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Estado de Minas Cuide de seus olhos

Junho Violeta traz reflexão sobre o ceratocone, doença ocular progressiva

Doença leva a deformidades da córnea, o que acarreta problemas na visão. É a principal causa de transplante de córnea no Brasil. Campanha dedica-se ao tema


17/06/2021 10:52

(foto: Leca Novo/Divulgação)
(foto: Leca Novo/Divulgação)

O ceratocone é uma doença ocular progressiva, que se caracteriza por uma alteração do formato da córnea - a principal lente natural do olho, que focaliza a imagem na retina. Quando acontece o desequilíbrio, a córnea, que com suas características normais tem um contorno esférico e a superfície regular, se curva para fora, projetando a forma de um cone. Neste mês, a campanha Junho Violeta é dedicada a alertar a população sobre a doença, como preveni-la e tratá-la. Mesmo em suas manifestações mais graves, o ceratocone não leva à cegueira, mas pode acarretar problemas sérios para a visão. É a principal causa de transplante de córnea no Brasil.

O oftalmologista do NEO Oftalmologia - Unidade Vila da Serra, Fabio Pupo Alves, conta que a campanha tem entre os objetivos estimular o diagnóstico precoce da doença e conscientizar a população sobre a necessidade de um exame oftalmológico completo, sempre realizado por médicos oftalmologistas capacitados. "E também alertar sobre a importância de não coçar os olhos, a melhor forma de evitar a progressão da doença, lembrando que existem tratamentos que, quando realizados precocemente, evitam complicações e até a indicação de cirurgias", diz.

Nos indivíduos com ceratocone, o que ocorre é uma alteração do colágeno que forma o tecido corneano. As fibras de colágeno enfraquecem, e se tornam mais maleáveis com o passar dos anos. Isso leva a um afinamento e abaulamento da parte central da córnea, que passa a ter um formato cônico, com a superfície irregular, o que causa uma dificuldade de focalizar as imagens, e as distorce. É o que explica a oftalmologista Ana Maria Vieira da Rocha Oliveira, também do NEO Oftalmologia, clínica recém inaugurada na região de Nova Lima.

A causa do desequilíbrio, esclarece a médica, é uma alteração genética rara, de caráter hereditário e evolução lenta, que se manifesta com mais frequência entre 10 e 25 anos de idade. Pode progredir até a quarta década de nascimento ou estabilizar-se com o tempo. "Dependendo do caso, a doença pode evoluir pela vida inteira", pondera o oftalmologista Raul Damásio de Castro, outro integrante da equipe do NEO Vila da Serra. As pessoas mais suscetíveis a manifestar o ceratocone geralmente têm histórico de casos na família, como avós, primos, tios, pais e irmãos, ou portadores de alergias oculares e quem tem o hábito de coçar sempre os olhos.

"O ato de coçar os olhos pode acelerar o afinamento da córnea e a alteração de sua curvatura. Se uma pessoa tem alergia ocular, coça muito os olhos, e ainda tem uma tendência genética, pode desenvolver um ceratocone mais rapidamente, causando também uma piora acentuada na qualidade da visão", ensina Ana Maria.

O diagnóstico é realizado em consulta médica, através de exames de topografia da superfície anterior e posterior da córnea, e de medição da espessura corneana, com vistas à detecção precoce do problema, como informa a profissional. Neste ponto, a prevenção se dá justamente no acompanhamento oftalmológico periódico, com atenção principalmente ao grupo de pacientes com os perfis de risco. O mais indicado é visitar um oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. Os pacientes com diagnóstico confirmado de ceratocone são acompanhados semestralmente.

No início dos sintomas, o ceratocone pode ser corrigido com óculos e lentes de contato especiais. O tratamento é clínico, com o controle de alergias oculares, e o uso de lentes de contato rígidas, para melhora da visão e focalização adequada das imagens.

Outra alternativa de terapia é o chamado crosslinking, que consiste na aplicação de radiação ultravioleta com riboflavina (um tipo de vitamina). "É a cirurgia mais precocemente realizada, aplicada para estabilizar e aumentar a rigidez do tecido corneano e impedir que o ceratocone continue progredindo", ressalta Raul Damásio.

O grande problema do ceratocone é que, com o afinamento crescente e a distorção do formato da córnea, acontece uma piora progressiva da visão, o que, em quadros mais avançados, não pode ser mais amenizado com óculos ou lentes de contato. Nos casos em que há uma escalada da doença, são indicados também tratamentos cirúrgicos, como o implante de anéis intracorneanos. "São implantes de segmentos em acrílico introduzidos na córnea para regularizar o seu relevo, sua curvatura e, consequentemente, a qualidade da visão. Em casos mais graves, a córnea pode se tornar tão fina que acaba sendo necessário o transplante", diz Raul.

O ceratocone não induz a perda da visão, mas deve ser convenientemente tratado. "Mesmo os casos mais graves têm tratamento. A doença não leva à cegueira absoluta, pois acomete somente a córnea do paciente, que pode ser 'trocada'. Após um período de evolução, o ceratocone geralmente estabiliza, sendo importante o seu diagnóstico precoce para o melhor controle da doença, a fim de preservar a qualidade da visão", reitera Ana Maria.

Recomendações importantes sobre o ceratocone:

- Crianças e adolescentes devem consultar regularmente o oftalmologista, sobretudo se existem casos de ceratocone na família

- O diagnóstico precoce é fundamental para controlar a progressão da doença e preservar a acuidade visual

- Algumas medidas simples ajudam a diminuir a vontade de coçar os olhos, como: usar colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) se os olhos estiverem ressecados, aplicar compressas frias ou geladas nos olhos, lavar pálpebras e cílios com xampu de PH neutro e soro fisiológico

Fonte: Neo Oftalmologia - Unidade Vila da Serra


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