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Estado de Minas

Partos em tempos de pandemia: veja o que mudou em uma maternidade de BH

Em tempos de pandemia, maternidade adota protocolos que incluem equipe médica e áreas exclusivas para gestantes com sintomas da doença


21/06/2020 06:00 - atualizado 21/06/2020 11:46

Do ingresso da gestante no hospital ao pós-parto, todas as etapas foram ajustadas para dar segurança a mães e bebês durante a pandemia da COVID-19(foto: Hospital Júlia Kubitschek/Divulgação )
Do ingresso da gestante no hospital ao pós-parto, todas as etapas foram ajustadas para dar segurança a mães e bebês durante a pandemia da COVID-19 (foto: Hospital Júlia Kubitschek/Divulgação )

 

Fluxo de triagem separado, equipe médica e suíte de parto exclusivas. A maternidade do Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, passou por uma série de adaptações para receber e tratar grávidas com suspeita ou confirmação da COVID-19, vindas de todo o estado. A diretora técnica do hospital, da rede pública de saúde de Minas, Inessa Beraldo Bonomi, detalha ao Estado de Minas como a instituição se preparou tanto para fazer o parto e o tratamento clínico de gestantes com segurança durante a pandemia. O protocolo é dividido em etapas, e começa já na triagem, seguindo até o pós-parto.

Segundo a diretora, o novo procedimento começa já na recepção da maternidade, no momento da triagem. “Fizemos um fluxo separado do habitual, ou seja, daquela paciente gestante não suspeita”, conta. No primeiro contato com a equipe de atendimento, a gestante passa por uma dupla triagem. “O atendente do guichê pergunta sobre sintomas respiratórios. Caso os apresente, essa paciente é encaminhada para um acolhimento de situação de risco.”

Neste momento, tanto a paciente quanto o acompanhante recebem máscaras e vão para um consultório separado. O próximo passo é uma investigação mais detalhada. “No consultório, a gente faz as medidas de temperatura e pressão, vê há quanto tempo existem os sintomas. Fazemos a avaliação tanto clínica, relacionada aos sintomas respiratórios, quanto da própria gestação”, explica a médica.

Após esse processo, há alguns caminhos que podem ser seguidos, de acordo com cada situação. Se é uma gestante que não vai ser internada para o parto, ela é encaminhada para uma enfermaria separada. “Ela pode precisar de ser internada porque está com alguma alteração relacionada à COVID-19 que vá precisar de investigação, coletar exame e teste, que a gente chama de tratamento clínico.”

Nessa enfermaria, cabem até cinco pacientes, mantendo a distância de 1,8m até 2m entre uma cama e outra. Se, por acaso, após os exames, alguma dessas suspeitas se confirmar, as pacientes são separadas mais uma vez. “É um processo bem-elaborado, para não misturar as suspeitas com as confirmadas”, explica Bonomi.

Para as gestantes que se aproximam da hora do parto, o procedimento é outro. Ela vai para uma sala de pré-parto, que também é um espaço só para gestantes com suspeita ou confirmação da COVID-19. Até quatro gestantes são acomodadas no mesmo local. “Não chegamos a ter o espaço todo preenchido. Só tivemos uma gestante por vez”, comenta Inessa. Ali, ela permanece até atingir a dilatação necessária para dar início ao parto. Em seguida, é encaminhada a uma suíte de parto.

O único espaço que é comum a todas as grávidas, com ou sem suspeita da COVID-19, é o bloco obstétrico, utilizado para fazer a cesariana. “Porém, é a última sala do bloco. Aí, a gente faz uma entrada separada para essas gestantes”, explica a diretora. Segundo ela, há duas portas de entrada. A gestante confirmada ou a que está com suspeita da doença não acessa a sala pelo mesmo local da paciente habitual. “A cada parto, o bloco é totalmente esterilizado, e as equipes de profissionais também mudam. A gente faz desinfecção terminal”, conta Inessa.

Profissionais exclusivos 


Os profissionais que atendem as gestantes que tenham COVID-19 também não se misturam com a equipe que cuida das mulheres sem suspeita da doença. “Não misturamos nem médicos, nem enfermeiros, nem técnicos em enfermagem que trabalham com as gestantes com síndrome respiratória gripal”, detalha. A equipe utiliza todos os equipamentos de segurança necessários.

Pós-parto


Esta é a última etapa da paciente, agora acompanhada do bebê, na maternidade. A enfermaria exclusiva é equipada com 10 leitos. Todos respeitando o distanciamento necessário, considerando, inclusive, a presença de um acompanhante. Ali, mãe e bebê recebem os últimos cuidados até a alta médica, e, finalmente, voltar para casa.

Desde o início da pandemia, O Hospital Júlia Kubitschek atendeu 54 grávidas com suspeita da COVID-19 para tratamento clínico. Até a segunda semana de junho, a instituição tinha realizado quatro partos de gestantes com confirmação da doença.

Segurança


Fluxo para evitar contaminação entre gestantes na maternidade do Hospital Júlia Kubitschek
 
 
1- Triagem
Gestante passa por triagem na recepção do hospital


2- Sintomáticas
As que tenham sintomas de COVID-19 vão para consultório separado, já com máscaras, onde são avaliadas por médicos


3- Gestantes que precisarem ser internadas para o parto vão para enfermaria, onde cabem até cinco pacientes, com distanciamento de segurança entre as camas. Os casos suspeitos são atendidos por equipe exclusiva


4- Durante o trabalho de parto, as gestantes com sintomas de COVID-19 vão para sala exclusiva, com quatro vagas, a menos haja necessidade de cesariana, quando são levadas para o bloco cirúrgico


5- No pós-parto, mãe e bebê vão para enfermaria exclusiva, com 10 leitos
 

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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