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Estado de Minas AGRAVAMENTO DA PANDEMIA

COVID-19: médicos de Minas Gerais alertam para o colapso da saúde no país

Segundo os profissionais, a gravidade da pandemia e a negligência dos gestores deixam a população à mercê da doença


01/03/2021 20:39 - atualizado 01/03/2021 21:22

O Sinmed faz duras críticas ao governo federal na condução da pandemia no Brasil(foto: André Santos/PMU)
O Sinmed faz duras críticas ao governo federal na condução da pandemia no Brasil (foto: André Santos/PMU)
O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) divulgou, nesta segunda-feira (01/03), uma nota alertando para o colapso da saúde no país e preocupação com o agravamento da pandemia de COVID-19. 
 

Segundo a entidade, depois de mais de um ano dos primeiros casos de COVID-19 registrados no Brasil, a situação atual mostra dados estatísticos absurdos e críticos revelando que o colapso se instalou na saúde. Os profissionais lembram que mantemos a média móvel acima de mil mortos desde o dia 21 de janeiro, sendo o período mais longo já registrado.

“Diariamente, chegam-nos mais informações desoladoras: falta de leitos em todo o país, novas cepas do vírus com maior transmissibilidade e suspeitas de maior letalidade e resistência às vacinas, aumento das mortes entre os profissionais da saúde. Tudo isso, aliado à negligência e à incapacidade dos gestores em tentar reverter esse quadro tão caótico.”
 

Pior momento da pandemia  

O comunicado ressalta que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das entidades mais respeitadas no Brasil e no mundo em doenças infecciosas, apresentou um documento mostrando que “o Brasil vive o pior momento da pandemia da COVID-19 desde o primeiro caso de infecção registrado no país há um ano.”

A Fiocruz se baseia na alta das taxas de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em todo o Brasil, já que o índice atinge 80% ou mais em 17 estados e está acima de 90% em outros oito estados.

O sindicato lembra que, em Minas Gerais, o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde nesse domingo (28/2), mostrou o maior número de mortes para este dia da semana, com 134 notificações de óbitos nas últimas 24h. Belo Horizonte é o município com mais casos confirmados e mortes registradas no estado: 109.269 e 2.742, respectivamente.

A entidade afirma que “lamenta profundamente esse triste momento no qual a saúde se encontra, trazendo sérios prejuízos à população e aos profissionais da saúde. O colapso da saúde já está instalado em todo o país. Nossas esperanças não acabaram, mas não houve avanços significativos para que se evitasse o caos, com destaque para a gestão pública desastrosa.”

O Sinmed-MG ainda se diz indignado com a impostura do governo federal no processo de enfrentamento da doença ao contrariar a ciência, desestimular o uso de máscaras e de medidas restritivas, usar afirmativas de que a falta de leitos já existia antes da pandemia ou atribuir sua responsabilidade a outros.

E destaca que, desde o início da pandemia, luta pela categoria médica e pela assistência à saúde da população, além de se esforçar para mostrar a necessidade de gerir melhor a situação para evitar chegar “a tal ponto preocupante, assolador e triste.”

De acordo com o sindicato, foram tomadas várias ações jurídicas junto ao governo do estado, às prefeituras e ao Ministério Público ou por meio de ações educativas para a população.

Leia a nota na íntegra:

A situação é mais grave a cada dia e exige ação e seriedade!
O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais conclama a população para unir-se na luta contra a pandemia da COVID-19 e apela às autoridades públicas que se ocupem do seu devido papel, com responsabilidade.

O país alcança um ano de luta contra a pandemia de COVID-19 sem esboçar estratégias eficazes de controle e ainda com a perspectiva clara de agravamento. Ultrapassamos a triste marca de 250 mil mortos e batemos recordes diários de novos óbitos. No estado de Minas Gerais, o interior enfrenta o aumento acelerado do número de casos e de casos graves da doença, já com preocupante insuficiência na capacidade de assistência. Na capital a situação também não está sob controle.

A essa altura, é inadmissível que autoridades ou figuras públicas, de qualquer espectro político, ainda protelem tratar a situação com a seriedade e a coragem necessárias. 

O mundo inteiro se debruça sobre dados e pesquisas, apostando na ciência, na racionalidade humana, para buscar melhor controle dessa tragédia. Já é, há muito, passado o tempo para conjecturas e opiniões pessoais. 

O distanciamento social, o uso da máscara, a higiene respiratória e a vacinação têm produzido resultados positivos no restante do globo. Para almejar o mesmo sucesso, precisamos de liderança e responsabilidade nas falas e nos atos.  

O debate sobre tratamentos precisa deixar a esfera política e avançar no terreno que lhe é próprio, o da ciência, com humildade para vislumbrar novas alternativas e descartar opções de comprovada ineficácia ou inaceitável risco.

A atuação do Ministério da Saúde como orientador das estratégias de prevenção, vacinação e assistência tem se mostrado lenta neste momento dramático, desorganizada e tecnicamente insuficiente, muitas vezes subjugada a interesses políticos e ideológicos, agravando o quadro que já é dramático.

De outro lado, é importante destacar o nobre papel desempenhado pelas nossas Sociedades Médicas de Especialidade e nossa comunidade científica, que ajudam a iluminar os caminhos possíveis.   

Desejos individuais não podem prejudicar o bem coletivo. Somente juntos daremos fim à colheita diária que a morte e a dor fazem em nosso país - dentre os mortos, diversos profissionais de saúde, categoria de maior risco de contaminação. 

O SINMED-MG, mais uma vez se solidariza com as famílias das vítimas, alerta para gravidade da situação e se coloca à disposição para auxiliar em todas as iniciativas de defesa da saúde e da vida humana. 

Diretoria do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais - Sinmed-MG
 
*Estagiária sob supervisão do editor Álvaro Duarte
 

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.


transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Em casos graves, as vítimas apresentam:
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
  • Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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