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Estado de Minas INFLAÇÃO

Combustíveis: reajustes disparam se comparados ao IPCA e ao salário mínimo

No governo Bolsonaro, inflação acumulada foi acima de 25% e o salário mínimo teve aumento de 21,44%, bem abaixo do que subiram a gasolina e o diesel


21/06/2022 18:44 - atualizado 21/06/2022 23:19

Imagem de posto de gasolina
Motorista, que pagava menos de R$ 5 para abastecer em 2019, hoje vê combustível próximo dos R$ 8 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 
A cena vista em todos os cantos do país é praticamente corriqueira nos últimos meses: motoristas se espremem nos postos para completar o tanque e tentar driblar mais um reajuste dos combustíveis feito pela Petrobras. Em 2022, a empresa estatal já anunciou por três vezes o aumento da gasolina e outras quatro o do diesel, frustrando motoristas e caminhoneiros que já vivem à mercê de um Brasil com forte inflação e crise econômica. 
 
O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez pressão sobre o então presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, que deixou o cargo nesta terça-feira (21/6), culpando-o sobre o aumento abusivo dos preços dos combustíveis. 

A repercussão do alto reajuste chegou à Câmara dos Deputados, já que o presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL), também disparou contra a política da empresa em custear os combustíveis nas bombas.
 

Apesar das reclamações de Bolsonaro, os combustíveis em seu governo não pararam de subir. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os reajustes foram muito superiores ao aumento do salário mínimo e do próprio Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação do país. 
 
Em Minas, por exemplo, o etanol encareceu 72% desde que Bolsonaro tomou posse, em janeiro de 2019, passando de R$ 2,96 para R$ 5,12 por litro. A gasolina comum teve aumento de 60,9%, passando de R$ 4,55 para R$ 7,47. Na mesma toada, o diesel aumentou 98%, enquanto o diesel S10 subiu 95,4%. 

O Gás Natural Veicular (GNV) teve reajuste de 60% por metro cúbico, enquanto o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)  encareceu 64,75% no período. 

De 2019 para cá, o salário mínimo aumentou 21,44%, aparecendo hoje com o valor de R$ 1.212. Há três anos, era de R$ 998. Enquanto isso, o IPCA acumulado desde então foi de 25,73%, segundo cálculos do Banco Central. 

Desde 2016, a Petrobras tem como política parear os reajustes nos combustíveis aos valores internacionais do barril de petróleo, ao preço do dólar e até mesmo ao custo de transporte ao país. O governo Bolsonaro manteve a política que elevou os preços para o consumidor final. Desde março, o produto vem subindo assustadoramente em virtude das tensões provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia.  

A política de preços é uma das responsáveis pelas trocas no comando da estatal desde que Bolsonaro assumiu o governo. Coelho é o terceiro a ocupar a presidência da Petrobrás desde o início do governo do ex-militar. Entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2021, a empresa foi capitaneada por Roberto Castello Branco. Ele foi substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, que permaneceu no cargo até março deste ano.

IPCA 

 
Especialistas afirmam que o combustível é um dos itens que mais influenciam na inflação do mês no Brasil. "Quando há reajuste na gasolina ou no diesel, toda a cadeia produtiva é automaticamente afetada. Os fretes se tornam mais caros para os produtores. Logo, os preços dos demais produtos acabam sofrendo variação de preço", explica Venâncio Araújo, coordenador da pesquisa do IPCA em Minas Gerais. 

Para o economista da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, o último aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras ainda não vai inferferir na inflação deste mês. "O reajuste da gasolina e do diesel acontece num momento que não pega o IPCA, cujo cálculo é feito até 15 de junho. Logo, o índice que antecipa a inflação deste mês não vai captar o reajuste dos combustíveis. Vai ficar para o IPCA do mês de junho. E mesmo assim, vai aparecer apenas metade do aumento da gasolina e do diesel. Boa parte da coleta já foi realizada". 

Apesar de pesar no bolso do consumidor, o economista explica que o reajuste dos combustíveis não é repassado totalmente. "No caso do consumidor, a gasolina não vai subir tudo o que vai na distribuidora. O reajuste na distribuidora é de 5,2%, mas na bomba é algo de um terço, que pode chegar a 2% em média. Já o diesel vai subir 14,3% na distribuidora, mas na bomba atinge em torno de 5%. Considerando o impacto que o consumidor vai pagar, que o caminhoneiro vai pagar, o efeito da inflação entre a inflação de junho e julho será de 0,14% para a gasolina e de 0,04% para o diesel". 

Inflação abaixo de 10% 


A própria FGV trabalha com uma inflação em torno de 9,2% no país em 2022, ficando abaixo dos últimos dois anos. De acordo com Braz, a redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), aprovada pelo Congresso, poderá reduzir a inflação até o fim do ano.

"A inflação de 2022 pode subir, mas há a medida do ICMS que pode mitigar esse aumento. Vamos ver nos próximos meses para ver como a redução do imposto para avaliar de fato o impacto na inflação de 2022. Minha estimativa deve ficar mais abaixo, considerando efeitos diretos e indiretos desse reajuste. Os efeitos indiretos correspondem aos aumentos que o frete pode representar e o contágio que tudo isso pode afetar na cadeia produtiva", ressalta. 

"Se vier a redução do ICMS, a inflação pode ficar abaixo de 9%, descontando parte esse reajuste determinado pelo aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, cujo preço é superior a US$ 120", complementa.


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