Corpos dos 'Mamonas Assassinas' são exumados para criação de memorial
Às vésperas dos 30 anos da tragédia, parte das cinzas dos integrantes será usada no plantio de árvores em um memorial vivo aberto ao público em Guarulhos
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03 de março de 1996 - O Plantão da Globo noticiou a queda do avião que transportava os integrantes da banda Mamonas Assassinas, no seu auge do sucesso. O acidente, que matou todos passageiros, aconteceu perto do aeroporto de Cumbica, em São Paulo. crédito: Divulgação
Os corpos dos integrantes do Mamonas Assassinasserão exumados nesta segunda-feira (23/2), no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP). A medida faz parte da criação de um memorial permanente em homenagem à banda, às vésperas dos 30 anos do acidente aéreo que matou o grupo, em 2 de março de 1996.
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O anúncio foi feito nas redes sociais do grupo e do próprio cemitério. De acordo com a família, a exumação tem como objetivo viabilizar a cremação dos restos mortais para a implantação do Jardim BioParque Memorial Mamonas. A proposta é transformar o espaço em um “memorial vivo”, aberto ao público e gratuito.
Segundo Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca ligada à banda, a iniciativa foi discutida e aprovada por todos os familiares. “É um lindo projeto, um memorial cheio de lembranças boas”, afirmou ao jornal O Globo. Ele destacou que os túmulos serão preservados e continuarão abertos à visitação de fãs e parentes.
Parte das cinzas será utilizada como adubo para o plantio de cinco árvores — cada uma representando um integrante: Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli. As cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis junto a sementes de espécies nativas, que serão monitoradas por uma equipe especializada. Quando germinarem, as mudas serão plantadas no espaço do memorial.
“A cerimônia utiliza as cinzas juntamente com sementes de espécies nativas, criando um ciclo simbólico em que a vida continua a partir da lembrança”, diz a publicação divulgada nas redes.
O memorial será instalado atrás das sepulturas já existentes. Cada árvore terá identificação e um totem com QR Code, reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os músicos. O espaço contará ainda com bancos e áreas para que fãs deixem mensagens e recordações.
Além da homenagem à banda, moradores da cidade poderão aderir ao projeto, com o plantio de árvores em memória de seus próprios entes queridos, em um espaço voltado ao acolhimento do luto e à celebração da continuidade da vida.
Relembre a tragédia
Os integrantes do Mamonas Assassinas morreram no auge do sucesso, em 2 de março de 1996. Depois de um show em Brasília (DF), o grupo embarcou em um jatinho com destino a Guarulhos. Durante a aproximação para pouso, a aeronave colidiu contra a Serra da Cantareira, na Zona Norte da capital paulista.
Além dos cinco integrantes, dois tripulantes e dois assistentes que estavam a bordo também morreram. A tragédia provocou comoção nacional: milhares de fãs acompanharam o velório e o cortejo em Guarulhos.
Com apenas um álbum lançado, a banda se tornou um dos maiores fenômenos da música brasileira nos anos 1990, misturando humor, irreverência e rock em canções que atravessaram gerações.
