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Estado de Minas ATRIZ EM ALTA

"Troquei meus médicos brancos por negros", diz Drica Moraes

Em entrevista, atriz de "Sob pressão" ainda afirma que burguesia não consegue assistir a algo que saia de seu controle


12/09/2021 04:00 - atualizado 12/09/2021 09:41

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Em "Sob pressão", Drica Moraes é a médica Vera, mãe de Leonardo (João Vitor Silva), viciado em anfetamina (foto: João Faissal/globo)

"Tem gente que não aguenta ver ("Sob pressão"). Geralmente, é o público que é da burguesia e não consegue assistir a algo que saia de seu controle""


Drica Moraes passou por cima do medo de trabalhar durante a pandemia da COVID-19 para dar vida, novamente, à pragmática doutora Vera de “Sob pressão”. Na quarta temporada da série global, a infectologista tem de lidar com o vício do filho Leonardo (João Vitor Silva) em anfetamina. Na trama, o personagem chega a falsificar a assinatura da mãe para conseguir medicamento controlado, a fim de melhorar sua concentração e, assim, tentar passar no vestibular.

Na entrevista a seguir, a carioca de 52 anos comenta como foi o processo de gravação da temporada, como lidou com os rígidos protocolos impostos pela COVID e fala sobre a aproximação entre Vera e o filho na ficção. Atualmente, a atriz está no ar também na reprise de “Verdades secretas” e foi vista, por um bom tempo, como a ardilosa Cora de “Império”, antes de ser substituída por Marjorie Estiano. Por fim, Drica revela o que a motivou a trocar seus médicos brancos por profissionais negros.

Como foi voltar a gravar “Sob pressão” em meio à pandemia?

Posso falar sobre a sensação de tensão, porque filmamos ainda com a vacinação atrasada. Então, os protocolos eram muito rígidos. Tinha o medo real de contágio, de ficar doente e falecer. Estávamos impregnados dessa nuvem de mistério do vírus. Isso nos deu peso maior com relação aos personagens. Os casos dos pacientes são os de uma sociedade adoecida. A gente tremia o tempo todo trabalhando e imaginando que aquilo tudo era real.

Como você vê a relação da Vera com o filho na nova leva de episódios?

A história de ter um filho como protagonista da vida, isso é muito meu. No caso da ficção, o Leonardo (João Vitor Silva) é o entorpecido. Ele aparece viciado, e isso traz perturbação. É a confirmação de que ninguém escapa do mundo das drogas, de algo que nos alivie. Essa questão é uma pauta que nunca pode deixar de ser discutida, porque a gente tenta enfiar goela abaixo, mas o Rivotril está aí, o cigarro, o álcool, a anfetamina...

Os temas abordados na série são debatidos pelo público. Como esse conteúdo atinge as pessoas?

“Sob pressão” bota um olhar sobre a carência escancarada da saúde pública e tem gente que não aguenta ver. Fala que ama a série, mas não vê. Geralmente, é o público que é da burguesia e não consegue assistir a algo que saia de seu controle, porque na classe social dele não tem aquilo, então prefere não se misturar. Ou são idosos que não aguentam mais sofrer vendo os episódios.

Como você analisa a entrada definitiva do David Junior em “Sob pressão” como neurologista?

Foi tão curiosa a escalação do David Junior como Mauro, um ator negro ocupando o espaço geralmente dado a um branco. Eu, como mãe de um filho preto (Mateus, de 12 anos), resolvi ter a ação afirmativa de trocar todos os meus médicos brancos por negros. Só não mudei meu oncologista, porque devo minha vida a ele. Um mundo se abriu para mim, o de pessoas que estão ralando há anos.  


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