Doença ocular relacionada ao estresse pode se tornar crônica
Embora o estresse influencie, outros fatores contribuem para a coriorretinopatia serosa central, como uso de corticoides e até a personalidade do paciente
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A coriorretinopatia serosa central (CSC) é uma condição ocular, mais conhecida como serosa, que afeta principalmente homens na faixa dos 30 aos 50 anos e está frequentemente associada a estresse, ansiedade ou uso de corticoides. Mas isso não é uma regra, pois mulheres e, inclusive, pessoas jovens, ativas e saudáveis podem apresentar a doença ocular.
Ela ocorre quando há acúmulo de líquido sob a retina, camada localizada no fundo do olho que capta a luz e a transforma em estímulos nervosos, para que o cérebro interprete as imagens. Esse processo gera vazamento de fluído e descolamento de retina, sem que haja rasgo ou furo, deixando a visão embaçada e com distorção.
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Michel Farah, professor titular de oftalmologia da EPM/UNIFESP e médico da unidade Ceosp do H.Olhos, explica que "esse líquido, proveniente da coroide (camada de vasos sanguíneos localizados atrás da retina), se acumula formando uma pequena bolha que levanta a retina, especialmente na região da mácula, que é a parte responsável pela visão central, cor, nitidez e detalhes".
Embora a causa exata ainda seja objeto de estudo, a ciência já identificou gatilhos bem claros. O médico diz quais são eles:
- Estresse e personalidade: a condição está frequentemente associada ao estresse emocional e ao chamado "perfil de personalidade tipo A" (pessoas muito competitivas, ansiosas ou perfeccionistas)
- Uso de corticoides: é o principal fator de risco externo. Seja por via oral, nasal (sprays para rinite), pomadas, cremes ou injeções articulares, o uso de cortisona pode desencadear ou piorar a doença
Os sinais da serosa geralmente surgem de forma súbita, em apenas um dos olhos. De acordo com Michel Farah, "o paciente percebe uma mancha escura ou cinzenta no centro do campo visual. Além disso, os objetos parecem menores do que realmente são e as linhas retas ficam tortas ou onduladas. Outro sintoma é enxergar as cores desbotadas ou menos brilhantes".
Ao perceber essas alterações é muito importante procurar um oftalmologista para uma investigação. O diagnóstico é feito por meio de três exames: o de fundo de olho, realizado com a pupila dilatada; a tomografia de coerência óptica, que visualiza o acúmulo de líquido; a angiografia, que identifica o ponto de vazamento. Na maioria dos casos, a cura é espontânea, mas existe o risco da condição se tornar crônica e grave.
"Muitas vezes, o próprio organismo absorve o líquido em algumas semanas ou meses. No entanto, quando a serosa se torna persistente ou os episódios são frequentes, pode ocorrer atrofia da retina, resultando em perda de visão permanente. O acompanhamento e tratamento precoce são fundamentais para evitar complicações", alerta o oftalmologista.
Nos casos especiais, é indicado o uso do laser subliminar (micropulso), técnica oftalmológica que usa energia em pequenos pulsos, sem causar queimaduras ou danos térmicos visíveis ao tecido ocular, aumentando a capacidade de transporte e drenagem do líquido. Outro recurso é a terapia fotodinâmica, procedimento a laser que utiliza um medicamento fotossensibilizante para estimular a absorção do líquido sob a mácula.
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Existem outros recursos para tratar a doença, mas eles dependem do quadro apresentado e da avaliação do especialista. "Ao apresentar qualquer alteração no campo visual central, procure um oftalmologista para obter o diagnóstico correto e siga todas as orientações. Cuide da sua visão, pois ela permite que você realize diversas tarefas, com autonomia e segurança."