O ator Wagner Moura foi homenageado nessa sexta-feira (9/1) com o prêmio de Realização em Atuação durante o Astra Awards, cerimônia organizada pela Hollywood Creative Alliance, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A honraria reconhece o conjunto da obra e o impacto do artista no cinema e na televisão internacionais, além da performance no filme “O agente secreto”, pelo qual concorre ao Globo de Ouro.

O prêmio foi entregue pela cantora e atriz Sofia Carson, que irá estrelar o próximo filme dirigido por Moura. Ao subir ao palco, o brasileiro agradeceu à organização, à equipe do filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e destacou a importância do reconhecimento internacional para uma produção nacional.

“Estamos muito emocionados com a atenção que ‘O agente secreto', um filme muito brasileiro, está recebendo. Isso significa muito para nós, para o Brasil e para os brasileiros”, afirmou.

Durante o discurso, Wagner Moura refletiu sobre sua trajetória profissional e relembrou as dificuldades de sonhar com a carreira artística. “É incrível pensar que um garoto que cresceu no Nordeste do Brasil, nos anos 1990, quando era quase uma loucura querer ser ator, esteja aqui hoje”, disse, sob aplausos da plateia.

O ator também comentou o contexto histórico abordado pelo filme e fez uma conexão com o cenário político recente do país. Segundo ele, a obra discute a falta de memória coletiva e os riscos de se repetir erros do passado. “Nosso filme fala sobre como a ausência de memória pode ser trágica para um país, mas também sobre alguém que decide permanecer fiel aos seus valores quando tudo ao redor aponta o contrário”, destacou.

Wagner destacou ainda que, assim como o trauma, os valores também podem atravessar gerações. Apesar das reflexões críticas, o ator disse manter esperança no futuro. “Sou pessimista com o presente, mas muito otimista com o futuro. Os filmes me dão esperança. Os artistas que estão aqui hoje me dão esperança”, completou.

 

Wagner Moura interpreta o professor Marcelo no novo filme de Kleber Mendonça Filho, "O agente secreto" (2025). Ele venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes Reprodução redes sociais Kleber Mendonça Filho
No longa hollywoodiano "Guerra civil" (2024), de Alex Garland, o ator é Joel, jornalista que atravessa o país ao lado da fotógrafa Lee (Kirsten Dunst), para cobrir a conflagração que tomou conta do país Diamond Films/Divulgação
Wagner Moura estreou na direção de longas com "Marighella", biografia do guerrilheiro Carlos Marighella, interpretado por Seu Jorge. O filme está disponível no Prime Video O2 Filmes/Divulgação
No drama biográfico "Sérgio" (2020), de Greg Barker, o ator interoreta o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, morto num atentado no Iraque, em 2003 Netflix/Divulgação
Na série "Narcos" (2015-2017), da Netflix, Wagner Moura vive o megatraficante colombiano "Pablo Escobar". Papel o tornou mundialmente conhecido Juan Pablo Gutierrez/Netflix
Na comédia musical, "Ó paí,ó" (2007), de Monique Gardenberg, Wagner Moura voltou a contracenar com Lázaro Ramos, retomando a parceria de sucesso do teatro, quando os dois atores baianos interpretaram o mesmo personagem na montagem "A máquina" Europa Filmes/Divulgação
Em "Tropa de elite" (2007), de José Padilha, Wagner Moura vive o Capitão Nascimento, um policial do Bope. O sucesso do filme fez com que expressões como "pede pra sair", ditas pelo Capitão, fossem incorporadas ao vocabulário do dia a dia David Prichard/Divulgação
Wagner Moura como Zico no longa-metragem "Carandiru" (2003), superprodução de Hector Babenco adaptada do livro homônimo de Drauzio Varella Marlene Bergamo/Divulgação

Ao anunciar o prêmio, a Hollywood Creative Alliance destacou o “trabalho extraordinário e o impacto contínuo” de Wagner Moura no cinema e na televisão mundial, ressaltando características como intensidade, autenticidade e inteligência em suas performances ao longo da carreira.

Antes de encerrar, o ator agradeceu especialmente a Sofia Carson, lembrando o convite feito a ela para seu próximo projeto como diretor, e ao cineasta Kleber Mendonça Filho, a quem chamou de “irmão” na realização de “O agente secreto”.

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Até o momento, Wagner já ganhou 13 prêmios de atuação por sua performance no longa que se passa durante a ditadura militar no Brasil. No domingo, ele participa do Globo de Ouro, concorrendo ao prêmio de Melhor Ator em Filme Dramático. “O agente secreto” ainda disputa os títulos de Melhor Filme Dramático e Melhor Filme Estrangeiro.

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