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Estado de Minas

'Não consigo esconder a alegria de ele ter caído', diz deputado do Novo sobre exoneração de Custódio Mattos

Bartô (Novo) usou plenário da Assembleia para dizer que ex-secretário de Governo de Romeu Zema (Novo) não trabalhou bem na missão de construir uma base sólida do Executivo na Assembleia


postado em 20/08/2019 18:11 / atualizado em 20/08/2019 18:29

Bartô disse que lutou para derrubar o secretário do PSDB(foto: Willian Dias/ALMG )
Bartô disse que lutou para derrubar o secretário do PSDB (foto: Willian Dias/ALMG )

A repentina saída de Custódio Mattos (PSDB) da Secretaria de Governo da gestão Romeu Zema (Novo) dividiu o PSDB mineiro esquentou o plenário da Assembleia Legislativa na tarde desta terça-feira. Colegas de partido  usaram o microfone para reclamar do que chamaram de “rasteira” no ex-secretário. 

O primeiro a reclamar foi João Leite (PSDB). “Ninguém faz o que o governador fez ontem, qualquer que seja o ser humano. Espero uma explicação deste governo”, afirmou o tucano. 

Para ele, a saída de Custódio Mattos é um exemplo de “política mesquinha”. “Armaram alguma coisa sordidamente que não sabemos, e nem quero saber, e foi apresentada a cabeça de Custódio Mattos à mesa”, completou. 

O deputado Tito Torres (PSDB) fez côro: “Vamos exigir desse governador um pouco mais de transparência e seriedade”. “Como a gente vai confiar em um governo que dá uma apunhalada em uma pessoa que assumiu o governo, indicado pelo próprio governador, e ele faz isso de uma hora para a outra”.

O clima esquentou mesmo quando o deputado Bartô (Novo) pediu a palavra para comemorar a troca no comando da Secretaria de Governo. “Não consigo esconder a alegria de ele ter caído. Foi uma luta muito grande minha para derrubar ele (sic), e todos os meus esforços caminharam nesse sentido”, disse. 

De acordo com o parlamentar, a demissão de Custódio Mattos foi feita de forma respeitosa e pelo fato de ele não ter prestado um “trabalho bem feito”. Cabia ao tucano a missão de costurar uma base sólida do Executivo no Legislativo.

Restou a Guilherme da Cunha (Novo), mais comedido, esfriar os ânimos. O parlamentar afirmou que entendia a surpresa e insatisfação dos tucanos com o episódio envolvendo o ex-secretário de Governo e agradeceu o trabalho feito até segunda-feira por ele. “Não vejo com alegria essa queda e também não colaborei para ela”. 

Em carta enderaçada a Custódio Mattos e divulgada à imprensa, o governador Romeu Zema (Novo) agradeceu ao ex-secretário os “relevantes” serviços prestados e a dedicação e empenho que resultaram na assinatura do acordo com os municípios e a aprovação da reforma administrativa na Assembleia Legislativa.

Interessante

Em entrevista à imprensa, o líder da maioria na Assembleia, Gustavo Valadares (PSDB), argumentou que as nomeações para o secretariado são escolhas pessoais do governador, que tem “o direito de constituir sua equipe a qualquer tempo e qualquer hora”. 

“A maneira como foi feita não foi a mais interessante e justa. Mas acredito que nem o próprio governo tenha planejado dessa forma”. 

Em nota,  o presidente estadual do PSDB, Paulo Abi-Ackel, afirmou que o partido não se manifestou na ocasião do convite a Custódio Mattos para assumir cargo no governo, portanto, não se manifestará agora.

“O PSDB reafirma sua condição de independência  em relação ao governo e reafirma que sua bancada de deputados estaduais permanece com inteira liberdade para votar a favor ou contra matérias de interesse do governo de acordo com a consciência de cada um”, diz o texto.

Consultoria


A exoneração de Custódio Mattos foi publicada na edição de ontem do Minas Gerais. A expectativa é que a vaga seja ocupada pelo deputado federal Bilac Pinto (DEM), convidado para assumir o cargo na segunda-feira, durante reunião com o governador Romeu Zema. 

O anúncio do nome do democrata deve ser feito na sexta-feira, já que, segundo fontes do governo, ele pediu uns dias para preparar a saída da Câmara dos Deputados. 

A troca teria sido articulada com influência do presidente da Assembleia, deputado Agostinho Patrus (PV), como uma forma de melhorar o clima na Assembleia para a tramitação das propostas de ajuste fiscal que serão enviadas à casa. Também atenderia a integrantes do Novo, que reclamavam da grande ascendência do PSDB no governo. 

Primeiro suplente da coligação que reuniu PSDB, PSD, Solidariedade, PPS, DEM e PP nas eleições de 2018, o ex-deputado Marcus Pestana ainda não decidiu se assumirá a vaga. O próximo da fila é o também ex-deputado Fabiano Tolentino. 


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