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Estado de Minas TEMOR

COVID: após apelo por ajuda, prefeitos esperam aceno do Ministério da Saúde

Avanço da Ômicron faz crescer a necessidade de testes, insumos e ampliação da rede assistencial; em Minas, prefeituras recuam para suportar demanda


06/01/2022 19:24 - atualizado 06/01/2022 20:06

O médico Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, de máscara e colete do SUS, durante evento em Brasília
Apelo de prefeitos à pasta de Queiroga (foto) é para se antecipar a impactos da Ômicron (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A pressão enfrentada pelo sistema de saúde no início do ano passado ainda está na memória. Por isso, em meio ao avanço da variante Ômicron, que já causou uma morte no Brasil, prefeitos tentam se antecipar aos efeitos da COVID-19 e se preparar para dar assistência aos que procuram ajuda médica. Nesta quarta-feira (5/1), o Consórcio Conectar, formado por 2 mil gestores municipais, enviou ofício ao Ministério da Saúde pedindo apoio para ampliar a testagem e expandir a capacidade de atendimento aos pacientes.

O grupo busca, também, ajuda na garantia do estoque de Tamiflu, remédio essencial para atravessar o momento de subida no número de quadros gripais. Apesar das reivindicações, ainda não houve resposta do governo federal.


O crescimento das estatísticas do coronavírus preocupa as cidades. Além do ofício enviado à Saúde federal, integrantes do Consórcio Conectar, organizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), se articulam para fazer um apelo público, em vídeo. Um dos vice-presidentes da aliança é Duarte Nogueira (PSDB), prefeito de Ribeirão Preto (SP). Após um dia inteiro sem respostas ao ofício, ele cobra agilidade do governo Jair Bolsonaro (PL).

"É um prazo enorme. Um dia de atraso na chegada do antigripal é um dia a menos que tenho de êxito no tratamento de quem, eventualmente, está com a síndrome gripal. Um dia de atraso nos testes, é mais gente que não vou poder separar entre os que estão – ou não – com COVID. Então, o nível de contaminação continua alto", diz Nogueira, ao Estado de Minas.

Em Belo Horizonte, por exemplo, a taxa de transmissão da infecção está em 1,15, o que significa que 100 pessoas podem contaminar outras 115. O índice, que já ficou abaixo de 100, agora representa estado de atenção. O nível de incidência também subiu vertiginosamente e, agora, está em 110,4.

Para dar conta da demanda, a administração belo-horizontina retomou o expediente de consultas virtuais e abriu 66 novos leitos de enfermaria. Postos de saúde têm funcionado em horário estendido para dar conta da procura.

Entre os prefeitos, porém, a percepção é que o Ministério da Saúde precisa agir para assegurar, à rede assistencial, as ferramentas necessárias. 

"Há uma variável que nós, prefeitos, não controlamos: a disponibilidade de insumos, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde. Daí a razão do nosso contato, para que nos mandem o Tamiflu, antigripal, e os testes, para a gente poder, na ponta, no mundo real, onde as coisas acontecem, evitar o máximo possível de danos maiores à saúde das pessoas", explica Duarte Nogueira.

Aprendizado na dor


Depois do cenário de extrema dificuldade enfrentado no ano passado, a ideia é minimizar os impactos. "A curva de aprendizagem que a gente aprendeu na dor nos dá, agora, uma visão de planejamento, prudência e previdência muito maior", afirma o prefeito de Ribeirão Preto. "Essa curva nos dá, agora, um pouco mais de segurança para tomar as decisões corretas em função de tudo o que a gente passou", emenda.

Das três reivindicações feitas à pasta chefiada pelo médico Marcelo Queiroga, os exames de COVID-19 e o Tamiflu são considerados mais urgentes. Por causa da profusão de sintomas gripais, separar os portadores de síndrome respiratória dos contaminados pelo coronavírus é primordial.

A medicação antigripal também é vista como essencial. Há, também, preocupação sobre a data de validade das caixas de Tamiflu no estoque federal. "Passadas as 48 horas, não adianta mais. O Tamiflu não tem efeitos a longo prazo, depois que a doença se instalou", pontua Nogueira.

O Estado de Minas perguntou ao Ministério da Saúde se há prazo para dar resposta ao ofício do Consórcio Conectar, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. 

Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto
Prefeito de Ribeirão Preto (foto) é uma das principais vozes de consórcio de cidades (foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados )


Minas: em meio a nova cepa, cidades buscam desafogar sistema 


A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) já registrou 166 casos de COVID-19 provenientes da Ômicron, que circula em ao menos 22 municípios. Belo Horizonte contabiliza a maior proporção de casos da variante (76), seguida por Extrema (19), no Sul de Minas, e Pouso Alegre (17).

Minas afora, cidades dão passos atrás nas flexibilizações a fim de conter o vírus. Para além dos cancelamentos do carnaval, medida tomada inclusive na capital, há medidas como o cancelamento das aulas presenciais na Universidade Federal de Lavras (UFLA), no Sul de Minas. Perto dali, em Alfenas, o hospital de campanha vai ser reaberto. A região tem registrado aumento de 400% na média diária de casos.

Em Uberaba, no Triângulo, as visitas a internados nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estão temporariamente vetadas. Patos de Minas, no Alto Paranaíba, por sua vez, vai aproveitar uma antiga casa de saúde para concentrar testes e desafogar outras unidades.

A Ômicron faz ser impossível, neste momento, prever a realização da folia momesca. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, as aglomerações de Natal e ano-novo fazem com que haja tendência de aumento rápido de casos da cepa.

"Temos uma tendência de diminuição de óbitos em relação à COVID-19 e continuamos com menos paciente internados. No entanto, há uma tendência de aumento de casos novos por conta das aglomerações de final de ano e a expansão da variante Ômicron. Além disso, houve um relaxamento das medidas de proteção como distanciamento e uso de máscara, o que pode provocar um grande aumento no número de casos", afirmou, nesta quinta.

Ofício a Brasília diz que distanciamento geral é 'inviável'


O texto com as reivindicações do Consórcio Conectar leva a assinatura de Gean Loureiro (DEM), prefeito de Florianópolis (SC). No documento, endereçado a Rodrigo Cruz, secretário-executivo do Ministério da Saúde, o dirigente lembra que, em virtude do avanço da vacinação e do clamor popular por retorno à normalidade, é "inviável" adotar medidas como o isolamento horizontal e o distanciamento geral.

"Ainda que as cidades tenham continuado com a vigência de diferentes medidas de contenção do espalhamento do vírus, a testagem rápida da população é o caminho para identificarmos com a velocidade necessária os indivíduos que precisam ser isolados e acompanhados", pede o grupo.

Movimento intenso na UPA Odilon Behrens, em BH, no primeiro dia do ano
Em BH, quadros gripais e COVID-19 têm aumentado a procura por atendimento médico e unidades estão cheias (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


Com informações de Roger Dias, Portal Gerais, Vinícius Lemos, Magson Gomes, Luiz Fernando Figliagi e Renato Manfrim


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