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Estado de Minas PREMIADOS

Azeite mineiro premiado teve azeitonas cultivadas ao som de música clássica

Produzido em Maria da Fé, azeite venceu em uma das categorias de renomado concurso mundial em Nova York


02/06/2021 18:45 - atualizado 02/06/2021 19:50

Azeites da Serra da Mantiqueira são premiados nos principais concursos do mundo
Azeites da Serra da Mantiqueira são premiados nos principais concursos do mundo (foto: Epamig/Divulgação)
Em concursos recentes realizados nos Estados Unidos, Itália, Portugal e Japão, azeites da Serra da Mantiqueira foram premiados com medalhas de ouro e prata. Um dos destaques foi o azeite mineiro da marca Monasto, que levou a principal premiação na categoria Delicate (Delicado) do Concurso Mundial de Azeites de Nova York (NYIOOC).


O grande detalhe foi revelado pela produtora Rosana Chiavassa: o lote premiado veio de azeitonas cultivadas na fazenda Santa Helena, em Maria da Fé, ao som de músicas clássicas.

"Confio muito na minha equipe e acredito também na sensibilidade das plantas. Ouço música o tempo inteiro, li sobre o assunto, soube de ideias semelhantes e resolvi colocar caixas de som e tocar música clássica nos olivais. Acredito sim que isso tenha influenciado no prêmio. Fomos o primeiro azeite nacional a conquistar Ouro na categoria Delicate", comemora.

 

A produtora explica que, quanto menor o deslocamento das azeitonas antes da extração, maior será a qualidade do azeite. Por esse motivo, Rosana pensa em investir em um lugar próprio e tem planos de abrir sua propriedade para o gastroturismo do azeite.

O concurso em Nova York é um dos maiores e mais prestigiados do mundo. A lista dos vencedores é considerada o guia oficial para os melhores azeites de oliva extravirgem do ano.

As avaliações foram feitas por especialistas sensoriais renomados. Os prêmios valorizam os azeites nos momentos de comercialização, o que é bom para os produtores e para a economia como um todo.

 

(foto: Epamig/Divulgação)
 

O produtor dos azeites da Casa Mantiva, Carlos Diniz, também tem motivos para comemorar. Ele enviou dois azeites para avaliação no concurso de Nova York e recebeu uma medalha de ouro e outra de prata.

Apaixonado pela olivicultura, ele conta que tem oito mil plantas e ainda está aprendendo a lidar com elas. 

Por se tratar de um concurso internacional com provadores de diferentes partes do mundo, Carlos considera que as medalhas são reconhecimentos de que em Minas, e na Mantiqueira em particular, as oliveiras têm uma expressão forte e produzem azeites comparáveis aos melhores do mundo.

"A olivicultura mineira avançou muito desde a extração do primeiro azeite pela Epamig em 2008, seja em área plantada, marcas de azeite no mercado e reconhecimento internacional da qualidade dos seus produtos. Mas ainda temos muitos desafios para vencer e um grande espaço para melhorar, principalmente no aspecto da produtividade dos pomares e dos custos de produção", afirma Carlos.

A importância das pesquisas


O pesquisador em olivicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Pedro Moura, conta que, até chegar à qualidade reconhecida em concursos, existe um longo caminho percorrido pela olivicultura na Mantiqueira. 


Ele destaca que esse caminho vai desde as pesquisas, que possibilitam o cultivo e o manejo das plantas, passa pelo trabalho intenso dos produtores e vai até o processamento das azeitonas.

Para o pesquisador, o mérito de uma medalha está atribuído a todo esse processo.

"Na Epamig ficamos muito orgulhosos quando os produtores têm seus azeites premiados. A medalha também é um reconhecimento do nosso trabalho, das pesquisas que foram desenvolvidas até chegar na indicação das cultivares e nas técnicas de manejo mais adequadas. A medalha coroa uma sucessão de tecnologias desenvolvidas ou adaptadas no campo e na agroindústria para chegarmos ao produto final, o azeite.”

Pedro trabalha em Maria da Fé, na Região Sul de Minas Gerais, berço da olivicultura brasileira.

