O perigo silencioso que apaga a visão e afeta 1,7 milhão no Brasil
Ela não dá avisos, é irreversível e começa pelas "beiradas" dos olhos; descubra se você faz parte do grupo onde o risco é dez vezes maior hoje
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Considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma é uma doença ocular silenciosa que afeta o nervo óptico e pode evoluir durante anos sem apresentar sintomas perceptíveis. Segundo estimativas adotadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), mais de 1,7 milhão de brasileiros convivem com a doença.
A projeção considera estudos que apontam prevalência entre 2% e 3% da população acima dos 40 anos, percentual que aumenta progressivamente com o envelhecimento e pode ultrapassar 7% entre pessoas acima dos 70 anos. No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, nesta quinta-feira (26/5), especialistas reforçam a importância das consultas oftalmológicas regulares, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco para a doença.
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Lenta e progressiva
De acordo com Hérika Danielle de Miranda Santos, oftalmologista do Mater Dei Santo Agostinho, o glaucoma costuma comprometer a visão de forma lenta e progressiva. “À medida que a doença avança, o paciente perde gradualmente o campo visual, da periferia em direção ao centro. Quando essa alteração começa a ser percebida, geralmente o glaucoma já está em estágios mais avançados”, explica.
A oftalmologista destaca que os danos provocados pela doença não podem ser revertidos. “O glaucoma provoca lesões no nervo óptico e nas células nervosas da retina. Infelizmente, a perda visual causada é irreversível. Identificar o problema precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes é essencial para preservar a visão”, afirma.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Pressão intraocular elevada
- Histórico familiar da doença
- Diabetes
- Hipertensão arterial descontrolada
- Alta miopia
- Idade acima dos 40 anos
Independentemente da idade
Pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com glaucoma têm risco até dez vezes maior de desenvolver a doença. E, embora seja mais comum em idosos, o glaucoma também pode afetar jovens, adolescentes e até recém-nascidos. “Existe o glaucoma congênito, que acomete bebês, além do glaucoma juvenil. Independentemente da idade, o acompanhamento oftalmológico é indispensável”, alerta Hérika.
Nos casos mais avançados, o paciente pode apresentar dificuldade para enxergar objetos nas laterais, tropeços frequentes e redução progressiva do campo visual, até chegar à chamada visão tubular, como se estivesse olhando por um buraco de fechadura.
Apesar de muitos pacientes não apresentarem sintomas nas fases iniciais, alguns sinais podem surgir, especialmente em episódios de glaucoma agudo, como:
- Dor intensa nos olhos
- Dor de cabeça forte
- Visão embaçada
- Náuseas
- Vômitos
- Vermelhidão ocular
- Sensibilidade à luz
O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir uso de colírios, procedimentos a laser e cirurgias. Segundo a especialista, os avanços da medicina têm permitido diagnósticos mais precoces e tratamentos cada vez mais seguros e eficazes.
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“Ainda enfrentamos o desafio da adesão ao tratamento. Muitos pacientes abandonam o uso dos colírios devido aos efeitos colaterais ou à dificuldade de manter a rotina corretamente. O acompanhamento contínuo é essencial para evitar a progressão da doença e reduzir o risco de cegueira irreversível”, reforça.