marcaram sua carreira. Em vídeos, a artista afirmou que não recebe valores por composições de sua autoria e acusou DJs e produtores de ficarem com parte dos repasses financeiros gerados pelas obras.

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Segundo a cantora, algumas de suas músicas continuam gerando receita sem que ela seja remunerada. Entre os exemplos citados está “Barraco II”, sucesso do início dos anos 2000.

“Essa música é da minha autoria e eu não recebo até hoje. São dois DJs que recebem esse dinheiro. Um é o Dennis DJ. Já passou, mas agora vou correr atrás dos meus direitos”, afirmou.

A artista também mencionou outras faixas de sua carreira, como “Bota na boca, bota na cara”, e disse enfrentar há anos dificuldades para ter o reconhecimento formal de suas composições.

Desabafo sobre injustiças

No vídeo, Tati afirmou que o problema se arrasta desde o início de sua trajetória no funk, quando, segundo ela, não tinha conhecimento sobre direitos autorais. “Eu venho sendo massacrada desde sempre, até porque eu era muito ingênua. É muita injustiça. Já estou sufocada”, declarou.

A cantora relatou ainda episódios envolvendo o controle e registro de suas obras, incluindo uma notificação que diz ter recebido do produtor DJ Marlboro após a edição de uma de suas músicas.

O caso, segundo ela, faz parte de um histórico de conflitos envolvendo produtores e empresas que atuavam no mercado do funk nas décadas de 1990 e 2000, período em que muitos artistas começaram a carreira sem contratos ou orientação jurídica adequada.

De acordo com Tati, o problema também tem consequências diretas na sua renda atual. A cantora afirmou que não consegue utilizar algumas de suas músicas em campanhas publicitárias por causa de entraves na liberação dos direitos.

Um dos exemplos citados é “Boladona”, considerado um dos maiores sucessos de sua carreira. “Hoje eu não posso fazer publicidade porque não tem liberação. Vocês não têm noção de quanto eu perco de publicidade. ‘Boladona’ é o carro-chefe da minha vida, consagrou minha carreira, mas eu não posso usar”, disse.

Resposta de Dennis DJ

Após a repercussão do caso, o produtor Dennis DJ comentou uma das publicações da cantora pedindo desculpas e se colocando à disposição para esclarecer a situação. “Se eu recebi alguma coisa relacionada a essa música, eu vou te devolver”, escreveu.

Nos stories do Instagram, Dennis explicou que a música “Barraco II”, produzida por ele no início dos anos 2000, foi registrada em seu nome por engano quando trabalhava com a equipe da produtora Furacão 2000. Segundo o DJ, na época ele assinou documentos com diversas músicas que havia produzido, sem compreender totalmente os processos de registro.

“Algumas eu escrevi e outras não. Todas eu produzi, mas nem todas eram minhas. Uma delas era da Tati”, disse.

De acordo com o produtor, a situação foi regularizada em 2020 após contato de DJ Marlboro, que estaria ajudando a organizar os registros da cantora. Dennis afirmou que escreveu uma carta reconhecendo que a composição não era dele e que também solicitou a devolução de R$ 1.203,75 — valor que teria recebido pela obra.

No desabafo, Tati também mencionou a música “Montagem Pidona”, afirmando que seis DJs teriam utilizado versos de sua autoria sem autorização. A artista afirmou que pretende cobrar os responsáveis e disse que pode expor outros casos semelhantes.

“Se falar música por música resolveu, vou falar. Foram 28 anos em silêncio, mas esse tempo acabou”, declarou.

O processo de regularização das obras está sendo conduzido junto à União Brasileira de Compositores (UBC), responsável por administrar direitos autorais e repasses de compositores.

Apoio de artistas do funk

O desabafo da funkeira repercutiu entre artistas do gênero. A cantora Valesca Popozuda defendeu que outros funkeiros também cobrem seus direitos.

“A fala dela não é sobre dinheiro, mas sobre justiça. Muitos de nós não conhecíamos nossos direitos e acabamos prejudicados”, escreveu nas redes sociais.

Familiares de nomes históricos do funk também manifestaram apoio. Os herdeiros de Mr. Catra afirmaram que enfrentam situação semelhante envolvendo prestação de contas sobre direitos autorais do artista.

Já a família de MC Marcinho disse que o cantor também teria enfrentado dificuldades para regravar suas próprias músicas e chegou a perder oportunidades comerciais por causa de entraves relacionados aos direitos das obras.

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