Notas sensoriais


Na opinião da azeitóloga brasileira, Ana Beloto, os 'territórios gastronômicos' brasileiros, sobretudo a Mantiqueira, estão cada vez mais valorizados.

A especialista se refere às notas sensoriais que os azeites despertam no paladar. De acordo com ela, o que se percebe ao degustar azeites da Mantiqueira são características de muita personalidade e complexidade positiva aos olhos dos jurados mais exigentes, como notas de frutas tropicais.

"Maracujá, cacau, café verde. Tudo isso é percebido no paladar quando provamos azeites da Mantiqueira, seja mineira ou paulista, o que é bastante valorizado nos concursos. Creio que estamos construindo um caminho educativo no sentido de reconhecer nos azeites os nossos próprios sensoriais, valorizar a qualidade daquilo que a gente produz no Brasil e, claro, harmonizar os azeites com pratos típicos da nossa própria culinária, não apenas com bacalhau e salada", pondera.

Ana foi responsável por desenvolver azeites premiados em Nova York. Em Minas Gerais, a azeitóloga trabalhou em parceria com a marca Vertentes, localizada no limite entre a Mantiqueira e o Campo das Vertentes. 

O azeite composto pelas variedades Arbosana, Koroneiki e Arbequina foi premiado com a medalha de prata. O azeite desenvolvido apenas com azeitonas da variedade Arbequina também conquistou medalha de prata.

Para o empresário do ramo da olivicultura, Moacir Carvalho Dias, o clima das montanhas e a diversidade da vegetação mineira impactam na complexidade de aromas muito bem percebidos por juízes de concursos. 

Moacir coleciona medalhas de ouro para os azeites do grupo Irarema. Neste ano, o empresário celebrou o topo do pódio no concurso da Itália e uma medalha de prata na competição de Nova York. 

"Nos próximos anos várias novas marcas vão surgir aqui na fazenda Irarema. Atualmente, estamos com 20 mil plantas e, a partir de agora, vamos extrair genética de nossas árvores mais produtivas para, no futuro, plantar mais 20 mil pés", projeta.

Itália, Portugal, Japão


Os azeites da Mantiqueira e do Sul do Brasil também foram destaques em outros concursos internacionais, como o EVO International Olive Oil Contes, na Itália, o OVIBEJA do Alentejo, em Portugal, e o International Extra Virgin Olive Oil Competition, no Japão. 

Ana Beloto chama atenção para outros concursos internacionais que ainda vão ocorrer em 2021, com a presença de azeites brasileiros. 

"Teremos ainda alguns concursos na Itália, França, Grécia e Jerusalém. Nossos azeites ainda vão viajar pelo mundo, serão degustados por mais jurados internacionais e poderão ganhar mais prêmios. Temos produtores engajados e trabalhando para esse objetivo, além de pesquisadores, azeitólogos e um time de outros profissionais", finaliza.
 
(foto: Epamig/Divulgação)
 


Azeitech vai reunir a cadeia produtiva da olivicultura


A Epamig promove, entre 15 e 17 de junho, o 1º Azeitech. Neste ano, o evento on-line e gratuito vai debater a cadeia produtiva da oliveira e aspectos como qualidade, características sensoriais e escolha de azeites.

As inscrições podem ser feitas no site.
 
O evento é uma evolução do Dia de Campo de Olivicultura e da Mostra Tecnológica de Maquinários e Insumos, realizados anualmente no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé. 

Nas edições anteriores, a Mostra Tecnológica apresentou produtos e serviços para a cadeia produtiva da oliveira, incluindo maquinários agrícolas de grande e de pequeno porte, pulverizadores, soluções para embalagem e envase, publicações, cosméticos, entre outros. 

Na edição virtual, a proposta é manter a proximidade entre o mercado e o consumidor.

“Estamos abrindo um novo espaço para um mercado, uma atividade relativamente nova no país, em uma realidade que já é comum a todos os segmentos, a negociação on-line”, explica o coordenador de Comercialização do Azeitech, Antônio Nunes.

A Epamig é uma empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).
 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina 


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