PESQUISAS

Alimentação pode reduzir sintomas da endometriose: veja o que diz a ciência

Estudos apontam benefícios de algumas estratégias alimentares para sintomas intestinais e dor, mas especialistas alertam para dietas restritivas e promessas de cura

Publicidade
Carregando...

A alimentação tem ganhado espaço nas discussões sobre endometriose, doença inflamatória crônica que pode provocar cólicas intensas, dor pélvica e alterações intestinais. Nas redes sociais, porém, a busca por alternativas para controlar os sintomas também abriu espaço para dietas restritivas e promessas de que determinados alimentos seriam capazes de provocar ou até curar a doença.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), as evidências científicas disponíveis apontam para um cenário mais equilibrado: a alimentação pode contribuir para o controle de alguns sintomas e integrar o cuidado com a endometriose, mas não substitui o tratamento médico.

A relação entre dieta e doença desperta interesse justamente porque a endometriose envolve processos inflamatórios e estresse oxidativo. Além disso, sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, distensão e alterações no funcionamento intestinal, são frequentes entre as pacientes.

Entre as estratégias que vêm sendo investigadas está a dieta low-fodmap, desenvolvida inicialmente para o manejo de sintomas intestinais. O protocolo reduz temporariamente determinados carboidratos fermentáveis encontrados em alimentos como trigo, leite, cebola, alho e algumas frutas.

Um ensaio clínico randomizado conduzido pela Universidade Monash, na Austrália, encontrou resposta à dieta em 60% das participantes, contra 26% no grupo controle. Também houve redução da intensidade geral dos sintomas gastrointestinais, incluindo dor abdominal e inchaço.

Isso não significa, entretanto, retirar definitivamente esses alimentos do cardápio. A estratégia prevê uma etapa de restrição seguida pela reintrodução gradual, para identificar quais componentes realmente desencadeiam sintomas em cada paciente. Por ser uma dieta restritiva, deve ser realizada com acompanhamento nutricional.

Dieta mediterrânea também está em estudo

Outra estratégia que vem apresentando resultados promissores é a dieta mediterrânea, caracterizada pelo consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva, peixes e leguminosas.

Um estudo publicado na Scientific Reports encontrou associação entre maior adesão ao padrão mediterrâneo e menor chance de endometriose. Já um estudo prospectivo italiano acompanhou 35 mulheres com a doença e observou, após três meses, redução da dor durante a relação sexual, da dor pélvica não relacionada à menstruação e do desconforto ao evacuar.

 

Os resultados, entretanto, precisam ser interpretados com cautela. Ainda faltam ensaios clínicos maiores que permitam estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre esse padrão alimentar e a melhora da endometriose.

Ômega-3 e antioxidantes

Alguns nutrientes também são investigados individualmente. Os ácidos graxos ômega-3, presentes principalmente em peixes e algumas sementes, despertam interesse por sua ação anti-inflamatória.

Antioxidantes também aparecem nas pesquisas. Uma meta-análise de ensaios clínicos sobre suplementação das vitaminas C e E encontrou maior alívio da dor pélvica crônica, da cólica menstrual e da dor durante a relação sexual. Já os estudos envolvendo vitamina D apresentam resultados menos consistentes.

A existência desses estudos, contudo, não significa que toda mulher com endometriose deva tomar suplementos. Dose e indicação precisam ser avaliadas individualmente, e a suplementação não substitui uma alimentação equilibrada nem o tratamento da doença.

Dietas muito restritivas podem ser um problema

Se por um lado a alimentação pode ajudar, por outro, especialistas chamam atenção para o chamado “terrorismo nutricional”. A disseminação de informações sem respaldo científico pode levar pacientes a excluir grupos inteiros de alimentos na tentativa de controlar a doença.

Carne vermelha e processada, álcool, gorduras saturadas e trans e o consumo excessivo de cafeína aparecem em estudos relacionados a padrões inflamatórios. Isso, porém, não permite afirmar que um alimento isoladamente cause endometriose ou que sua retirada seja capaz de curá-la.

Também não existe uma dieta única que funcione para todas as mulheres. Sintomas, necessidades nutricionais e resposta aos alimentos variam entre as pacientes e ao longo das diferentes fases da vida. Por isso, protocolos rígidos encontrados na internet podem resultar em restrições desnecessárias.

Alimentação é parte do cuidado, não a cura

As pesquisas sobre nutrição e endometriose avançaram nos últimos anos, mas ainda existem lacunas importantes. O cuidado com a doença, entretanto, vai além do prato. Atividade física, sono, manejo do estresse, tratamento medicamentoso quando indicado e acompanhamento multiprofissional também fazem parte dessa abordagem.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A principal mensagem das pesquisas, portanto, está distante das promessas de “dieta para curar endometriose” que circulam nas redes sociais. A alimentação pode ser uma ferramenta para melhorar sintomas e qualidade de vida, desde que utilizada de forma individualizada, baseada em evidências e integrada ao tratamento médico.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay