Atriz faz alerta sobre miomatose uterina após quadro grave
"Achei que fosse só mais uma dor que a gente aprende a aguentar, mas meu corpo estava pedindo socorro", diz Raiza Noah após complicações com doença ginecológica
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A atriz, comediante e criadora de conteúdo digital, Raiza Noah, precisou interromper a rotina profissional após complicações graves relacionadas a uma doença ginecológica que quase lhe custou a vida
Raiza integra atualmente o elenco do telefilme “É Quase Verdade”, produção do Espírito Santo selecionada para o projeto Telefilmes Regionais, que fará parte da programação do Cine BBB 26. Após a exibição no reality, o filme também será exibido na Tela Quente, ampliando a projeção nacional da atriz. Na trama, ela interpreta Clarice, professora de história e melhor amiga da protagonista Janaína.
Por trás da carreira em ascensão, no entanto, havia uma batalha silenciosa. Aos 27 anos, Raiza foi diagnosticada com miomatose uterina, após perceber o agravamento de dores menstruais intensas e um fluxo considerado fora do padrão. Mesmo realizando exames de rotina, o quadro evoluiu rapidamente, com o surgimento de múltiplos miomas de diferentes tamanhos e localizações, alguns altamente vascularizados, o que chegou a levantar suspeitas mais graves, depois descartadas.
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Segundo o ginecologista César Patez, especialista em endometriose, a miomatose uterina não é incomum, mas quadros agressivos em mulheres jovens exigem atenção redobrada. “Miomas são tumores benignos do músculo uterino e não têm relação direta com câncer. No entanto, quando crescem de forma acelerada, causam dor intensa, sangramentos importantes e podem comprometer seriamente a fertilidade. Não existe uma ‘cura definitiva’ sem cirurgia, mas há controle clínico e cirúrgico eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente”, explica.
Raiza passou por três procedimentos cirúrgicos, incluindo duas histeroscopias e uma embolização uterina. Mesmo assim, os miomas voltaram a crescer. As hemorragias frequentes e as crises de dor levaram a atriz a sucessivas idas ao pronto-socorro, além de quadros recorrentes de anemia. A possibilidade real de perder o útero entrou em pauta, obrigando-a a rever planos pessoais e profissionais.
Diante da instabilidade clínica e da incerteza sobre a fertilidade, aos 32 anos Raiza decidiu realizar o congelamento de óvulos. O procedimento, no entanto, desencadeou uma complicação rara e potencialmente fatal: a síndrome de hiperestimulação ovariana grave. Durante a punção, dificuldades anatômicas impediram o acesso completo a alguns folículos, que liberaram grande quantidade de líquido no organismo.
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O resultado foi uma internação de emergência. Raiza permaneceu cerca de nove dias na UTI, passou por drenagem de quase dois litros de líquido abdominal e desenvolveu um derrame pleural, com acúmulo de líquido nos pulmões. O episódio ocorreu durante as festas de fim de ano, e a atriz virou o Ano-Novo hospitalizada. “Se eu tivesse demorado mais um dia para procurar ajuda, poderia ter sido muito pior”, relata.
Fertilidade
Casos como o de Raiza também se inserem em um cenário mais amplo. Dados epidemiológicos recentes apontam uma queda consistente nos índices de fertilidade no Brasil e no mundo. Segundo o ginecologista e cirurgião geral Vinícius Araújo, o alerta é real. “Os dados são claros em mostrar que a fertilidade vem diminuindo ao longo das últimas décadas. Estilo de vida, exposições ambientais, adiamento da maternidade e condições como endometriose e miomas mudaram o panorama de forma mensurável”, afirma.
O médico destaca a importância da avaliação precoce. “A recomendação geral é buscar ajuda após um ano de tentativas, mas mulheres acima dos 35 anos devem investigar após seis meses. Já pacientes com doenças de alto risco para fertilidade devem, idealmente, ser avaliadas antes mesmo de tentar engravidar”, orienta. Segundo ele, exames hormonais, análise da reserva ovariana e avaliação do parceiro são essenciais para um planejamento reprodutivo eficaz.
Além do acompanhamento médico, o estilo de vida também pesa. “Não é só cirurgia ou fertilização in vitro. Alimentação equilibrada, atividade física, controle de peso, redução do álcool e parar de fumar têm impacto direto no metabolismo hormonal e na saúde reprodutiva”, reforça Vinícius.
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Paralelamente, cresce o interesse pelo congelamento de óvulos como ferramenta de autonomia feminina. A especialista em reprodução humana, Taciana Fontes destaca que a idade é determinante para o sucesso do procedimento. “O ideal é congelar óvulos até os 35 anos, quando há melhor qualidade e quantidade. Depois disso, as taxas de sucesso caem progressivamente”, explica.
Ela observa, ainda, que o tema ganhou visibilidade graças a relatos públicos. “Quando mulheres conhecidas compartilham suas experiências, elas normalizam a conversa e ampliam o acesso à informação. O congelamento não é uma medida extrema, mas uma estratégia de planejamento”, afirma.
Entender a origem das doenças ginecológicas também influencia diretamente o tratamento. O ginecologista Igor Chiminacio explica que o conhecimento científico evoluiu. “Hoje sabemos que a endometriose tem origem embrionária. Os focos da doença estão presentes desde a vida fetal e podem permanecer silenciosos por anos, ativando-se ao longo da vida reprodutiva”, diz.
Para ele, compreender esses trajetos é fundamental. “A endometriose profunda segue caminhos embrionários previsíveis. Quando entendemos isso, conseguimos remover as lesões de forma completa, reduzindo dor, recidivas e melhorando a fertilidade.”
Atualmente em recuperação, Raiza retoma as atividades de forma gradual e faz fisioterapia respiratória. Ao tornar pública sua história, ela chama atenção para um problema frequentemente minimizado. “Existe uma normalização da dor feminina. Sangrar muito e sentir dor não é normal”, afirma.
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Seu relato ecoa como alerta para que outras mulheres busquem diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e não ignorem sinais persistentes do próprio corpo.