AVISOS SOBRENATURAIS?

30 anos sem Mamonas Assassinas: músicos previram a própria morte?

Relatos de sonhos, brincadeiras e previsões cercaram os momentos finais da banda que marcou os anos 1990 e ainda intrigam fãs três décadas depois

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A irreverência e a alegria da banda Mamonas Assassinas foram interrompidas abruptamente há 30 anos, em 2 de março de 1996. Mesmo três décadas após a tragédia que chocou o país, alguns episódios registrados pouco antes do acidente ainda despertam curiosidade entre fãs: sonhos, brincadeiras e relatos que, depois da morte dos músicos, passaram a ser interpretados por muitos como possíveis “premonições”.

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Um dos episódios mais lembrados envolve um vídeo gravado no mesmo dia do último voo da banda, entre Brasília e Guarulhos. Nas imagens, o tecladista Júlio Rasec conta que havia tido um sonho estranho na noite anterior. 

“Essa noite eu sonhei com um negócio… parecia que o avião caía”, contou em uma ida ao cabeleireiro Nelson Sparapan, em Guarulhos, momentos antes de decolar para Brasília, onde faria o último show. 

O músico afirmou não saber o que aquilo significava. O vídeo, no entanto, ganhou enorme repercussão depois da tragédia e foi exibido por diversos telejornais, entre eles o "Jornal Nacional", da TV Globo.

As falas de Júlio não foram o único momento envolvendo comentários sobre aviões. No documentário “MTV na Estrada - Mamonas Assassinas”, o vocalista Dinho aparece brincando com as condições da aeronave que levaria a banda a um show.

“Esse avião quase caiu na selva amazônica porque quebrou o radar. Tenho uma boa e uma má notícia para você que vai voar com a gente. Qual você quer primeiro? A boa é que eles consertaram. A ruim é que quebrou de novo. Ah, e o combustível não está passando do reservatório para o tanque”, contou em tom de humor para a equipe. Em outro trecho do documentário, quando Júlio pergunta se ele é “o Dinho dos Mamonas”, o cantor responde “Eu era”.

Outro momento curioso aconteceu durante uma visita da banda aos estúdios da MTV Brasil no final de 1995. Na ocasião, os músicos participavam do programa Top 20 Brasil, apresentado por Cuca Lazzarotto, enquanto a música “Vira-vira” liderava o ranking de videoclipes nacionais.

Ao comentar o sucesso do primeiro álbum, os integrantes brincaram dizendo que aquele era o “primeiro e último disco” – foi o que realmente aconteceu, já que eles não tiveram tempo para produzir um segundo álbum.

Durante a conversa, Dinho e Júlio Rasec também fizeram outra piada envolvendo aviões. Ao falar sobre a agenda de shows, disseram que viajariam de monomotor e citaram o cantor Ritchie Valens, famoso pela música “La Bamba” e que morreu aos 17 anos em um acidente aéreo.

Mais piadas

As brincadeiras continuavam até nos momentos de embarque. Em gravações feitas no aeroporto, Dinho aparece fazendo piada ainda dentro do ônibus que levava a equipe até a aeronave. “Nós tamo indo buscar o teco-teco que nós alugou e ele vai cair!”, disse. 

Já dentro do avião, o cantor ainda interage diversas vezes com o piloto e pergunta se ele teria um CD de Ritchie Valens para tocar durante o voo, outra referência ao artista que morreu em um desastre aéreo.

Com o sucesso meteórico do álbum de estreia, lançado pela EMI-Odeon, a banda passou a ter uma agenda intensa de shows em todo o país. Em poucos meses, os músicos chegaram a se apresentar em 25 estados brasileiros, utilizando frequentemente aviões fretados e serviços de táxi aéreo para cumprir os compromissos.

Durante a produção do disco, os músicos também viajaram aos Estados Unidos para finalizar arranjos em estúdios na Califórnia. No encarte do álbum, agradeceram de forma bem-humorada ao inventor brasileiro Santos Dumont. “Ao pessoal do avião (que serviu um rango da hora na nossa viagem pros USA); ao Santos Dumont (que inventou o avião, senão a gente ainda tava indo mixar o disco a pé)”, disseram no texto.

A ligação com o tema vinha até da infância. O baixista Samuel Reoli costumava desenhar aviões quando era criança e uma das bandas formadas pelos integrantes antes do sucesso chegou a se chamar “Ponte Aérea”. A ligação ocorre porque os membros cresceram no entorno do Aeroporto de Guarulhos, o maior do país.

Outras previsões

Depois do acidente, outra história passou a circular com força: a previsão feita pela vidente Mãe Dináh. Em participação no “Domingo Legal”, ela afirmou que, ao assistir aos integrantes da banda na televisão, via uma espécie de sombra escura ao redor deles.

“Logo no começo da carreira, eu sempre via um vulto escuro atrás de todos eles, o que significa que a pessoa não vai ter vida longa aqui na Terra”, disse.

Segundo ela, essa visão teria feito com que acreditasse que os cinco morreriam juntos, apesar do enorme sucesso que viviam naquele momento. A previsão teria sido divulgada antes do acidente em programas da Rede Mulher e também na Rádio Tupi.

“Na época, um jornalista me criticou, não só por causa das previsões, mas pela revelação dos nomes dos envolvidos, mas eu não podia calar aquilo que eu estava vendo”, recordou. 

No programa dominical, ela ainda mandou recado para os familiares da vítima. “Eles do outro lado vão continuar o trabalho deles. O importante é não chorar ou transmitir tristeza. Então deve-se encarar com alegria os momentos felizes que eles transmitiram”, recomendou.

Outra história que ganhou repercussão após a tragédia envolve o relato de uma menina chamada Beatriz, que tinha apenas 3 anos na época. Ela era filha do piloto Jorge Martins, que também morreu no acidente aéreo. 

Em dezembro de 1995, ela ganhou um avião de brinquedo da tia, Fernanda, e passou a brincar constantemente com o objeto. Segundo o relato da família, dias semanas antes do acidente ela deixou o brinquedo cair no chão. 

“Olha, o avião vai cair, todo mundo vai morrer, papai vai estar lá dentro, infelizmente morto", disse a menina, segundo relato da tia em entrevistas da época. Na ocasião, ela afirmou ter ficado assustada com a frase dita pela criança, principalmente por causa da pouca idade.

O acidente que chocou o Brasil

A tragédia aconteceu na noite de 2 de março de 1996, após um show para cerca de 4 mil pessoas no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Depois da apresentação, os músicos embarcaram em um Learjet 25D rumo a Guarulhos. O voo transcorreu normalmente até a aproximação final.

Às 23h16, após uma tentativa frustrada de pouso, o piloto iniciou uma manobra de arremetida. A aeronave, no entanto, não ganhou altitude suficiente e colidiu contra a Serra da Cantareira, na região metropolitana de São Paulo.

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Morreram no acidente os cinco integrantes da banda — Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Júlio Rasec — além do segurança Sérgio Saturnino Porto, do ajudante de palco Isaac Souto, do piloto Jorge Martins e do copiloto Alberto Yoshihumi Takeda.

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