ENTREVISTA

Caso Maderite: por que pessoas relativamente jovens estão infartando?

Cardiologista esclarece dúvidas postadas nas redes sociais como o sinal de Frank e destaca a importância de medidas de prevenção

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Diante da morte prematura do empresário e influenciador Henrique Maderite, de 50 anos, na última sexta-feira (6), muitas pessoas questionaram em que circunstâncias ele tinha morrido, mesmo após a divulgação da perícia, de que Maderite tinha sido vítima de um infarto. 

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O cardiologista Augusto Vilela, CEO do Instituto do Coração de Fortaleza (CE), coordenador científico CardioAul e representante do Departamento de Hipertensão da SBC-CE, explicou por que pessoas relativamente jovens estão sendo acometidas de infarto, muitos dos quais com resultado morte. 

Segundo o especiaista, prevenção ainda é a melhor forma de evitar ou reduzir eventos cardíacos. 

Leia a entrevista: 

Infarto não era uma doença de pessoas mais velhas? Por que estamos vendo casos em pessoas mais jovens?

Esse é um dos maiores mitos da cardiologia. O infarto é o resultado final de um processo chamado aterosclerose, que começa muito cedo, às vezes ainda na adolescência. Hoje, com estresse crônico, alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e aumento da obesidade, estamos vendo esse processo avançar mais rápido. O que mudou não foi a doença, foi o estilo de vida.


O caso do influenciador Henrique Maderite chamou atenção. Uma pessoa aparentemente saudável pode infartar?

Sim. Aparência não reflete saúde cardiovascular. Muitas pessoas têm colesterol alto, hipertensão ou inflamação vascular sem saber. O coração não dá sinais externos visíveis até que algo grave aconteça. Por isso, check-up e prevenção são tão importantes, mesmo para quem se sente bem.


O infarto costuma avisar antes ou acontece de forma súbita?

Na maioria das vezes, o infarto avisa. Os sinais mais comuns são dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea e dor que pode irradiar para o braço esquerdo, costas ou mandíbula. O problema é que, em pessoas mais jovens, esses sintomas costumam ser ignorados ou confundidos com ansiedade, estresse ou gastrite. Existem casos silenciosos, mas eles não são a regra.


Quais sintomas devem ser considerados um sinal de alerta imediato?

Qualquer dor no peito que aperta, pesa ou queima, especialmente se vier acompanhada de falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar, deve ser avaliada imediatamente. Dor no peito nunca deve ser normalizada. Diante da dúvida, é sempre melhor procurar atendimento médico.


Quando uma pessoa jovem deve procurar um cardiologista, mesmo sem sintomas?

Toda pessoa adulta deveria passar por uma avaliação cardiológica. Mas isso é ainda mais importante se houver histórico familiar de infarto precoce, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade ou estresse intenso. O acompanhamento não é apenas para tratar doenças, mas para evitar que elas apareçam.


Muito se fala sobre o chamado “sinal de Frank” na orelha do influenciador. O que é isso?

O sinal de Frank é um vinco diagonal no lóbulo da orelha. Estudos mostram que ele pode estar associado à presença de aterosclerose e maior risco de doença coronariana. Ele não é um diagnóstico, mas funciona como um marcador de alerta. Quando observamos esse sinal, é prudente investigar melhor o coração e os fatores de risco.


Ter esse sinal significa que a pessoa vai ter um infarto?

Não necessariamente. Ele não causa infarto nem confirma a doença sozinho. Mas indica que aquela pessoa pode ter maior risco cardiovascular. É como uma luz amarela no painel: não é certeza de problema, mas pede atenção e avaliação médica.


É possível prevenir infarto em pessoas mais jovens?

Na grande maioria dos casos, sim. O infarto não costuma ser um evento imprevisível. Controlar pressão, colesterol e glicemia, manter uma alimentação saudável, praticar atividade física, dormir bem, controlar o estresse e não fumar são medidas extremamente eficazes. Prevenção salva vidas.


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Genética e estilo de vida andam juntos. Você pode ser ativo, mas se tiver uma predisposição, hábitos de vida não saudáveis ou um nível de estresse elevado, o risco existe. Não espere o motor parar para abrir o capô. Prevenir ainda é o melhor tratamento.

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