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Estado de Minas VIVENDO NO ESCONDERIJO

O virologista belga que está na mira de um atirador de extrema-direita

Muitos cientistas foram atacados durante pandemia, mas a família de Marc Van Ranst precisou se refugiar num esconderijo secreto


05/06/2021 20:05 - atualizado 06/06/2021 08:14


A busca pelo fugitivo Conings começou quando ele fugiu, na metadee maio(foto: Getty Images)
A busca pelo fugitivo Conings começou quando ele fugiu, na metadee maio (foto: Getty Images)

Há quase três semanas, o principal virologista da Bélgica está morando em um esconderijo com sua esposa e o filho de 12 anos, vigiado o tempo todo por agentes de segurança.

Embora cientistas de várias partes do mundo tenham sofrido ataques durante a pandemia, a ameaça ao professor Marc Van Ranst é mais séria do que a maioria dos casos.

Ele foi alvo de Jürgen Conings, um ex-soldado de extrema direita que jurou vingar-se de virologistas e apoiadores do lockdown, política pública necessária para conter a transmissão do coronavírus e o colapso dos sistemas de saúde.

O militar é instrutor de tiro e está fugindo com um lançador de foguetes e uma metralhadora. A polícia belga não consegue encontrá-lo.

"A ameaça era muito real", diz o professor Van Ranst, ao reviver a noite de 18 de maio, quando ele e sua família foram levados para um esconderijo.

"O ex-soldado, fortemente armado, ficou três horas na minha rua, bem na frente da minha casa, esperando que eu chegasse do trabalho."

Naquela noite, a polícia disse que Conings deixou seu quartel com um carregamento de armas pesadas e foi direto para a casa do virologista.

Van Ranst retorna do trabalho justamente no horário em que o homem estava esperando por ele. Mas nesta ocasião ele voltou um pouco mais cedo e já estava dentro da residência com a família.

"Infelizmente, ele é um franco-atirador treinado com equipamento pesado, com material de nível militar e diversas armas", detalha o cientista.

"E esse é o tipo de pessoa que preferiria que não estivesse me caçando", completa.

'Não estou com medo, apenas tomando cuidados'

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A reportagem da BBC tinha planejado uma entrevista com o virologista por meio do aplicativo Zoom.

Horas antes, porém, veio o aviso: não seria possível mostrar o rosto de Van Ranst e o ambiente em que ele se encontra.

O especialista não pode sair ou mesmo se aproximar das janelas.

Os serviços de segurança da Bélgica estão fazendo todos os esforços para manter em segredo a localização do professor e de sua família.


Por mais de um ano, Marc Van Ranst tem sido o rosto público da resposta científica da Bélgica à covid-19(foto: Getty Images)
Por mais de um ano, Marc Van Ranst tem sido o rosto público da resposta científica da Bélgica à covid-19 (foto: Getty Images)

Apesar da ameaça à vida e das circunstâncias opressivamente estritas em que vive agora, o virologista que se tornou uma figura pública da Bélgica no combate à pandemia de covid-19 está calmo.

Ele até faz piadas sobre trabalhar em casa, embora admita que a situação é extrema.

"Não estou com medo, apenas tomando cuidados. E meu filho de 12 anos é muito corajoso em relação a isso", conta.

"É uma situação bem surreal. Nesses momentos, saber é melhor do que não saber nada, até porque pelo menos posso tomar esses cuidados. O que me deixa louco é que meu filho precisa ficar trancado dentro de casa há quase três semanas. Isso eu realmente odeio."

Quem é o fugitivo?

As autoridades belgas descrevem Jürgen Conings como um homem muito perigoso e violento.

Ele já estava em uma lista de terroristas na Bélgica em razão de suas crenças políticas de extrema direita. Quando ele desapareceu do quartel, uma mensagem escrita não deixou dúvidas de que os virologistas eram os seus alvos.

"A chamada elite política e agora também os virologistas decidem como você e eu devemos viver", diz o texto.

"Eles semeiam ódio e frustração. Não posso viver com as mentiras."

Em uma época em que é fácil culpar os portadores de más notícias, o professor Van Ranst vê alguma inevitabilidade em estar nessa situação surreal.

"Se você vai à televisão algumas vezes por dia durante meses a fio, as pessoas ficam enjoadas e cansadas de você. Isso é inevitável", diz.

"Há um grupo de indivíduos que odeia a ciência e os cientistas. Muitas vezes, eles estão com medo e inseguros."

Nos dias que se seguiram ao desaparecimento de Conings, um grupo de apoio ao ex-soldado foi criado no Facebook.

Antes de ser fechada, a página já reunia cerca de 50 mil membros.

E esse grupo preocupa mais o professor Van Ranst do que seu agressor.


Milhares de belgas expressaram apoio ao fugitivo armado Jürgen Conings(foto: Getty Images)
Milhares de belgas expressaram apoio ao fugitivo armado Jürgen Conings (foto: Getty Images)

O virologista chegou até a desafiar os apoiadores de Conings numa troca de mensagens pelo Telegram.

Mais tarde, ele entendeu que isso não era necessariamente a coisa mais inteligente a se fazer.

De certa maneira, a atitude revela o quão zangado ele está.

"São pessoas reais, que realmente acham que este homem é um herói e que eu mereço morrer. São indivíduos de verdade, que moram nossa vizinhança, que apostam exatamente quando e com quantas balas ele vai me matar", desabafa.

A polícia belga está fazendo uma verdadeira caça ao ex-soldado.

Centenas de oficiais, helicópteros e caminhões militares já vasculharam hectares de terra.

Até um grande parque nacional perto da fronteira com a Holanda foi isolado como parte da busca.

Mas os agentes não parecem estar próximos de encontrar o criminoso.

'Nada a dizer'

As autoridades admitem que não sabem onde Conings está e que não há pistas desde o dia em que ele desapareceu.

Representantes da polícia local aceitam que o ex-soldado pode até estar em outro país agora.

Em uma nota, o fugitivo disse que estava preparado para uma batalha mortal com a polícia.

Os responsáveis pela investigação também confessam que erros foram cometidos, e que é necessário responder sobre como um militar em uma lista de vigilância de terroristas teve acesso a um depósito de armas.


As forças de segurança procuraram o instrutor de tiro desaparecido por três semanas(foto: Getty Images)
As forças de segurança procuraram o instrutor de tiro desaparecido por três semanas (foto: Getty Images)

E essas questões sem respostas oferecem pouco conforto ao professor Van Ranst, que permanece refém em seu esconderijo.

"Você pode se esconder praticamente para sempre, se realmente quiser. Existem muitas maneiras de desaparecer, especialmente se você deixar o país."

Quando perguntado sobre se teria algum recado a deixar para Conings, o virologista é taxativo:

"Não tenho nada a dizer a ele. Por que eu iria querer ter uma conversa com uma pessoa que me odeia e quer me matar?"

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Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

 

Os chamados passaportes de vacinação contra a COVID-19 estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países.

O sistema de controle tem como objetivo garantir o trânsito de pessoas imunizadas e fomentar o turismo e a economia.  


Especialistas dizem que os passaportes de vacinção impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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