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Estado de Minas

Camelôs, geladeiras e móveis dividem a calçada com pedestres na Abílio Machado

O desrespeito as leis de postura acontece na Região Noroeste de Belo Horizonte


postado em 12/12/2011 07:06 / atualizado em 12/12/2011 08:35

Van de músicos que cantam para atrair clientela de açougue, estacionada em cima da calçada, divide espaço com moto, transeuntes e as barracas dos ambulantes(foto: Renato Weil/EM/D.A.Press)
Van de músicos que cantam para atrair clientela de açougue, estacionada em cima da calçada, divide espaço com moto, transeuntes e as barracas dos ambulantes (foto: Renato Weil/EM/D.A.Press)
 

Um passeio pela Avenida Abílio Machado, uma das principais vias da Região Noroeste de Belo Horizonte, se revela uma aventura para quase todos os sentidos do corpo. A visão se perde na multidão que entra e sai de 290 lojas e esbarra em mais de 30 camelôs e vitrines a céu aberto. Os ouvidos quase enlouquecem com os ritmos que pulsam, no mais alto volume, das caixas de som na porta dos comércios; dos shows improvisados e megafones usados para atrair clientes; e da música de gosto duvidoso do celular de grande parte dos pedestres. O olfato se impressiona com a profusão de aromas e perfumes, vindos das bancas de pequi, das máquinas de frango assado e das fragrâncias falsificadas e comercializadas pelos ambulantes. Tudo isso com muito tato e habilidade para desviar dos montes de lixo espalhados pela rua; carros, motos e bicicletas nas calçadas; buracos no chão; e dezenas de mercadorias, como sofás e máquinas de lavar expostos nos passeios.

O cenário, caótico para todos, mas com certo fascínio para quem o frequenta, faz dos 3,1 quilômetros da avenida uma terra sem lei. Por ali, nada de regras do Código de Posturas de Belo Horizonte ou da fiscalização do poder público. Centro comercial do Bairro Alípio de Melo, a via parece ser regida por normas próprias, onde vale quem grita mais alto, expõe as mercadorias com mais visibilidade e invade o espaço público sem qualquer pudor. Irregularidades podem ser flagradas em toda a extensão da avenida, mas a maior concentração de abusos e desrespeitos de lojistas, motoristas, ambulantes e pedestres está nos 350 metros entre as ruas Jair de Matos e Violeta Melo.

Esse pequeno trecho funciona no velho esquema do “vale-tudo” e, em poucas horas da manhã de ontem, a equipe do Estado de Minas constatou uma lista de problemas. Por volta das 11h, nada menos que 33 carros e motocicletas estavam estacionados sobre o passeio, 31 camelôs tinham bancas armadas na via, 17 lojas ostentavam caixas de som na entrada, sete montes de lixo obstruíam a passagem dos pedestres, 12 pessoas distribuíam panfletos para o público e nove bares ou carrinhos improvisados vendiam espetinhos e sanduíches em mesas e cadeiras espalhadas no passeio. Isso sem falar dos 14 buracos na calçada e de uma criança que, ao lado da mãe e sem nenhuma noção de civilidade, não se incomodou com o movimento e se encostou no muro para fazer xixi. Mesmo para um domingo, um detalhe importante chamou a atenção: nenhum fiscal ou agente da prefeitura foi visto no local.

Uma das cenas mais inusitadas foi a do show de moda de viola em um açougue, na esquina da Avenida Abílio Machado com a Rua Mário de Melo. A dupla Romano e Roceri estacionou um carro de publicidade sobre o passeio – infração pelas Posturas Municipais – e montou o palco na entrada do estabelecimento, em meio a um mar de anúncios de joelho de porco, costela de boi e frango assado. Misturados à fila de pessoas interessadas na compra das carnes e de sorvetes, também vendidos num canto do açougue, grandes clássicos da música sertaneja de raiz ecoavam pelos quatro cantos da via e dificultavam até uma simples conversa entre os pedestres.

O trânsito é capítulo à parte no domingo da avenida. Na manhã de ontem, a equipe do EM levou 27 minutos para percorrer os 3,1 quilômetros da Abílio Machado no sentido bairro/Anel Rodoviário. Mas, na direção contrária, foram 56 minutos para fazer o percurso. Além do maior movimento de ônibus e carros no lado direito da rua (de numeração par), uma obra da Copasa próximo à Praça Paulo VI, transformou em caos o que já estava bastante complicado.

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