ACIDENTES

Engasgo: quais alimentos aumentam o risco? Confira e saiba como evitar

De comidas aparentemente inofensivas a hábitos comuns durante as refeições, fonoaudióloga alerta o que pode aumentar o risco de obstrução das vias aéreas

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Situações de engasgo costumam ser tratadas como acidentes pontuais, mas é preciso alertar: o risco pode estar mais presente no dia a dia do que se imagina, e começa dentro do prato. De alimentos aparentemente inofensivos a hábitos comuns durante as refeições, pequenas escolhas podem aumentar significativamente o risco de obstrução das vias aéreas.

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O engasgo ocorre quando um alimento ou objeto bloqueia parcial ou totalmente a passagem de ar, podendo levar a quadros graves e até fatais se não houver intervenção rápida.

De acordo com a fonoaudióloga Claudia Aidar Fleury, especialista em reabilitação da deglutição e líder das equipes de fonoaudiologia dos Hospitais Igesp, alguns tipos de alimentos apresentam maior risco, especialmente quando não são consumidos da forma adequada. Entre eles, estão alimentos duros, secos, pegajosos ou pequenos, como uvas, castanhas, torradas, balas e pedaços grandes de carne.

Fonoaudióloga Claudia Aidar Fleury, especialista em reabilitação da deglutição
Fonoaudióloga Claudia Aidar Fleury, especialista em reabilitação da deglutição Arquivo pessoal

Além disso, alimentos com dupla consistência (líquido + sólido), como sopas com pedaços ou frutas caldosas, como melancia, aumentam o risco, principalmente para pessoas com dificuldade de deglutição. A gelatina também merece atenção, pois é ingerida como um sólido, mas se transforma em líquido com o calor da boca.

Para a fonoaudióloga, o problema vai muito além do alimento em si. “O risco não está apenas no que se come, mas em como se come. Alimentos mal cortados, ingeridos rapidamente ou sem mastigação adequada aumentam significativamente as chances de engasgo, especialmente em crianças, idosos e pessoas com disfagia”, explica.

A especialista explica que a disfagia, ou seja, dificuldade para engolir, é um fator de risco importante e muitas vezes subdiagnosticado. A condição pode levar não só a engasgos frequentes, mas também a complicações graves, como desnutrição e pneumonia aspirativa. “Quando a deglutição não acontece de forma coordenada, o alimento pode seguir para as vias respiratórias. Isso transforma um ato cotidiano, como comer, em um risco real à saúde”, reforça Claudia.

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Alimentos que exigem mais atenção

  • Uvas, tomates-cereja e azeitonas (formato que pode obstruir a via aérea) principalmente de crianças pequenas e idosos com demência
  • Castanhas, sementes e pipoca
  • Pães secos, torradas e biscoitos
  • Balas, caramelos e alimentos pegajosos
  • Carnes com ossos ou pedaços grandes
  • Preparações com líquido + sólido (como sopas com pedaços)

Como reduzir o risco?

  • Cortar os alimentos em pedaços pequenos e adequados
  • Mastigar bem antes de engolir
  • Evitar falar, rir ou se distrair durante a refeição
  • Não comer com pressa
  • Ajustar a textura dos alimentos quando necessário (principalmente para idosos)
  • Manter postura adequada ao comer

Apesar de comum, o engasgo não deve ser banalizado. Episódios frequentes de tosse durante as refeições ou sensação de alimento parado na garganta podem ser sinais de alerta para disfagia e devem ser investigados por um profissional especializado. “Comer deveria ser um ato seguro e prazeroso. Quando há risco ou desconforto, o corpo está pedindo atenção”, destaca a especialista.

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