Entre cólicas e dúvidas: como a endometriose impacta a rotina?
Doença atinge cerca de sete milhões de mulheres no país e está associada a dor pélvica crônica, impactos emocionais e dificuldades de engravidar
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A endometriose afeta cerca de sete milhões de mulheres em idade reprodutiva no Brasil, o que representa aproximadamente uma em cada dez brasileiras. Apesar da alta prevalência, especialistas alertam que o diagnóstico ainda é tardio e, em muitos casos, pode levar de cerca de seis a dez anos para acontecer, período em que muitas pacientes convivem com dor intensa e prejuízos significativos na qualidade de vida.
De acordo com estimativas médicas, entre 5% e 15% das mulheres em idade fértil (12 a 49 anos) apresentam a doença. No país, a região Sudeste concentra o maior número de internações relacionadas à endometriose, seguida pela região Nordeste.
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Além da dor pélvica crônica, a condição também pode estar associada a alterações intestinais e urinárias e dor durante a relação sexual. Além disso, estima-se que entre 30% e 50% das pacientes com endometriose podem apresentar dificuldades para engravidar.
Mesmo com tantos impactos na rotina das pacientes, a doença ainda enfrenta barreiras para reconhecimento precoce. Em muitos casos, exames de imagem não conseguem explicar completamente a intensidade da dor relatada pelas mulheres, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no tratamento.
Segundo a fisioterapeuta Josiane Pavão, especialista em dor pélvica, a dor associada à endometriose não afeta apenas o sistema reprodutivo, mas pode desencadear uma série de respostas físicas e emocionais no organismo.
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“A dor crônica não tratada desorganiza o corpo e o cérebro. Ela altera a forma como a musculatura do corpo todo funciona e impacta diretamente o estado emocional da mulher”, explica.
O corpo em estado de alerta
A literatura científica também aponta que mulheres com endometriose apresentam maior incidência de ansiedade, depressão e hipervigilância corporal. O corpo passa a funcionar em estado constante de alerta, mantendo músculos do assoalho pélvico contraídos como forma de proteção. Esse mecanismo pode perpetuar o ciclo de dor, mesmo quando a doença já está sendo tratada clinicamente.
Para a psicóloga Juliana Gontijo, o impacto emocional da chamada “dor invisível” costuma ser profundo, especialmente quando a paciente enfrenta dificuldades para validar o próprio sofrimento.
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“Quando exames não confirmam a causa da dor, muitas mulheres passam a duvidar de si mesmas. Isso gera culpa, medo e isolamento. Validar essa dor é parte essencial do cuidado”, afirma.
Diante desse cenário, as especialistas defendem uma abordagem integrada no tratamento da endometriose, que considere tanto os aspectos físicos quanto os emocionais da doença. Neste cenário, a fisioterapia pélvica pode contribuir para reduzir tensões musculares, melhorar a mobilidade da região e favorecer a reconexão corporal.
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As profissionais alertam ainda que sentir dor não deve ser considerado normal, mesmo quando ela se repete há muito tempo. “A fisioterapia pélvica atua na redução da tensão muscular, na melhora da mobilidade e na reeducação da respiração. Isso ajuda a interromper o ciclo de dor, medo e contração que muitas mulheres desenvolvem ao longo dos anos”, destaca Josiane.