Preparem-se, o preço da energia vai aumentar acima da inflação
Um estudo recente da TR Soluções, mostra que o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) deve trazer um impacto severo ao bolso do consumidor e das indústrias
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Os consumidores brasileiros devem se preparar para o aumento das tarifas de energia este ano. Um exemplo foram os reajustes tarifários aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica nesta semana, com aumentos entre 5,4% e 12,13% para oito distribuidoras de energia que operam em nove estados e atendem a cerca de 50 milhões de consumidores. Em média, nos cálculos da Aneel, o reajuste será de 8%, praticamente o dobro da inflação prevista para este ano. E isso, mesmo com os reservatórios das usinas hidrelétricas praticamente recuperando volume ao fim do período chuvoso.
No Sudeste/Centro-Oeste, que respondem por cerca de 67%, com os principais reservatórios do sistema, como Furnas – 17,12% do sistema – com 63,61% da capacidade e Emborcação (10,69%) com 62,14% da sua capacidade. E há ainda o caso de Três Marias, usina de cabeceira do Rio São Francisco, com 101% da sua capacidade, ou seja, está vertendo água. Nos outros sistemas, a situação é mais crítica apenas no Sul, com 29,77%. No Nordeste as hidrelétricas estão com 956,15% e os do Norte, com 97,30%. A situação é segura do ponto de vista de abastecimento, mas como o Operador Nacional do Sistema (ONS) vem administrando o suprimento da carga de forma a preservar o volume de água nas usinas.
Com isso, é bastante provável que as térmicas voltem a ser acionadas a partir da metade do período seco, com as bandeiras tarifárias voltando a elevar as contas a partir de junho ou julho. E não são apenas as bandeiras que estão no radar. Um estudo recente da TR Soluções, o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) deve trazer um impacto severo ao bolso do consumidor, com as indústrias eletrointensivas na linha de frente do prejuízo.
Os números são, para dizer o mínimo, superlativos. O Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCAP) deve saltar dos atuais R$ 7/MWh para R$ 78/MWh até 2032, com impacto de 8,4%. Estamos falando de um aumento de 11 vezes em menos de uma década. O impacto não é democrático. Como o custo é rateado de acordo com o perfil de consumo e tensão de conexão, quem move a engrenagem pesada do país sentirá o golpe com mais força. Enquanto o consumidor residencial terá um acréscimo médio de 7,5% em 2032, as grandes indústrias enfrentarão uma alta de 13,5%.
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E o calendário pesa contra os consumidores. Desde 2012 o planejamento oficial do setor previa a necessidade de contratação de potência (forma flexível de operação de acordo com a demanda) já em 2012. No entanto, os leilões só ocorreram a partir de 2012, em meio a uma crise hídrica. Para o diretor da TR Soluções, Helder Souza, essa demora forçou o país a contratar suprimento no limite da criticidade. O resultado é um "prêmio de risco" embutido nos contratos que reflete a urgência da situação.
Para o diretor da TR Soluções, empresa especializada em tarifas de energia, o modelo atual, dependente quase exclusivamente de térmicas para garantir a estabilidade do sistema, está exaurido do ponto de vista econômico para o consumidor. Helder Souza avalia que é preciso modernizar os sinais de preço, para que o preço da energia reflita a realidade do sistema em tempo real, e criar mecanismos para que o grande consumidor seja remunerado para deslocar seu consumo para fora dos horários de pico de demanda.
“A modernização dos sinais de preços e a estruturação de mecanismos mais robustos de resposta da demanda são inadiáveis, para que o próprio consumidor tenha incentivos econômicos adequados para achatar o seu consumo na ponta”, afirma Souza. E a necessidade dessas medidas é imediata, para evitar que o encarecimento do custo da energia afete a competitividade das indústrias brasileiras e pese sobre o bolso dos consumidores brasileiros, cada vez mais sobrecarregados por custos do setor.
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