Endometriose: relato de Larissa Manoela amplia debate sobre fertilidade
Especialistas explicam impactos físicos e emocionais da doença desde a juventude e reforçam importância do diagnóstico precoce
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A publicação recente de Larissa Manoela nas redes sociais reacendeu um tema que ainda enfrenta desinformação e diagnósticos tardios: a endometriose. Ao compartilhar sua vivência com a doença, a atriz contribui para ampliar a conscientização, especialmente entre mulheres jovens que muitas vezes convivem com sintomas sem saber identificar o problema.
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A discussão ganha ainda mais relevância diante de dados que mostram o impacto da condição no Brasil. Levantamento da iHealth Insights, com base em mais de três milhões de pacientes, identificou 36.527 mulheres com diagnóstico, histórico ou investigação de endometriose. A dor aparece como principal sintoma, presente em 57% dos casos, evidenciando o quanto a doença pode interferir na qualidade de vida.
Para o ginecologista César Patez, especialista em endometriose, dar visibilidade ao tema é essencial para mudar esse cenário. “A adolescente com endometriose geralmente apresenta dor progressiva, muitas vezes incapacitante e que não melhora com analgésicos comuns. Sintomas associados ao período menstrual, como dor ao evacuar ou urinar, também são sinais de alerta. O diagnóstico precoce muda completamente a evolução da doença”, explica.
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Fertilidade
Quando o assunto é fertilidade, uma das principais dúvidas entre mulheres jovens, o acompanhamento adequado faz toda a diferença. A especialista em reprodução humana, Taciana Fontes Rolindo reforça que a doença não deve ser associada automaticamente à infertilidade.
“A endometriose pode afetar a fertilidade, principalmente quando compromete ovários e trompas. Mas isso não significa infertilidade definitiva. Com acompanhamento adequado desde cedo, conseguimos preservar a função reprodutiva e melhorar as chances de gestação no futuro”, afirma.
Saúde mental
O debate também passa pelos impactos emocionais, que muitas vezes acompanham a dor crônica e o tempo até o diagnóstico. “A dor constante não afeta só o corpo, ela vai mexendo com o emocional aos poucos. A adolescente pode se afastar da escola, evitar convivência social e desenvolver sentimentos de frustração e isolamento, o que impacta autoestima e relações”, explica a psicóloga Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.
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Quando buscar um acompanhamento?
Outro ponto crítico é a normalização da dor, que ainda atrasa o diagnóstico em muitos casos. “Muitas meninas escutam que sentir dor é normal, o que faz com que duvidem de si mesmas e demorem a buscar ajuda. Esse atraso prejudica não só o tratamento, mas também a construção da autoestima e da confiança no próprio corpo”, destaca a especialista.
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A repercussão do vídeo de Larissa Manoela mostra como o compartilhamento de experiências pode ajudar outras mulheres a reconhecer sinais e buscar orientação médica. Com informação, diagnóstico precoce e acompanhamento individualizado, especialistas reforçam que é possível controlar a doença, preservar a fertilidade e garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos.