FIQUE DE OLHO

Ceratocone: a importância do diagnóstico precoce

Campanha Junho Violeta amplia a conscientização sobre a doença que pode comprometer a visão e está entre as principais causas de transplante de córnea no Brasil

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O mês de junho é marcado pela campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização sobre o ceratocone, condição ocular em que ocorre uma ectasia corneana progressiva, alterando definitivamente o formato da córnea, e por conseguinte levando à redução da qualidade visual.

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A importância do tema se reflete nos números: entre 2015 e 2025, a demanda por transplantes de córneas no Brasil cresceu 276%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (Abto), em parceria com o Instituto Penido Burnier. Do total de procedimentos realizados no período, 70% estiveram relacionados à doença.

Como os sintomas iniciais da doença podem estar relacionados com a apresentação da miopia e/ou astigmatismo, o ceratocone tende a evoluir de forma silenciosa e gradual quando não é suspeitado e diagnosticado precocemente, reforçando a importância de avaliações oftalmológicas regulares.

“O objetivo da campanha é ampliar a conscientização dos fatores de risco, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado do ceratocone, uma condição que pode evoluir de forma silenciosa e impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Por isso, a informação se consolida como uma das principais aliadas no enfrentamento da doença, ao incentivar o reconhecimento dos sinais iniciais e a busca por acompanhamento oftalmológico regular”, destaca o oftalmologista Celso Cunha, e consultor da HOYA Vision Care.

Considerado um tema relevante para a saúde pública, o ceratocone exige atenção devido aos impactos que pode causar na capacidade visual e à maior incidência entre adolescentes e adultos jovens. A doença pode provocar distorções na percepção das imagens, redução progressiva da acuidade visual e, em casos mais avançados, levar à necessidade de transplante de córnea. Por isso, a conscientização sobre os sinais iniciais, aliada à adoção de hábitos adequados e à eliminação de práticas prejudiciais, contribui para reduzir riscos, controlar a evolução do quadro e preservar a saúde ocular.

Sinais de alerta e fatores de risco

Como a progressão do ceratocone costuma ocorrer de forma gradual, os primeiros sinais nem sempre são facilmente percebidos. Entre os principais sintomas estão a visão embaçada ou distorcida, o aumento acelerado do grau de miopia ou astigmatismo e a maior sensibilidade à luz.

Além do reconhecimento precoce dos sintomas, a atenção aos fatores de risco é fundamental para reduzir as chances de progressão da doença. Entre eles, o hábito frequente de coçar ou esfregar os olhos merece destaque está associado ao desenvolvimento e à evolução da doença. “Pode parecer um gesto inofensivo, mas se feito com frequência pode enfraquecer a estrutura da córnea e acelerar a evolução da doença”, alerta Celso.

Pacientes com alergias oculares tendem a coçar os olhos com mais frequência, mas esse hábito deve ser evitado. “Tratar corretamente essas condições e buscar orientação médica ao perceber sintomas persistentes é essencial para proteger a saúde ocular”, reforça o especialista.

Dessa forma, informação, acompanhamento oftalmológico regular e mudanças de hábitos desempenham papel importante na redução dos riscos e na preservação da qualidade visual ao longo da vida.

Diagnóstico e opções de tratamento

A identificação precoce é um dos principais aliados no controle do ceratocone, pois permite identificar alterações ainda nas fases iniciais e adotar estratégias que evitem a progressão da doença. Para isso, consultas regulares com o oftalmologista são indispensáveis, assim como a realização de exames específicos, como a topografia da córnea, que detecta alterações na sua curvatura.

“Muitas vezes, o paciente só percebe que há algo errado quando a visão já está comprometida. Por isso, o acompanhamento oftalmológico periódico é essencial para um diagnóstico precoce e mais eficaz”, explica o especialista.

As opções de tratamento variam de acordo com o estágio da doença.

  • Nas fases iniciais, o uso de óculos pode corrigir a visão
  • Em quadros moderados, são indicadas lentes de contato específicas, o implante de anel intracorneano ou o crosslinking corneano, procedimento cirúrgico minimamente invasivo que fortalece as fibras do colágeno da córnea e ajuda a conter a progressão da doença
  • Já nos casos mais avançados, pode ser necessário o transplante de córnea

Além do acompanhamento oftalmológico, hábitos de proteção ocular ajudam na saúde visual de forma geral, como o uso no dia a dia, dos óculos de sol com proteção contra raios ultravioleta.

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“Cuidados simples, quando incorporados à rotina, têm impacto significativo na preservação da visão ao longo do tempo, pois a saúde ocular exige avaliação periódica e intervenção precoce”, destaca o oftalmologista.

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