Publicidade

Estado de Minas

Decreto que vai oficializar força-tarefa contra ataques a banco será publicado nos próximos dias

Governo recria grupo de combate a assaltos a caixas eletrônicos. Número de crimes cai, mas a violência dos bandidos e as perdas de pequenas cidades aumentam a preocupação


postado em 09/09/2017 06:00 / atualizado em 09/09/2017 07:42

Governador se reuniu com as forças do segurança do estado nessa sexta-feira(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Governador se reuniu com as forças do segurança do estado nessa sexta-feira (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

A ousadia dos bandidos e a gravidade dos casos de ataques a caixas eletrônicos e agências bancárias em cidades de Minas Gerais fez o governador Fernando Pimentel (PT) encomendar um decreto estadual para oficializar a atuação de uma força-tarefa específica para combater esse tipo de crime no estado. Um grupo de servidores das forças mineiras de segurança já atuava em conjunto para trocar informações e discutir estratégias sobre essa modalidade, mas agora o trabalho estará efetivamente respaldado por um decreto, a ser publicado na semana que vem. Na prática, o documento recria a mesma configuração que já tinha sido usada em 2013, na gestão estadual anterior, quando as ocorrências aumentaram em todo o estado, mas acabou se desmobilizando devido à redução dos casos. Dessa vez, o governador se mostrou preocupado com o poder de fogo dos ladrões e também com o prejuízo econômico para as pequenas cidades, que sofrem sem os terminais bancários destruídos, apesar da redução de 34% das explosões e de 8% nos roubos consumados em agências. A Polícia Militar espera aumentar o poder de resposta aos ladrões até mesmo com mais enfrentamentos.

“A gravidade dos ataques aumentou. Eles estão sendo feitos agora de forma mais organizada do ponto de vista do crime, com armamento mais pesado. Então, tudo isso chamou a nossa atenção, além do impacto que é muito negativo. A cidade tem um caixa eletrônico e de repente fica sem isso, o movimento econômico na cidade cai substancialmente”, diz Fernando Pimentel. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a força-tarefa já atua articulando esforços de 13 agências diferentes ligadas ao tema da segurança e agora esse trabalho se torna oficial. A ação do grupo de trabalho pretende operacionalizar uma resposta mais rápida das autoridades mineiras quando acontecerem os ataques, já que muitas vezes os bandidos são numericamente superiores à quantidade de policiais militares que trabalham na cidade alvo dos bandidos.

“O objetivo é monitorar a ação dos criminosos para dar uma resposta efetiva. E é uma resposta de confronto mesmo, resposta forte para que esses marginais vejam que em Minas Gerais eles não vão ter esse espaço de atuação mais”, diz o comandante-geral da PM em Minas, coronel Helbert Figueiró de Lourdes.

VIOLÊNCIA


Um dos casos mais emblemáticos da atuação mais violenta dos criminosos ocorreu em Santa Margarida, na Zona da Mata, em julho. Uma tentativa de assalto às agências do Banco do Brasil e da Sicoob terminou com um policial e um vigilante mortos. A ação dos bandidos foi flagrada por câmeras de segurança e também por vídeos dos próprios moradores.

A crueldade dos ladrões chocou a população. Os criminosos mataram o cabo Marcos Marques da Silva, de 36 anos, após cruzarem com o militar em uma esquina da cidade e também o vigilante do Banco do Brasil, Leonardo José Mendes, de 53, que tentou se render com a aproximação dos bandidos, mas foi atingido com um tiro na cabeça. Armados com fuzis, os bandidos não deram chance às duas vítimas. Seis pessoas foram presas, sendo quatro logo após ao fato, durante cerco e bloqueio feito pelas polícias na região e outras duas em desdobramentos da investigação da Polícia Civil.

Em todo o estado, a quantidade de ocorrências diminuiu, segundo a Sesp, tanto em relação às explosões de caixas eletrônicos quanto aos roubos consumados nas agências bancárias. No primeiro semestre de 2017, foram 83 explosões, contra 127 no mesmo período de 2016 (redução de 34,6%). Os roubos consumados em bancos somaram 23 casos de janeiro a junho de 2017, 8% a menos do que os 25 casos do primeiro semestre de 2016. Para o coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luis Flávio Sapori, a criação da força-tarefa é adequada para combater a violência dos casos, mas a decisão já deveria ter sido tomada anteriormente. Sapori defende a articulação com outros estados. “É preciso ter essa interlocução, até porque as quadrilhas atuam em mais de um estado”, afirma.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade