Os desrespeitos às leis de postura são motivo de reclamações até mesmo para quem as infringe. É o caso do gerente de uma loja de eletrodomésticos que, apesar das dezenas de mercadorias expostas na calçada, cobrou maior atuação do poder público. “A prefeitura precisa olhar mais para essa rua. Há camelôs demais e muito lixo na calçada. Por aqui, não há varredor de rua e, se os lojistas não limparem, a sujeira fica insuportável. De segunda a segunda, o movimento é gigantesco, com uma média de mil clientes por dia”, disse Alexandro Pacheco.
Apesar dos problemas, sobram exemplos de quem considera a Abílio Machado um “paraíso”. O elogio é do comerciante João Luís Filho, de 52 anos, que trabalha na região e aproveita os fins de semana para encontrar os amigos na avenida. “Esse ano, não me lembro de ter ido ao Centro de BH nem duas vezes. Resolvo tudo na Abílio Machado. Vou ao banco, faço compras, consulto médicos e não posso reclamar de confusão. Para mim, o bairro todo é tranquilo e de gente carismática”, afirma, ao lado do irmão Antônio de Castro, de 59, e do cunhado Leonardo César Vieira, de 26.
A família da assistente administrativa Elen Oliveira também não tem do que se queixar. Todos os fins de semana, ela aproveita as comodidades da avenida com a filha Maria Clara, de 7, e o marido Bruno Machado, de 34. “Encontro tudo o que preciso sem precisar ir longe de casa. Compro roupas, brinquedos, sapatos e ainda aproveito para fazer supermercado e pagar as contas nos bancos. Estacionar na avenida não é fácil, mas nada que se compare ao Centro, principalmente na época de Natal.”
Oito fiscais apenas
A Prefeitura de Belo Horizonte reconhece a complexidade da situação na Abílio Machado e lamenta ter apenas oito fiscais para cuidar da área. Apesar disso, promete intensificar os trabalhos a partir desta semana. “No fim de ano, vamos aumentar a fiscalização para coibir irregularidades. Os principais problemas que constatamos no local são comércio ambulante, estacionamento irregular, exposição de mercadoria na calçada e propaganda ilegal. Esses casos trazem desconforto e insegurança para a população, por isso vamos dobrar o esforço dos agentes”, explicou ontem à tarde o secretário-adjunto da Regional Noroeste de BH, Nildo Taroni.
Ele ainda lamentou o fato de a obra de requalificação da Avenida Abílio Machado ter ficado de fora do Orçamento Participativo (OP) Digital 2011. Na votação, que foi encerrada às 23h59 de ontem, as melhorias da via estavam em quarto lugar, com 14% do votos (percentual apurado até o fim da tarde). “Seria possível fazer melhorias de estacionamento, mudar a sinalização e outras intervenções com investimentos de R$ 5 milhões. Mas a população não elegeu a obra como prioridade”, disse Taroni.
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Facilidades para infringir as leis mantêm as pessoas na região da Abílio Machado
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