“Fiz muito sucesso, mas aprender a lidar com o fracasso é que é o grande desafio”. O ator e diretor Dennis Carvalho, morto ontem (28/2), aos 78 anos, no hospital Copa Star, Rio de Janeiro, não teve muitos fracassos para lidar. Nome indiscutível da teledramaturgia, dirigiu 36 novelas e minisséries – como ator, foram 28 personagens na televisão e nove no cinema.
Carvalho ditou rumos da produção teledramatúrgica, trazendo inovações na linguagem em alguns dos maiores sucessos da Rede Globo: “Vale tudo” (1989), “O dono do mundo” (1991), “Anos rebeldes” (1992) e “Celebridade” (2003), todas fruto da parceria com Gilberto Braga, iniciada em 1978 com a antológica “Dancin’ Days”.
Em homenagem a ele, a Globo exibe após o “Altas horas” deste sábado o especial “Tributo”, com depoimentos de vários artistas. O programa vai ao ar à 1h da manhã.
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A pedido da família, não foram divulgados detalhes da morte. "O Hospital Copa Star confirma com pesar o falecimento de Dennis de Carvalho neste sábado e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes", foi a nota enviada à imprensa.
O diretor deixou três filhos: Leonardo (também ator, da união com Christiane Torloni), Tainah (com Monique Alves) e Luiza (com Debora Evelyn). Ele também foi casado com a professora de educação física Maria Tereza Schimidt e com as atrizes Bete Mendes, Tássia Camargo e Ângela Figueiredo.
Mais recentemente, Carvalho ele esteve à frente de “Babilônia” (2015), “Segundo sol” (2018). Em tempos mais remotos, trabalhou em “Malu Mulher” (1979-1980), o seriado que colocou na pauta do Brasil da redemocratização temas como feminismo, divórcio, aborto, drogas. Carvalho não só dirigiu capítulos da produção criada por Daniel Filho como interpretou Pedro Henrique, o ex-marido da personagem-título, vivida por Regina Duarte.
Nascido em São Paulo em 1947, colocou os pés na televisão aos 11 anos. Seu primeiro teste como ator foi para participar da novela “Oliver Twist” na TV Paulista. Perdeu o papel principal para Osmar Prado, mas emplacou um personagem. Também fez dublagem – era dele a voz do cabo Rusty, o amigo inseparável do cachorro Rin-Tin-Tin no seriado homônimo.
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Entrou para o elenco da TV Tupi no final da década de 1960. Na Globo, chegou em 1975 com a promessa de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que também iria dirigir. Estreou na função em 1978, em “Te contei?” “A Globo era Hollywood, o grande sonho. Todos os grandes nomes estavam ali. Colei no Daniel Filho, como já tinha colado no Walter Avancini, na Tupi, para aprender a dirigir”, afirmou ele em 2022 em depoimento ao “Memória Globo”.
Conhecido pelo estilo firme nos estúdio, Carvalho acabou virando escola. Formou vários nomes da teledramaturgia, Amora Mautner, Ricardo Waddington, Mauro Mendonça Filho e José Luiz Villamarim entre eles.
No cinema, foi ator bissexto: seus longas mais recentes são as comédias "A partilha" (2001) e "Se eu fosse você" (2006). Nos palcos, fez só um espetáculo, o musical “Hair”. “Estreei (em 1970) ficando pelado em cena. Nem preciso dizer que a peça foi o maior sucesso. E eu, aos 20 e poucos anos, já trabalhava feito louco, fazendo televisão e teatro ao mesmo tempo”, contou ao “Memória Globo”.
Em 2022, depois de 47 anos na Rede Globo, Carvalho deixou a emissora. Em agosto daquele ano chegou a Belo Horizonte para acompanhar a estreia nacional de “Clube da esquina – Os sonhos não envelhecem”, no Sesc Palladium. “O barato da profissão é que sempre há um desafio, então você sempre fica nervoso”, disse ele ao Estado de Minas na época.
Foi o segundo musical dirigido por Carvalho – sua estreia na função foi em 2013, com “Elis, o musical”. Amigo de Milton Nascimento por quatro décadas – o cantor e compositor inclusive batizou uma de suas filhas –, também disse que aprendeu com Bituca o valor da amizade. “Ela consegue sobreviver a tudo, e quando a gente vê a história do Clube, vai descobrindo que um fica amigo do outro, e do outro.”
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No ano passado ele retornou à Globo para dirigir o “Show 60 anos”, que celebrou o aniversário da emissora e o centenário do Grupo Globo. (com agências)
