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Estado de Minas TORTURA E VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

Maus-tratos: investigação em asilo de MG aponta 10 mortos e mais 48 vítimas

Conforme inquérito concluído pela Polícia Civil, 'alguns enfermos sofriam por horas, dias, até vir a óbito' em uma casa de acolhimento em Divinópolis


18/01/2023 23:17 - atualizado 19/01/2023 01:06

Fachada da Casa de acolhimento intitulada Obras Assistenciais São Vicente de Paulo
Casa de acolhimento intitulada Obras Assistenciais São Vicente de Paulo foi interditada após inspeção da Vigilância Sanitária do município em 12 de abril do ano passado (foto: Google Street View/Reprodução)
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou nesta quarta-feira (18/1) o resultado do inquérito instaurado para apurar denúncias de maus-tratos na casa de acolhimento intitulada Obras Assistenciais São Vicente de Paulo, localizada em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. As autoridades contabilizaram 58 vítimas, sendo que 10 delas morreram por falta de assistência médica. Foram indiciadas 15 pessoas – incluindo o presidente da instituição à época. 
 
As denúncias vieram à tona em abril do ano passado. Ao longo de nove meses de apurações, a Polícia Civil mineira ouviu mais de 30 pessoas. Os resultados das perícias e laudos médicos foram anexados ao inquérito, que agora será remetido à Justiça. 

Maus-tratos e tortura foram constatados por meio de perícia médica. Alguns internos eram mantidos em cárcere privado, trancados em quartos com grade e cadeados. Também havia violência psicológica com ameaças de castigos. O espaço, que atendia 81 idosos, foi interditado pela Vigilância Sanitária do município após uma inspeção realizada em 12 de abril do ano passado.  
 


“Alguns enfermos sofriam por horas, dias, até vir a óbito”

Em coletiva à imprensa, a delegada do caso, Adriene Lopes, explica que alguns dos institucionalizados, em especial os mais vulneráveis acometidos de distúrbios psiquiátricos, eram mantidos em ambientes insalubres, sem acesso à água e ao vaso sanitário. Deste modo, eles eram obrigados a fazer as necessidades básicas dentro de baldes.
 
“Alguns deles eram amarrados com contenções mecânicas sem prescrição médica. Também foi apurado que a instituição não tinha profissionais suficientes para cuidar dos internos como deveria”, explica Adriene, acrescentando que foram encontrados pacotes de fraldas descartáveis e medicamentos armazenados de forma inadequada. “Além disso, as seringas preparadas para serem injetadas não tinham qualquer identificação”, completa. 
 

Freira indiciada por 10 homicídios 

A delegada explica que, conforme relatos de testemunhas, a freira, de 54 anos, responsável pela instituição na ocasião, determinava a omissão ou inserção de informações falsas dos internos nos prontuários médicos e nas evoluções da enfermagem. “Desse modo, alguns enfermos sofriam por horas, dias, até vir a óbito”, explica. 

Logo, ela foi indiciada em virtude do homicídio doloso de 10 idosos e também por exercício ilegal da medicina, curandeirismo, cárcere privado, tortura e maus-tratos. A freira responderá ainda, junto com um médico, por falsidade ideológica. 
 
Ao todo, no rol de indiciamentos, estão 15 pessoas, incluindo o presidente da instituição à época, membros da diretoria e do conselho, técnicos e auxiliares de enfermagem, coordenadores e colaboradores que prestavam serviços no local. 


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