Creatina e creatinina: o que são o suplemento e o marcador da saúde renal
Confusão entre os termos é comum e pode gerar dúvidas sobre exames laboratoriais e o uso do suplemento popular nas academias de ginástica
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O recente relato do ator Jackson Antunes sobre os problemas renais que enfrentou ao longo da vida reacendeu uma discussão importante sobre a saúde dos rins e os exames utilizados para monitorar sua função. Entre os termos que costumam aparecer nesse contexto está a creatinina, substância medida em exames de sangue para avaliar o funcionamento renal.
Ao mesmo tempo, outro nome cada vez mais presente nas conversas sobre saúde e desempenho físico é a creatina, suplemento amplamente utilizado por pessoas que frequentam academias e praticam atividades de força.
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A semelhança entre os nomes ainda gera confusão, mas creatina e creatinina têm funções distintas no organismo. A primeira é utilizada como fonte de energia para os músculos e amplamente consumida como suplemento. Já a segunda é um resíduo do metabolismo muscular, eliminado pelos rins e utilizado como indicador da função renal.
Diferentemente da creatina, a creatinina não exerce uma função ativa no corpo - sua importância está justamente em indicar como os rins estão funcionando, sendo um dos principais marcadores da saúde renal. Segundo a endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora de análises clínicas na Dasa, essa confusão é comum e pode levar a interpretações equivocadas.
“Apesar dos nomes parecidos, estamos falando de coisas bem diferentes: a creatina atua como fonte de energia para o músculo e é usada como suplemento, enquanto a creatinina é um resíduo que o corpo elimina e que usamos nos exames para avaliar o funcionamento dos rins.”
Creatina: suplemento ganhou popularidade nos últimos anos
Nos últimos anos, a creatina deixou de ser um suplemento associado apenas a atletas de alto rendimento e passou a ser amplamente utilizada por pessoas que buscam melhorar o desempenho físico, ganhar força ou preservar massa muscular.
O composto é produzido naturalmente pelo organismo, principalmente no fígado e nos rins e, também, pode ser obtido por meio da alimentação, especialmente em carnes e peixes. No corpo, ele atua como uma reserva de energia rápida para os músculos, sendo particularmente importante durante exercícios de alta intensidade.
“A suplementação de creatina pode contribuir para o aumento da força muscular, melhora do desempenho físico e manutenção da massa muscular, especialmente quando associada ao treinamento de resistência”, completa a especialista.
Creatinina: o que o exame mostra sobre os rins
Já a creatinina é um produto do metabolismo muscular liberado continuamente na corrente sanguínea. Em condições normais, ela é filtrada pelos rins e eliminada pela urina.Quando os rins não conseguem filtrar adequadamente o sangue, os níveis de creatinina no sangue podem se elevar, indicando possível comprometimento da função renal.
Por isso, a dosagem dessa substância faz parte de exames laboratoriais de rotina e é utilizada para estimar a taxa de filtração glomerular, um dos principais parâmetros utilizados na avaliação da saúde renal.
Quem tem creatinina alta pode tomar creatina?
Maria Helane Gurgel explica que a creatina pode ser segura para pessoas saudáveis quando utilizada nas doses recomendadas e com orientação profissional. No entanto, quem apresenta alteração nos exames renais precisa de avaliação médica antes de iniciar o suplemento.
“Quando há aumento da creatinina nos exames, o primeiro passo é investigar a causa dessa alteração. Em alguns casos, pode haver comprometimento da função renal e, nessas situações, o uso de suplementos como a creatina deve ser avaliado com cautela e acompanhamento médico”, afirma.
Segundo a especialista, exames laboratoriais são importantes para orientar o uso seguro de suplementos e evitar interpretações equivocadas dos resultados. “A suplementação pode trazer benefícios importantes quando bem indicada. O ideal é que ela seja feita com orientação profissional e acompanhada por exames, especialmente quando falamos de substâncias que podem influenciar parâmetros relacionados à função renal”.
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A interpretação dos exames deve considerar também o contexto do paciente e o uso recente do suplemento. “Caso o paciente apresente níveis de creatinina alterados, estando em uso do suplemento creatina, recomenda-se a suspensão da ingesta por um período mínimo de 14 dias para posterior reavaliação laboratorial da creatinina (processo chamado de washout, ou “limpeza” do organismo). Alternativamente, a função renal pode ser avaliada com precisão através da dosagem de Cistatina C, que não sofre interferência da ingestão proteica ou de creatina exógena. A elevação da creatinina durante o uso de creatina não é, na maioria das vezes, um indicador de lesão orgânica renal”, reforça a endocrinologista.