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Estado de Minas PESQUISA

Endividamento das famílias brasileiras bate novo recorde em maio

Inadimplência também registrou o primeiro aumento após oito meses de queda, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC)


31/05/2021 15:30 - atualizado 31/05/2021 16:27

Inadimplência cresceu pela primeira vez em oito meses(foto: Guilherme Santos/Sul21/FecomércioMA/Divulgação)
Inadimplência cresceu pela primeira vez em oito meses (foto: Guilherme Santos/Sul21/FecomércioMA/Divulgação)
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 68% em maio, alcançando mais um patamar histórico. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta segunda-feira (31/05), esse foi o sexto aumento consecutivo. 

Desta vez, foi acompanhado também da primeira alta, em oito meses, da inadimplência no país.

Desde agosto do ano passado, é a primeira vez que a taxa de famílias com dívidas ou contas em atraso aumenta na passagem mensal, chegando a 24,3% em maio. Além disso, 10,5% dos brasileiros declararam não ter condições de pagar as contas e quitar as dívidas, o que faz com que essa parcela permaneça na inadimplência.
 
 
Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o orçamento das famílias, de certo modo, estava sendo preservado. Porém, a crise durante a pandemia, desemprego, inflação alta e outros fatores levaram a uma piora.

“Houve uma piora no orçamento das famílias em maio, com a alta da inadimplência, mas esse era um movimento esperado. A renda se mantém baixa, com fragilidades no mercado de trabalho, incluindo um menor impacto de benefícios assistenciais, caso do auxílio emergencial reduzido”, disse.

Por outro lado, o endividamento de acordo com grupos de renda apresentou dados semelhantes em maio. Para as famílias que ganham até 10 salários mínimos, as dívidas saltaram de 68,6% para 69% do total. Já para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, a proporção do endividamento foi de 63,1% para 64,2%, contra 61,3% em maio de 2020.

No entanto, a inadimplência seguiu tendências um pouco diferentes. A taxa das famílias  com renda até 10 salários mínimos que possuem contas ou dívidas em atraso aumentou de 26,9% para 27,1%. No grupo com renda superior a 10 salários mínimos, o percentual caiu de 12,3% em abril para 11,9% em maio - o segundo maior percentual para meses de maio, atrás apenas de 2016 (12,9%).

Já a proporção das famílias que se declararam muito endividadas atingiu 14,6%, maior percentual desde agosto de 2020. A economista da CNC Izis Ferreira, responsável pela pesquisa, afirma que o endividamento pode continuar crescendo.

“O crédito pode funcionar para ajudar a recompor a renda, mas a mudança de trajetória na política monetária, com aumento de juros, deverá fazer com que as famílias adotem mais rigor em relação aos seus gastos. Cabe destacar, porém, que mesmo diante das adversidades, na comparação interanual os indicadores de inadimplência estão em patamares mais baixos”, pontua.

Dívida no cartão mantém recorde

A parcela de famílias que têm o cartão de crédito como principal modalidade de uso manteve-se em 80,9%. Esse número aumentou entre as famílias de menor renda, mas diminuiu entre as de maior renda. Já os financiamentos de casa e carro ganharam espaço no endividamento, em função dos juros baixos.
 
* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz. 


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