Economia circular ainda é um desafio para o Brasil
Na contramão da necessidade e da urgência da transição de modelo, a taxa de circularidade global apresentou queda de 7,2% em 2023 para 6,9% em 2024. No Brasil a
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SIGA NONa semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente é preciso parar para ver como ainda é lento o processo – embora seja contínuo – para reduzir o descarte, tanto nas indústrias como na sociedade em geral. A contabilidade do desenvolvimento é revelada no crescimento econômico, mas cada vez mais é necessário incluir nessa conta o que sobra do que é produzido e do que é consumido, em um ambiente que caminha para a escassez de recursos. E esse é um desafio global.
Segundo o mais recente Circularity Gap Report 2026, produzido pela Circle Economy em parceria com a Deloitte Netherlands, o mundo perde anualmente 25,4 trilhões de euros em valor econômico devido ao nosso modelo linear de produção (extrair, produzir, usar e descartar). Esse montante equivale a 31% do PIB global. Trocando em miúdos: para cada 3 euros gerados pela economia mundial, 1 euro é jogado fora.
O Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) acendeu um alerta fundamental sobre esses números. A comunidade internacional está subestimando severamente o custo da economia linear. O buraco financeiro não aparece nas planilhas tradicionais porque ignoramos fatores como: o esgotamento acelerado de recursos naturais; a subutilização de ativos; os custos com a geração e gestão de resíduos; e os impactos diretos na saúde humana e a consequente redução da produtividade do trabalho.
A presidente do Ibec, Beatriz Luz, avalia que precisamos mudar a lente através da qual enxergamos a sustentabilidade. “Durante muito tempo, limitamos a discussão à gestão do lixo e à reciclagem. Embora essenciais, essas são medidas paliativas de 'conserto' de um problema já criado. A verdadeira economia circular foca em evitar o problema. É sobre redesenhar cadeias produtivas, criar novos modelos de negócios e transformar o que hoje é perda em diferencial competitivo. Sustentabilidade, afinal, é economia na sua forma mais pura”, afirma Beatriz Luz.
Na contramão da necessidade e da urgência da transição de modelo, a taxa de circularidade global apresentou queda de 7,2% em 2023 para 6,9% em 2024. No Brasil a taxa é ainda mais baixa e fica em 1,3%. “Diante dessa taxa de circularidade, o desafio não é mais o cálculo ou diagnóstico. É implementação, escala e coordenação. Estamos trabalhando para quantificar o potencial da economia circular no Brasil e destravar os desafios de financiamento”, afirma Beatriz Luz.
Mas, de acordo com o Ibec, não basta apenas alocar dinheiro para o desenvolvimento tecnológico sem que a cadeia de produção esteja integrada e a indústria esteja comprometida. “Só com um engajamento qualificado e facilitado com agentes especializados poderemos chegar à etapa de transformar dados em negócios, informações em políticas públicas e, acima de tudo, teorias em ações concretas”. Na prática já há um exemplo. E no próprio Brasil. A cadeia de produção do alumínio. Hoje o Brasil é campeão na reciclagem de latas de alumínio de bebidas, com um índice superior a 95%.
Da mineração ao produto final a indústria e um contingente de milhões de brasileiros e milhares de cooperativas de catadores movimentam uma engrenagem que se retroalimenta, economizando recursos naturais e quase zerando a geração de resíduos. No Brasil, por ano, são colocadas no mercado 34,8 bilhões de latas de alumínio, com 33,9 bilhões de unidades sendo recicladas.
Para se ter ideia do que isso representa em termos de impacto ambiental, a cada tonelada de alumínio produzida com a reciclagem do metal se deixa de extrair cinco toneladas de bauxita, um recurso natural. Além disso, a produção de alumínio pela via da reciclagem consome 95% menos energia, com ganho significativo para uma indústria que é eletrointensiva. Elevar o índice de circularidade no Brasil passapor superar desafios. É preciso haver leis e incentivos que possibilitem levar o exemplo do alumínio para o vidro, o plástico, o papel.
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