Conhecida pelo bom humor e por divertir o público com letras irreverentes, a banda Mamonas Assassinas foi criada em Guarulhos (SP), em 1995. E teve um sucesso meteórico que foi interrompido pela acidente trágico que matou todos em 2 de março de 1996. Facebook Mamonas Assassinas
Em 2023, o artista visual Hidreley Diao usou tecnologia de inteligência artificial para criar as imagens dos integrantes da Banda Mamonas Assassinas, como eles provavelmente estariam quase três décadas depois da morte do grupo. Instagram
O resultado repercutiu nas redes sociais e os fãs puderam matar a saudade dos músicos que deixaram uma marca de talento e irreverência. Veja um a um como eles estariam. Divulgação e Instagram @hidreley
Dinho - Era o vocalista da banda. Nascido em 5/3/1971, em Irecê, na Bahia, tinha 24 anos e morreu 3 dias antes de seu aniversário. Instagrams @samuelreoli e @hidreley
Bento Hinoto - O guitarrista. tinha ascendência japonesa, mas gostava de usar cabelo rastafári. Estava com 25 anos na época do acidente. Facebook Rock Eterno e Instagram @hidreley
Samuel Reoli - Era baixista. Nascido em 11/3/1973, tinha 22 anos. Ele e o irmão Sérgio tocavam juntos na banda. Instagrams @samuelreoli e @hidreley
Os integrantes Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sério Reoli e Júlio Rasec criaram uma forma diferente de lidar com a música - focada em piadas com eles mesmos e com situações. Instagram @samuelreoli
Sérgio Reoli - Era baterista. Nascido em 30/9/1969, em Guarulhos (SP), tocava com o irmão Samuel na banda. O nome Reoli vem das sílabas iniciais de Reis e Oliveira, sobrenome dos dois irmãos Facebook Mamonas Assassinas e Instagram @hidreley
Júlio Rasec - Era tecladista. Nascido em 4/1/1968 em Guarulhos (SP), se chamava Júlio César Barbosa e adotou o sobrenome artístico Rasec por ser a inversão de César. Facebook Mamonas Assassinas e Instagram @hidreley
A semente da banda remonta a 1989, quando Sérgio conheceu o irmão de Bento e eles se juntaram a Sérgio Reoli formando a Banda Utopia, que fazia covers de bandas já famosas na época (Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso). . Domínio Público - Wikimédia Commons
Numa apresentação, o público pediu que eles cantassem 'Sweet Child o' Mine', do Guns N'Roses (foto), e eles não sabiam. Aí o Dinho, que estava na plateia, se voluntariou e subiu ao palco. Também não sabia a letra, mas enrolou e todos acharam engraçado. Raph PH wikimedia commons
Ele acabou se tornando o vocalista da banda, que passou a se chamar Mamonas Assassinas. Um nome irreverente que conquistou o público. Facebook Mamonas Assassinas
O sucesso foi estrondoso. Eles não paravam de se apresentar em shows pelo Brasil, sempre de forma divertida e com grande retorno do público. Facebook Mamonas Assassinas
A banda também estava sempre em programas de TV, com imensa popularidade, cativando a audiência. A presença dos Mamonas era garantia de muita gente do outro lado da telinha. Facebook Mamonas Assassinas
Um dos maiores sucessos foi a Brasília Amarela, que virou um must nas rádios na época. O carro ganhou uma popularidade incrível na esteira do clipe dos jovens músicos. Reprodução e Instagram @samuelreoli
Outro hit que emplacou por todo o Brasil foi "Pelados em Santos". A musicalidade alegre associada a uma letra marcada pela irreverência fez com que o hit ocupasse os primeiros lugares. Divulgação
A banda deu uma entrevista super divertida ao apresentador Jô Soares, quando ele ainda estava no SBT. Era o programa 'Jô Soares 11 e meia'. Facebook Mamonas Assassinas
Mas no dia 2/3/1996, todos morreram num acidente com avião na Serra da Cantareira, no norte de São Paulo. Reprodução G1
A banda estava a caminho do aeroporto de Guarulhos, em SP, após fazer show em Brasília. Reprodução G1
Está é uma das últimas imagens da banda, pois é do show dos Mamonas no estádio Mané Garrincha, em Brasília, que lotou com fãs. Dali eles partiram para a viagem que terminaria em tragédia. Reprodução TV Globo
O modelo do avião era como este da foto. Um Learjet 25D. E tinha o prefixo PT-LSD. Avitya wikimedia commons
No acidente morreram os 7 passageiros (os 5 da banda, o segurança Sérgio Saturnino Porto e o roadie Isaac Souto, primo de Dinho) e os 2 tripulantes (piloto e co-piloto) Reprodução G1
O difícil acesso ao local do acidente acabou por atrasar o socorro que só ocorreu na manhã do dia seguinte. Reprodução G1
Entre as causas do acidente, o inquérito apontou inexperiência do co-piloto e fadiga do piloto, que teve uma carga horária exaustiva com a banda. O mesmo avião, com a mesma tripulação, havia levado o grupo para o show em Brasília. Grupo Globo - wikimedia commons
Dizem que Júlio Rasec teve premonição porque disse ao barbeiro, horas antes da decolagem: Não sei, essa noite eu sonhei com um negócio... Assim, parecia que o avião caía. Não sei. Não sei o que quer dizer isso". Instagram @samuelreoli