Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

Indústria respira na guerra, mas sufoca nos juros altos

O crescimento da produção industrial no início de 2026 é, em grande medida, um subproduto do caos geopolítico.

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A indústria brasileira respirou no início deste ano, se recuperando, ainda que de forma modesta, do tombo levado no último trimestre. A produção industrial teve crescimento de 0,1% em março com relação a fevereiro e de 4,3% em relação a março do ano passado, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tanto o crescimento no mês quanto o interanual superaram as expectativas do mercado financeiro, de queda de 0,2% e alta de 3,5%, respectivamente. Nos três primeiros meses do ano, em comparação com igual período do ano passado, o ritmo das fábricas avançou 1,3% e em 12 meses a expansão foi de 0,40%. Os números são modestos, mas suficientes para colocar o setor industrial em outro cenário no início deste ano. No fim de 2025 a indústria registrou queda de produção em outubro, novembro e dezembro.

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Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a resiliência do setor de combustíveis é o principal destaque positivo do período, com crescimento de 2,2%, enquanto o segmento químico mostrou forte capacidade de recuperação imediata, com expansão de 4% e eliminando as perdas registradas em fevereiro. Com o resultado, a indústria brasileira inicia o segundo trimestre de 2026 com viés de alta, contrariando as projeções mais pessimistas do início do ano. Com esses resultados, a produção industrial está 3,3% acima do patamar pré-pandemia de Covid (fevereiro de 2020), mas ainda 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.


O crescimento da produção industrial no início de 2026 é, em grande medida, um subproduto do caos geopolítico. A desestruturação do comércio global pelo bloqueio do Estreito de Ormuz empurrou a demanda para as commodities brasileiras. Setores como o extrativo e de derivados de petróleo tornaram-se os motores do desempenho na PIM de março, período dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Se inicialmente havia temores em relação ao Brasil, o crescimento industrial foi puxado exatamente pela necessidade de reordenamento global da oferta em função do fechamento do Estreito de Ormuz.


Mas, enquanto o setor externo sopra a favor da indústria extrativa, o mercado doméstico ainda sente os efeitos das altas taxas de juros. A queda de 6,0% no setor de móveis e de 3,9% em aparelhos elétricos não é coincidência; é o efeito direto de uma política monetária que o setor produtivo já classifica como proibitiva. A recente decisão do Copom de reduzir a Selic em parcos 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano, foi recebida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) como um balde de água gelada. O argumento é técnico: pela regra de Taylor – que calibra o equilíbrio entre emprego e inflação – os juros deveriam estar em 11,1%. Com isso, o país está com uma “gordura” de 3,4 pontos percentuais, que, para o setor produtivo, não serve para controlar preços, mas sim para inviabilizar investimentos.


Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “no acumulado do 1º trim/26, um efeito calendário positivo em mar/26 retirou a indústria como um todo do vermelho, mas a produção de bens de capital, afetada pelos juros elevados, ficou para trás”. O Iedi lembra que o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos) recuaram 6,3% no primeiro trimestre, mantendo uma trajetória de piora condicionada pelo alto nível de taxas de juros no país. “Já são quatro trimestres seguidos de sinal negativo”, pontua o Iedi. A leitura do instituto é de que o fôlego da indústria neste ano foi curto, uma vez que a alta de 0,1% representa uma estagnação do setor.


Para os próximos meses, o cenário é de uma indústria de “duas velocidades”. De um lado, o petróleo e a extração continuarão puxando a produção industrial para cima — um cenário dos sonhos para qualquer Banco Central. Do outro, a indústria de transformação doméstica seguirá lutando contra a inflação de insumos e o custo de capital. A pergunta que fica para as próximas reuniões do Copom é simples: até quando a “cautela” será usada como justificativa para manter o setor produtivo no aperto.

Dia das mães

 

R$ 17 bilhões

É a movimentação econômica prevista para a data, com alta de 65% sobre o ano anterior, segundo a Abecs, entidade que representa as bandeiras de cartões

Venda aquecida

Um levantamento feito pela Getnet, fintech de meios de pagamento, mostra que a semana que antecede o Dia das Mães deve impulsionar um aumento de 8% a 10% nas vendas do varejo na data deste ano. Já o PIX deve ter uma alta de 41% nas transações no período nas lojas físicas e online. “O avanço reflete não apenas a popularização da ferramenta, mas também os incentivos oferecidos pelo varejo", diz Rafael Barbosa, estrategista da Getnet.

Comida cara

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A alimentação fora de casa ficou mais cara no início de 2026. Levantamento da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP) mostra que o tradicional “prato feito” subiu 1,67% entre janeiro e março, passando de R$ 29,77 para R$ 30,27. Com isso, o trabalhador que almoça fora cinco vezes por semana já desembolsa cerca de R$ 605 por mês. O dado faz parte do novo Índice Prato Feito (IPF), criado pela FAC-SP, ligada à ACSP, com abrangência nacional.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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