Água gelada no rosto para acalmar o coração? Entenda a trend viral
Técnica tem base científica, mas pode mascarar problemas sérios; saiba quando a palpitação exige ajuda médica e não um balde de gelo
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Uma tigela com água e pedras de gelo se tornou protagonista de vídeos que prometem diminuir os batimentos cardíacos e aliviar a ansiedade. A técnica consiste em mergulhar o rosto na água gelada para provocar uma espécie de “reset” no corpo.
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Apesar da popularidade, o método não substitui uma avaliação médica. A prática se baseia em uma resposta fisiológica real do organismo, mas apresentá-la como solução para sintomas com diferentes causas pode ser um risco.
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O que acontece no corpo
O médico emergencista Yuri Castro explica que a exposição do rosto à água muito fria pode acionar o chamado reflexo de mergulho, uma reação natural que interfere no sistema cardiovascular.
Segundo o especialista, os vasos sanguíneos da pele se contraem, a frequência cardíaca pode sofrer alterações e a pressão arterial tende a subir momentaneamente. O estímulo no rosto pode reduzir os batimentos, mas não existe um “reset” capaz de corrigir uma alteração cardiovascular.
Nem toda palpitação é ansiedade
Sentir o coração acelerar pode ocorrer após um susto, em momentos de estresse ou pelo excesso de café. Desidratação e alterações hormonais são outras possíveis causas. O problema é que a palpitação também pode estar ligada a arritmias, que exigem investigação.
Tentar “acalmar” o coração com essa técnica pode criar uma falsa sensação de segurança. A cardiologista Bárbara Fagundes, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirma que a saúde cardiovascular depende de um acompanhamento individualizado.
Ela destaca que a maioria das pessoas sabe da importância de se alimentar melhor, praticar atividade física, dormir bem e controlar o estresse. O desafio, segundo a médica, é colocar isso em prática na rotina de cada um.
Quando procurar ajuda médica
É fundamental saber reconhecer os sinais de alerta que indicam a necessidade de atendimento médico imediato. Nesses casos, testar estratégias caseiras pode atrasar um diagnóstico importante.
Procure um pronto-socorro se as palpitações vierem acompanhadas de:
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dor ou pressão no peito;
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falta de ar importante;
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desmaio;
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confusão ou mal-estar intenso;
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piora súbita dos sintomas.
Yuri Castro alerta que, diante desses sinais, a prioridade não é colocar o rosto na água gelada. O paciente pode perder um tempo precioso tentando resolver em casa uma situação que necessita de avaliação profissional.
Para Bárbara Fagundes, proteger o coração depende mais do que se constrói diariamente. "Cuidar do coração não é apenas prescrever medicamentos ou solicitar exames. É ajudar o paciente a construir uma rotina que proteja sua saúde ao longo dos anos", finaliza.
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