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Estado de Minas

Juliana Paes relembra Bibi Perigosa, sua mais famosa personagem

Em entrevista, atriz diz que A força do querer, novela de Gloria Perez, jamais quis glamorizar a vida no crime e, sim, mostrar a realidade


10/01/2021 04:00 - atualizado 08/01/2021 17:56

 
Em A força do querer, Juliana Paes dá vida a Bibi Perigosa, mulher de Rubinho (Emílio Dantas). Personagem povoa imaginário popular(foto: Maurício Fidalgo/GLOBO )
Em A força do querer, Juliana Paes dá vida a Bibi Perigosa, mulher de Rubinho (Emílio Dantas). Personagem povoa imaginário popular (foto: Maurício Fidalgo/GLOBO )

" Fiz descobertas com os meus filhos que, talvez, não teria feito em outro contexto (sem a pandemia). Antônio e Pedro não vão ter essa idade de novo. Fizemos tie-dye, biscoito, vimos filmes"

Juliana Paes, atriz


Juliana Paes tinha o plano de descansar a imagem da televisão em 2020. Mas as reprises não permitiram. Durante boa parte do ano, a atriz apareceu como a antagonista Carolina na reprise de Totalmente demais (2015 a 2016), na Globo. No segundo semestre, veio a dobradinha com a empregada Ritinha, de Laços de família (2000 a 2001), sua estreia na telinha e atualmente exibida no Vale a pena ver de novo; e a Bibi, de A força do querer (2017), no ar às 21h, que entra no mundo do crime por causa do marido, Rubinho (Emílio Dantas).

A personagem marcante da trama de Gloria Perez foi inspirada na história real de Fabiana Escobar, que escreveu o livro Perigosa. Bibi repercute tanto entre as pessoas que não é estranho a intérprete ser chamada pelo nome dela entre os fãs da novela. Mesmo já tendo outro recente papel de sucesso, a Maria da Paz de A dona do pedaço (2019), o público mantém Bibi Perigosa viva no imaginário. Na entrevista a seguir, a atriz de 41 anos fala sobre as reapresentações de trabalhos importantes na carreira e das cenas difíceis de A força do querer, atual folhetim das 21h da Globo e um sucesso. Ela ainda relata como enfrenta o isolamento social nesta pandemia. A atriz já testou positivo para a COVID-19.
Em Laços de família, clássico de Manoel Carlos, atriz fez sua estreia na telinha com a empregada Ritinha(foto: Roberto Steinberger/globo)
Em Laços de família, clássico de Manoel Carlos, atriz fez sua estreia na telinha com a empregada Ritinha (foto: Roberto Steinberger/globo)

Em 2020, o público teve uma "overdose" de Juliana Paes, por causa das reprises em Totalmente demais, Laços de família e A força do querer. Como se sentiu?
Estava conversando com o pessoal do meu fã-clube e eles me zoaram, porque tinha falado que ia descansar a imagem. Ou os projetos e as personagens foram muito legais, ou eu não parei de trabalhar e a "casa" já não tem mais produções sem a minha escalação (risos). Brincadeiras à parte, fico lisonjeada, pois isso tem a ver com uma trajetória de muita dedicação.

Quais foram as cenas mais difíceis de A força do querer?
Tive muitas cenas marcantes e difíceis, como as sequências de correria na Tavares Bastos (comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro). Diferentemente do que falaram na época, a gente não queria a glamourização da vida no crime Queríamos estar próximos da realidade.

O que fez A força do querer ser uma novela de sucesso?
Os personagens são os responsáveis pelo sucesso de uma trama. Englobo nesse quesito o trabalho do ator, autor, diretor, editor, de todo mundo junto. Quando você tenta se lembrar de um filme que amou, acaba pensando nos personagens. Você pode esquecer o nome do filme, do intérprete, mas fica quem te tocou naquela história.

Laços de família foi a sua primeira novela. Seu aprendizado foi intenso nessa novela?
Sim! Estou muito feliz de poder falar sobre essa novela, 20 anos depois, e fazer um agradecimento especial a Marieta (Severo). Ela tem um papel fundamental na minha carreira e, talvez, não saiba. Não tive uma formação profissional. Fui uma cria da casa, que aprendeu fazendo, tomando bronca mesmo.

De que forma a Marieta Severo te ensinou?
Na sequência em que a Alma descobre que Rita está grávida e ela vai me dar um sacode, estava escrito: "Rita chora muito". Não sabia fazer isso e fiquei três noites sem dormir, pensando a respeito. Quando Marieta me segurou pelos braços, senti a emoção brotar de verdade. Ali, entendi que não tem de pensar em nada. Tive muita timidez de contar isso para ela depois, mas sou muito grata por esse momento.

Como se sentiu quando soube que a Ritinha ia morrer em Laços de família?
Quando recebi o texto, fiquei absolutamente triste. Mas, depois, comecei a perceber a repercussão. Morrer em uma novela do Maneco (Manoel Carlos) é sucesso. Na época, saiu um monte de notícias de que a personagem tinha eclampsia, que não fazia o pré-natal. Enfim, começou um burburinho sobre ela e percebi que era melhor aquilo do que se nada acontecesse. Amei a morte da Ritinha.

Como você vive esse período de isolamento social imposto pela pandemia junto com a família?
A gente, que está sempre trabalhando fora de casa, teve a oportunidade desse convívio muito intenso com a família. Existe o lado complicado da convivência forçada, mas também tem uma parte maravilhosa. Fiz descobertas com os meus filhos que, talvez, não teria feito em outro contexto. Antônio e Pedro não vão ter essa idade de novo. Fizemos tie-dye, biscoito, vimos filmes... Mas, falando só de mim, o que me ajudou a não enlouquecer foram duas coisas: ver conteúdos na televisão que são completamente diferentes da minha realidade e a filosofia.  


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