DIA DA DISFAGIA

Disfagia, dificuldade de engolir, pode aumentar risco de pneumonia

Fonoaudióloga alerta para sinais silenciosos, reforça a importância do diagnóstico e esclarece mitos e verdades sobre a condição, que afeta até 30% dos idosos

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A dificuldade para engolir alimentos e líquidos, conhecida como disfagia, é mais comum e mais perigosa do que muitos imaginam. Estima-se que a condição afete entre 2% e 16% da população geral. Entre os idosos, o cenário é ainda mais preocupante: a prevalência pode chegar a 30%, especialmente após os 80 anos.

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Apesar desses números, a disfagia segue amplamente subdiagnosticada, o que aumenta o risco de complicações graves. “A disfagia, além de acometer a capacidade de engolir, também pode comprometer a segurança clínica e nutricional do paciente, levando a desnutrição, desidratação e pneumonia aspirativa, que ocorre quando alimentos ou líquidos vão para os pulmões”, explica a fonoaudióloga Claudia Aidar Fleury, especialista em reabilitação da deglutição e líder das equipes de fonoaudiologia dos Hospitais Igesp.

Estudos mostram que pacientes com disfagia têm um risco significativamente maior de desenvolver complicações respiratórias. Em alguns grupos, entre 30% e 50% dos pacientes disfágicos podem evoluir para pneumonia aspirativa, uma condição potencialmente fatal. Além disso, em ambientes hospitalares, a disfagia pode atingir até 36% dos pacientes, estando associada a maior tempo de internação e aumento da mortalidade.

Diante desse cenário, o Dia da Disfagia, lembrado nesta sexta-feira (20/3), surge como um importante marco para ampliar a conscientização sobre a condição. Para esclarecer o tema, Claudia comenta os principais mitos e verdades em torno do diagnóstico:

Disfagia só acontece com idosos?

Mito. “Embora seja mais frequente com o envelhecimento, a disfagia pode ocorrer em qualquer idade, especialmente em pessoas com doenças neurológicas, cardíacas, pacientes oncológicos ou após internações prolongadas”

Claudia Aidar Fleury é fonoaudióloga e especialista em reabilitação da deglutição
Claudia Aidar Fleury é fonoaudióloga e especialista em reabilitação da deglutição Arquivo pessoal

Tossir ao comer ou beber é um sinal de alerta?

Verdade. “Tosse, engasgos frequentes, sensação de alimento parado na garganta ou alteração na voz após comer são sinais importantes e não devem ser ignorados”

É normal ter dificuldade para engolir com a idade?

Mito. “Envelhecer não significa perder a capacidade de engolir com segurança. Qualquer alteração precisa ser investigada”

A disfagia tem tratamento?

Verdade. “O acompanhamento fonoaudiológico pode reabilitar a função de deglutição ou adaptar a alimentação, garantindo nutrição, segurança e qualidade de vida”

Apenas alimentos sólidos causam dificuldade?

Mito. “Depende muito do caso. Muitas vezes, os líquidos, como a água, podem representar maior risco, porque são mais difíceis de controlar durante a deglutição”

A disfagia impacta só a alimentação?

Mito. “Ela afeta também o convívio social, o prazer de comer e a saúde emocional. Muitos pacientes passam a evitar refeições, principalmente em situações sociais, por medo de engasgar”

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Um dos principais desafios da disfagia é que ela pode passar despercebida, especialmente em casos de aspiração silenciosa, quando o alimento vai para o pulmão sem causar tosse imediata. “Por isso, a informação é fundamental. Identificar os sinais precocemente pode evitar complicações graves e até salvar vidas”, reforça Claudia.

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