
Já está em liberdade o advogado Daniel Boczar Leão de 24 anos, suspeito de atropelar e matar a manicure Cássia Chaves, de 35 anos, depois de atropelá-la na Avenida Raja Gabaglia, na altura do Bairro Santa Lúcia. A mulher estava saindo de uma recepção e estava parada, com uma amiga, num ponto de ônibus, quando a BMW dirigida pelo advogado invadiu o passeio. Ela foi sepultada nesta terça-feira (1/3).
Daniel estava preso no Centro de Remanejamento Prisional (Ceresp), no Bairro Gameleira, e foi solto depois que seu advogado pagou a fiança determinada pelo juiz Marcelo Augusto Lucas Pereira, da primeira instância da Central de Flagrantes de Belo Horizonte, no valor de 10 salários mínimos, ou seja, R$ 12.120. O valor foi decidido na audiência de custódia, realizada na manhã de quarta-feira (2/2).
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Apesar de estar em liberdade, o juiz determinou que a carteira de habilitação do advogado seja suspensa pelo prazo de 90 dias, medida que será reavaliada após o fim do prazo. Além disso, o réu está proibido de se ausentar de Belo Horizonte por mais de 30 dias sem uma autorização prévia judicial. Ele também será obrigado a manter o endereço dele atualizado, e deverá comparecer a todos os atos do inquérito e ação penal que for instaurada.
O advogado do advogado, Bruno Correa Lemos, não se pronunciou sobre o caso e informou que somente se manifestará dentro do processo judicial.
O atropelamento
O acidente ocorreu no último dia 28 de fevereiro, quando a manicure saia de uma festa e estava na Avenida Raja Gabaglia, na altura do Bairro Santa Lúcia, Região Centro-Sul de BH, sendo colhida pela BMW.
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O motorista fugiu do local do acidente, sem prestar socorro. Cássia, a vítima, estaria em companhia de uma amiga, quando ocorreu o atropelamento. Teve morte imediata e o óbito foi constatado no local, pelos médicos do Samu.
O motorista, antes de ser identificado como autor do atropelamento, se dirigiu para uma base da PM, na Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, contando uma história que não convenceu os militares, a de que teria brigado com um flanelinha.
Ao investigarem a versão, os policiais descobriram que ela era falsa, principalmente porque as marcas encontradas no veículo eram compatíveis com as do acidente ocorrido em um atropelamento, justamente o da Raja Gabaglia. O advogado foi submetido a um teste de bafômetro, que apontou a embriaguez, com resultado de 0,56mg/l. O advogado foi detido e levado ao Detran.
A sentença de soltura
"Imperioso destacar que o enquadramento penal conferido pela autoridade policial, de crime na modalidade culposa, não autoriza a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, por mais grave que se considere a conduta em tese cometida, a teor do disciplinado no art. 313, I, do Código de Processo Penal, que prevê expressamente o cabimento da custódia cautelar tão somente nos casos de crimes dolosos cuja pena máxima seja superior a quatro anos", diz um trecho da decisão do juiz Marcelo Augusto Lucas Pereira, que estabeleceu a fiança. O advogado será julgado por homicídio culposo.
