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Estado de Minas

Minas tem 248 cidades com incidência alta ou muito alta de dengue e Grande BH preocupa

Doença transmitida pelo Aedes aegypti leva governo do estado a editar decreto que permite ações especiais, em quadro em que já há mais de 140 mil casos prováveis


postado em 24/04/2019 06:00 / atualizado em 24/04/2019 19:39

Demanda é alta em UPAs de BH, uma das 25 cidades da região metropolitana em epidemia, com taxa de incidência alta ou muito alta da doença(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Demanda é alta em UPAs de BH, uma das 25 cidades da região metropolitana em epidemia, com taxa de incidência alta ou muito alta da doença (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

Dores nas articulações e nos olhos, febre alta, coceira pelo corpo. A cada dia, multidões de pacientes entram em consultórios de todo o estado – públicos e particulares – relatando esses sintomas. Reflexo de como a epidemia de dengue se espalha pelo território mineiro. Duas semanas depois de anunciar que editaria decreto de emergência para tentar deter o avanço da virose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o governador Romeu Zema oficializou a providência, em um quadro que já registra 248 cidades com incidência alta ou muito alta da enfermidade – quadro considerado epidêmico. A situação de emergência encontra um estado já com mais de 140 mil casos prováveis de contágio – que engloba diagnósticos confirmados e suspeitos – e 14 mortes comprovadamente causadas pelo vírus, além de 57 sob investigação.



A Região Metropolitana de BH, a mais populosa do estado, é alvo de preocupação especial. A Grande BH acumula 45% do total de registros e metade das mortes do estado. Dos 34 municípios, 25, incluindo a capital, estão em epidemia – taxa de incidência da doença projetada para grupos de 100 mil habitantes considerada alta (acima de 300) ou muito alta (acima de 500) – e outros cinco apesentam índice médio (acima de 100 casos/100 mil). As três maiores cidades do aglomerado urbano – BH, Betim e Contagem – tiveram que tomar medidas urgentes para atender a população doente.

A Grande BH registrou também metade das mortes confirmadas por dengue no ano. Dos 14 óbitos em Minas, seis ocorreram em Betim e outro em Ibirité. O decreto de situação de emergência em saúde pública vale para as áreas das macrorregiões Centro, que engloba a Região Metropolitana de BH, Noroeste, Norte, Oeste, Triângulo do Norte e Triângulo do Sul, e engloba 301 municípios. Reflexo de uma epidemia que avança a cada semana: no acumulado do ano já são 196 cidades com incidência considerada muito alta. Outras 52 estão com incidência alta e também em quadro epidêmico. A situação ainda pode se agravar, pois há ainda 104 municípios com incidência média da doença. No território mineiro, que contempla 853 municípios, apenas 193 não registraram notificações da doença.

A Secretaria de Estado da Saúde criou uma força-tarefa para ajudar as cidades em situação mais grave. “Articulamos várias frentes, como o envio de equipes da força-tarefa estadual, formadas por até 40 agentes, para as localidades com maior incidência da doença, além da disponibilização de veículos para aplicação de inseticidas a Ultra Baixo Volume (UBV) e mobiliário para montagem dos postos de hidratação, poltronas para hidratação, longarina (grupo de cadeiras para espera) e cadeiras para escritório, para funcionamento durante 24 horas”, destacou a diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), Janaina Fonseca Almeida. Os municípios de Betim, Unaí (Região Noroeste), e Iguatama (Centro-Oeste de Minas) já solicitaram itens para montar unidades de hidratação.

Dos 301 municípios contemplados pelo decreto de emergência, 46,8% apresentam incidência alta ou muito alta de casos prováveis. O decreto é justificado pelo aumento considerável de internações para tratamento da doença em comparação com o ano passado, e também pela necessidade de preparar e instrumentalizar a rede de serviços de saúde para aumentar a vigilância e assistência aos pacientes.

Com o decreto, será possível mobilizar recursos de forma mais ágil para enfrentamento do Aedes aegypti e estruturação de serviços de atendimento às pessoas infectadas pelo vírus causador da doença. O texto do decreto pontua que a epidemia, no contexto de restrição financeira do estado, pode gerar um colapso na saúde pública em razão do aumento da demanda sobre as unidades. De acordo com a publicação assinada pelo governador, a situação de emergência vale por 120 dias e autoriza a adoção de medidas necessárias à contenção da epidemia, “em especial a aquisição pública de insumos e materiais e a contratação de serviços estritamente necessários ao atendimento da situação emergencial”.

DINHEIRO O governo do estado anunciou que, por meio de resolução, a Secretaria de Estado da Saúde destinou R$ 4,18 milhões para as ações de combate à dengue, contemplando, no primeiro momento, 93 prefeituras. Os recursos são aplicados em ações como reforço de despesas com pessoal (entre elas contratação de agentes de controle de endemias e capacitações para profissionais na assistência hospitalar) e custeio e manutenção de atividades, como confecção e reprodução de material gráfico informativo, aquisição de material de apoio para ações de mobilização e mutirões de limpeza de áreas prioritárias.

Os municípios recebem valores para enfrentar o avanço da doença de acordo com a população. Até 25 mil habitantes, o repasse é de R$ 20 mil; de 25.001 a 70 mil habitantes, R$ 40 mil; de 70.001 a 100 mil habitantes, R$ 70 mil; de 100.001 a 400 mil habitantes, R$ 200 mil; e acima de 400 mil habitantes, R$ 400 mil.

VÍRUS Há quatro tipos de vírus da dengue. O que predomina neste ano é o Denv 2, que há anos não circulava por Minas Gerais. Por causa disso, muitas pessoas estão suscetíveis à doença, pois não produziram anticorpos contra ele. “Esse sorotipo é mais agressivo, passível de quadros com mais complicações e óbitos”, alertou a diretora de Vigilância Epidemiológica, Janaina Fonseca Almeida.


O risco na Grande BH
Confira as taxas de incidência na região metropolitana (nº de casos de cada município projetado para uma população de 100 mil habitantes)


Incidência muito alta

Cidade      Taxa de Incidência*
Mário Campos           5.418,56
Sarzedo                    4.484,08
Juatuba                    3.979,76
Betim                       3.550,60
Igarapé                    3.259,48
São Joaquim de Bicas 2.307,27
Florestal                    1.909,02
Sabará                      1.835,76
Lagoa Santa              1.860,82
Contagem                 1.560,53
Mateus Leme             1.396,19
Ibirité                       1.337,32
Jaboticatubas            1.097,79
Esmeraldas               988,60
Ribeirão das Neves     831
Belo Horizonte           817,80
São José da Lapa      726,96
Rio Manso                726,27
Matozinhos               685,83
Capim Branco           557,91
Nova União              542,15

Incidência alta
Caeté                      392,10
Rio Acima                 382,24
Pedro Leopoldo         322,94
Vespasiano               311,86

Média incidência

Confins                     225,33
Nova Lima                 187,01
Taquaraçu de Minas    147,97
Brumadinho               141,70
Santa Luzia               112,77
* Taxa acima de 300 casos prováveis por 100 mil habitantes é considerada epidêmica

140.754
É o total de casos prováveis de dengue em Minas, segundo o último balanço

63.572

É o total de casos prováveis de dengue nas cidades da Grande BH

45,16%
É o percentual de casos da Região Metropolitana de BH em relação ao total do estado

50%
Das mortes confirmadas no estado estão na Grande BH (sete das 14)

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