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Estado de Minas VIOLÊNCIA

Violência obstétrica: o que é, como identificar e como denunciar

Violência obstétrica atinge diretamente as mulheres e pode ocorrer durante a gestação, parto e pós-parto. Tema veio à tona após anestesista abusar de paciente


13/07/2022 07:48 - atualizado 15/07/2022 14:31

Obstetra consulta paciente expectante na consulta de check-up. clínico geral e mulher
Qualquer tipo de violência deve ser denunciada (foto: Freepik/Divulgação)

Um vídeo divulgado na internet mostra o anestesista Giovanni Quintella Bezerra abusando de uma paciente enquanto estava anestesiada durante o parto por cesariana. O fato, que aconteceu no Hospital da Mulher Heloneida Studart, no Rio de Janeiro, é mais um entre os incontáveis casos de violência obstétrica cometidos contra a mulher.

 

violência obstétrica atinge diretamente as mulheres e pode ocorrer durante a gestação, parto e pós-parto. É o desrespeito à mulher, à sua autonomia, ao seu corpo e aos seus processos reprodutivos.

 

"Esse ato pode se manifestar por meio da violência verbal, física ou sexual e pela adoção de intervenções e procedimentos desnecessários e/ou sem evidências científicas. Afeta negativamente a qualidade de vida das mulheres, ocasionando abalos emocionais, traumas, depressão, dificuldade na vida sexual, entre outros", afirma Rogéria Werneck, médica ginecologista e obstetra, mestre e doutora em Saúde da Mulher pela UFMG e médica do Hospital das Clínicas da UFMG e Instituto Orizonti.

 

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Rogéria Werneck Médica Ginecologista e Obstetra, mestre e doutora em Saúde da Mulher pela UFMG e médica do Hospital das Clínicas da UFMG e Instituto Orizonti.
Rogéria Werneck, médica ginecologista e obstetra (foto: Vinicius Matos/Divulgação)
De acordo com a profissional, a violência obstétrica é praticada por quem realiza a assistência obstétrica, ou seja, médicos(as), enfermeiros(as), técnicos(as) em enfermagem, obstetrizes ou qualquer outro profissional que preste, em algum momento, esse tipo de assistência.

 

Como identificar?

 

Existem várias formas de o servidor da saúde ser prejudicial à mulher. A paciente não pode ser desrespeitada ou não informada sobre quaisquer procedimentos. A médica cita alguns exemplos:

 

  • Abuso físico, sexual ou verbal
  • Qualquer tipo de discriminação
  • Fazer um procedimento sem necessidade e sem o consentimento da mulher 
  • Desrespeitar as decisões da gestante
  • Não permitir acompanhante

 

 

Rogéria recomenda que a gestante visite a maternidade/hospital antes do parto. "É um direito da gestante e com isso ela já se informa sobre as práticas adotadas pela instituição hospitalar", afirma.

 

Outra dica da especialista é que as futuras mamães entreguem ao hospital, com antecedência, o plano de parto que, segundo ela, é um documento, recomendado pela Organização Mundial da Saúde, feito com indicações do que a mulher deseja para o parto.

 

"O ideal é que a mulher construa o plano de parto juntamente com os profissionais de saúde que a atendem, porque é uma forma de estabelecer o diálogo sincero e transparente entre as partes envolvidas. Além disso, tenha sempre um acompanhante, pois a presença de outra pessoa, sem dúvidas, previne a violência obstétrica", declara Rogéria.

 

Como denunciar?

 

As más práticas devem ser denunciadas na Secretaria de saúde em que reside ou na ouvidoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em caso de ser beneficiária de plano de saúde, a denúncia também deve ser feita nos conselhos de classe.

 

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"Em regra, aquela que sofreu um dano em razão da prática de violência obstétrica, tem o prazo de 3 anos contados da data dos fatos para promover ação judicial buscando reparação", finaliza Rogéria.

 

* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie. 


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