Publicidade

Estado de Minas

Polícia investiga agressão a travestis e tumulto na Avenida Afonso Pena

Episódio ocorreu na madrugada desta quinta e envolveu três rapazes. Testemunha denuncia que ataque foi motivado por homofobia, mas envolvidos dizem ter sido furtados


postado em 11/10/2018 17:04 / atualizado em 13/10/2018 18:37

A ocorrência foi no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Piauí(foto: Reprodução da internet)
A ocorrência foi no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Piauí (foto: Reprodução da internet)
A Polícia Civil investiga uma ocorrência envolvendo duas travestis e três homens, na madrugada desta quinta-feira, na Avenida Afonso Pena, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O relato ganhou as redes sociais depois da publicação de uma mensagem dizendo que uma travesti havia sido assassinada na avenida. No entanto, a Polícia Militar informou que foi registrado um boletim de ocorrência de furto e lesão corporal. Testemunhas afirmam que foi um episódio de transfobia, enquanto o registro policial e a versão dos acusados de agressão dão conta de que o episódio ocorreu após um furto.

De acordo com a PM, a ocorrência foi no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Piauí às 4h18. Ocupantes de uma viatura que estava na região foram informados de uma briga no local. Chegando lá, o trio que teria protagonizado a agressão, que tem 19, 24 e 37 anos, contou que seguia pela Avenida Afonso Pena em um carro particular quando foi abordado por duas travestis, uma loira e uma morena. Ela teria parado o veículo e se aproximado da janela, acariciando os ocupantes. Os homens disseram à polícia que perguntaram “se eram homens ou mulheres”, e que elas confirmaram ser travestis, antes de se afastar do veículo. Eles disseram à polícia que, nesse momento, perceberam que os celulares deles haviam sido levados.

Consta do boletim de ocorrência que eles desembarcaram e foram atrás das travestis para recuperar os aparelhos. Segundo o registro, elas começaram a correr e foram seguidas. A morena parou e colocou um celular no chão, enquanto a loira tropeçou e caiu. Um dos homens disse que se aproximou e perguntou a ela pelo celular, ao que ela respondeu que havia deixado no chão. A viatura chegou logo depois.

Uma das travestis, de 26 anos, segundo a polícia, nega o furto e disse que foi agredida com uma pedrada. Com um ferimento na cabeça, ela foi levada para o Hospital João XXIII. Os policiais disseram que encontraram um celular no chão, perto de onde ela caiu. A outra travesti citada pelos homens não foi localizada. A ocorrência foi encaminhada à Central de Flagrantes (Ceflan) 2, da Polícia Civil. 

Outra versão


Uma testemunha ouvida pela reportagem deu outra versão para o ocorrido. Ela pediu para não ser identificada e contou que uma pessoa que estava com ela na região se assustou ao ver a agressão. “A travesti gritou que tinham matado a outra, os carros começaram a parar, as prostitutas do outro lado da rua começaram a gritar. Ele falou que os rapazes desceram do carro e começaram a agredir as travestis, as duas”, relatou.

As duas testemunhas se aproximaram do local do tumulto, onde já estavam várias viaturas, e conversaram com garotas de programa sobre o que havia ocorrido. Mensagens que circulam pela internet dão conta de que a agressão teria sido cometida por apoiadores do candidato à Presidência Jair Bolsonaro.

A testemunha ouvida pelo em.com.br diz ter visto no carro adesivo referente à candidatura. Para ele, as travestis foram vítimas de transfobia. “As meninas falaram, as próprias prostitutas. Nós conversamos com elas e falaram que foi agressão, que não foi por programa, por droga, foi uma coisa realmente aleatória. Que foram lá e agrediram.”

TRAVESTI É AUTUADA De acordo com a Polícia Civil, a travesti ferida foi autuada em flagrante por furto e o inquérito policial será encaminhado à delegacia de área para apuração de eventual lesão corporal. Como ainda estava internada, ela não foi ouvida. Quando tiver alta, será encaminhada ao sistema prisional. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade